Todos os dias os portugueses são bombardeados com notícias relativas à subida do preço do petróleo nos mercados internacionais e a consequente subida dos preços da gasolina e do gasóleo.

   A verdade é que este é um problema que afecta a economia mundial.

Depois de subidas sucessivas, os portugueses começam a desesperar e a constatar que os limites para a subida parecem não existir.

O secretário-geral da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) diz que o mercado do petróleo está "louco".

O mercado esta louco e os portugueses enlouquecidos!

E não é para menos, os aumentos reflectem-se nos preços de bens e serviços, os orçamentos das famílias é cada vez menor e as despesas com os combustíveis estão a tornar-se incomportáveis, as empresas acusam enormes despesas com os veículos e muitas entram em crise, os pescadores ameaçam parar com as idas ao mar, os agricultores ponderam abandonar os tractores e voltar a utilizar os animais para trabalhar na agricultura, a TAP aumenta o preço dos bilhetes e muito mais, o que demonstra que todos sofrem com estes aumentos.

Muito se especula sobre as causas e as medidas para controlar os preços, muitos aproveitam para a natural demagogia politica, mas a verdade é que soluções parecem não estar à vista.

E o que nos resta fazer?

Esperar?

Fazer boicotes ao abastecimento em algumas marcas de combustíveis?

Protestar?

Sim.

Mas sobretudo poupar e procurar alternativas energéticas.

Cada vez mais a escolha do meio de transporte é crucial para o equilíbrio do orçamento familiar, importa fazer as contas do combustível, do estacionamento, do desgaste do carro, da manutenção e sempre que houver a hipótese, preferir utilizar os transportes públicos e deixar o carro em casa.

Se a distância for curta optar por deslocar-se a pé ou de bicicleta, além de ser mais saudável e mais ecológico e é de graça.

Outra solução cada vez mais utilizada é a de se organizarem e partilhar o carro e a viagem. Se tiver um colega de trabalho vizinho aproveite para partilhar o automóvel e as despesas em combustível. Desta forma, para além de tornar as suas viagens mais económicas, irá contribuir para um melhor ambiente.

Planeie as suas viagens com rigor, modere a velocidade, evite ligar o ar condicionado e elimine cargas desnecessárias no veículo e conseguirá alguma poupança no combustível.

Para terminar, opte por abastecer em estações de serviço, com os preços mais baixos, porque existem de facto diferenças consideráveis, que podem fazer a diferença.

Mas à parte destas medidas que devemos praticar já hoje, há outras de extrema importância que devemos considerar.

O momento é crucial e temos que definitivamente evitar os combustíveis fósseis e recorrer cada vez mais ao uso de energias renováveis.

Cerca de 85% da energia consumida em Portugal é importada e de origem fóssil (petróleo, carvão e gás natural), o que demonstra a nossa grande dependência energética do exterior, com implicações ao nível estratégico e do desenvolvimento económico nacional e da competitividade das nossas empresas e do orçamento das famílias portuguesas.

Além disso os combustíveis fósseis provocam importantes impactes ambientais, nomeadamente as alterações climáticas, poluição do ar, água e solo e consequentemente na qualidade de vida das populações.

No entanto, Portugal dispõe de vastos recursos energéticos renováveis (solar, hídrica, eólica, biomassa, energia das ondas, etc.), que são essenciais para suportar qualquer crise energética que venha a acontecer no mundo, e que, na verdade todos nós já a sentimos.

Por isso será necessário e urgente a curto prazo ultrapassar algumas barreiras não técnicas, designadamente: a falta de investimento neste sector das energias renováveis (embora o governo reconheça já esta necessidade e tenha já inclusive avançado com muitas medidas no sentido de impulsionar a sua utilização), o pouco conhecimento dos benefícios económicos e ambientais destas energias por parte do grande publico e dos decisores e a falta de informação credível sobre o mercado das tecnologias energéticas.

Os nossos bolsos agradecem, o ambiente e as gerações futuras.

 

 

Teresa Fernandes