Queridos amigos e irmãos. Leitores d’ O Notícias da Trofa

 Mesmo às portas da Páscoa continuamos todos a saborear o dom do Espírito Santo que foi a eleição do Papa Francisco. A Páscoa traz tempos novos, também na Igreja, com a alegria e a simplicidade a comunicar, ao mundo, a Vida de Cristo ressuscitado.

Moçambique abundou em água no início deste ano. Foi água que produziu morte, sofrimento e destruição mesmo se a água pode ser também fonte de vida – no batismo – e na abundância de comida.

Os maiores problemas surgiram no sul e eu, como sabem vivo a norte. Mesmo assim muitos de vós se inquietaram por mim. Agradeço-vos de coração a preocupação e carinho demonstrado.

De saúde estou o melhor possível com a graça de Deus e a vossa oração e ajuda.

Desejo felicitar-vos, nesta quadra onde abunda os “aleluias”, pela ressurreição de Jesus e, na d’Ele, também a nossa ressurreição. A nossa fé em Jesus vitorioso é celebrada, renovada e vivida com o testemunho da alegria da salvação.

Recordo-vos diante do Senhor sempre mas mais intensamente nestes dias de maiores saudades e comunhão.

Em sinal de gratidão envio-vos uma página do meu diário em missão com um abraço fraterno extensivo a todos sem exceção de ninguém. Aleluia!

 

Vosso irmão no Senhor, na Missão de Ribaué em Moçambique, Alberto Vieira

 

Foram 34 os batismos que hoje, sábado, celebramos aqui bem perto do centro da vila, em Kithel. Eram muitas crianças mas as famílias eram poucas pois os pais de uns eram padrinhos dos outros e cada pai tinha dois e alguns três filhos a batizar. Um pai tinha mesmo 4 crianças. Aqui a produção não para, pelo menos a humana, pois a produção de comida é um pouco inferior. Ainda bem que aqui a terra é boa e dá sempre comida graças à abundância de montanhas e rios existentes. Assim é difícil haver fome. Kithel é uma comunidade nascida ainda há poucos anos.

Eram casais que tinham celebrado o batismo e matrimónio recentemente e agora chegou a vez de batizarem os filhos menores de 7 anos.

No fim da celebração dei boleia a algumas mamãs que, assim com as crianças, não tiveram de apanhar tanto sol no caminho. Na verdade aqui temos um calor enorme ao contrário da Europa que estamos em época do frio.

Regressando à vila, pouco depois de deixar a capela, um cristão mandou parar o carro e vi no seu rosto que estava preocupado. Parei. Soube que a sua esposa estava na capela na celebração dos batismos e aí sentiu-se mal. Tentou regressar a casa. Vieram as dores do parto pelo que parou numa casa vizinha. Pediu-me então ajuda para a acompanhar até á maternidade do hospital. Como o carro estava cheio de gente mandei esperar alguns minutos que, deixando as mamãs mais à frente, voltava para levar a esposa. Assim fiz. Não passaram mais de 10 minutos. Quando regressei já tinha nascido a criança. Solicitou-me para esperar pois estavam, as mulheres amigas, a terminar o trabalho.
Esperei e encaminhei mãe e filha à maternidade. Ali as deixei mas depois fiquei com pena de não lhe ter sugerido que dessem à menina o nome de “Ermelinda” recordando minha mãe. No entanto ao final da tarde voltei ao hospital e vi a mãe e a filha já tranquilas, descansando, depois das enfermeiras terem terminado o serviço do parto. Então sugeri à mãe o nome a dar à sua filha: “Ermelinda”. Ela agradeceu. Fica a memória de minha Mãe que sempre me acompanhou desde 1989, e acompanha ainda hoje, como intercessora junto de Deus, na Missão. Na enfermaria de partos estavam 8 mulheres que neste dia todas deram à luz. Viva a abundância da VIDA!!!

P. Alberto Vieira

Missionários Combonianos

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Moçambique

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