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Edição 694

Memórias e Histórias da Trofa: S. Gonçalo – O maior ex-libris de Covelas

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A freguesia de Covelas é, porventura, uma freguesia com características únicas no nosso concelho, destacando-se pela sua imensa verdura e cunho claramente rural, um paraíso nos dias de hoje, em especial para os seus habitantes a escassos quilómetros do Porto.

A história desta freguesia perde-se no tempo. Nos tempos medievais, quem desejasse ir do Porto a Santiago de Compostela pelo caminho de Santiago a passar pela cidade de Braga era nesta freguesia que realizava a sua primeira paragem. Um ponto estratégico num percurso que era realizado por milhares de pessoas todos os anos.

Nas memórias paroquiais de 1758, que foram assinadas pelo Padre José Pinto de Meireles, era referida a existência da Capela de S. Gonçalo, que era pertença dos fregueses, e terá sido nesse mesmo século, possivelmente, a sua construção.

Perante o argumento referido anteriormente é possível perceber que desde o seu início sempre foi um santo pertença do povo e acarinhado por este, ao ponto de lhe construir uma capela às suas custas em época de fracos recursos financeiros para a maioria da população.

Várias foram as alterações ao longo dos séculos, desde a feitura do retábulo-mor, em 1893, obras profundas na sua fachada principal e acabaria por ser em 2007 a construção dos anexos.

No primeiro mês do ano, é bastante aguardada a sua romaria, com a população da Trofa e localidades vizinhas a rumarem até Covelas a cumprirem as suas promessas ou simplesmente por amizade ou camaradagem a caminhar pelos vários trilhos das redondezas.

Decorria o ano de 1895 e escrevia-se na imprensa local de Santo Tirso que a festa era bastante concorrida e corria dentro da normalidade. O facto de ser bastante concorrida pode comprovar a antiguidade da mesma, não sendo uma novidade para a comunidade e por isso acorria em grande número.

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Nos anos seguintes, a publicação de notícias sobre Covelas e a sua atividade religiosa, apenas uma notícia em final de 1897 com a colocação de um filho da terra, Padre Manuel Ferreira da Costa a ser colocado na freguesia de Santa Cruz no Concelho de Almodôvar em Beja a mais de 500 quilómetros de casa.

No ano seguinte, a freguesia recebia um novo padre Alberto Maia que vinha de Ermesinde para ser pároco em Covelas.

No primeiro ano do século XX, em 1901, a freguesia demonstrava enormes sinais de vitalidade na sua festa, bastante reconhecidas como se escrevia na imprensa local, no Jornal de Santo Tirso com referência para a enorme abundância de regueifas que vinham de Valongo e que convidavam a acompanhar com os vinhos brancos, que eram uma das imagens de marca daqueles festejos.

Os anos foram passando e a tradição das festas não esmoreceu, cresceu, renovou-se e faz parte inclusivamente da cultura jovem da Trofa, com milhares a rumarem à pequena localidade para comer o seu rojão e beber o seu vinho.

Uma importante marca do ADN do concelho da Trofa, não sendo somente desta freguesia que com um pouco de dinamização poderia ser destaque e referência concelhia neste processo de construção de identidade do município da Trofa.

José Pedro Reis

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60 anos: Rancho Folclórico em festa o ano inteiro

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Ao longo do ano, o Rancho Folclórico da Trofa promove várias atividades para assinalar o 60.º aniversário.

A 2 de março, o Rancho Folclórico da Trofa assinalou 60 anos de existência. Esta é uma das associações culturais mais antigas do concelho e uma das que leva mais longe os usos e costumes de outrora das gentes trofenses.

A presidir a coletividade desde novembro de 2018, André Fernandes, apoiado pela equipa que o acompanha na direção, decidiu que as comemorações não se deviam limitar ao dia de aniversário, mas estenderem-se ao longo de todo o ano, com uma atividade mensal.

Depois da cerimónia eucarística que assinalou o aniversário, em março, da abertura do museu do Rancho, em abril, e de uma aula de zumba solidária, em maio, o Rancho prepara uma homenagem, no sábado, 1 de junho. A celebração eucarística de ação de graças pelos 60 anos da coletividade terá lugar na Capela Nossa Senhora das Dores, às 17.45 horas, seguindo-se uma romagem ao cemitério para um tributo aos componentes e dirigentes falecidos.

No dia 9 de junho, integrado nas festas em honra do Divino Espírito Santo, o Rancho Folclórico da Trofa promove um festival, no Parque Nossa Senhora das Dores, que contará com a atuação do Rancho Folclórico “As Lavradeiras de Arcozelo” e do Rancho Folclórico S. Miguel-o-Anjo.

Para 21 de julho, às 16 horas, está marcada uma recriação das antigas lavadeiras, no Rio Ave, junto à Urbanização da Barca. A 3 de agosto, realiza-se o Folc.Trofa, festival anual da coletividade.

Atualmente com 57 componentes, o Rancho Folclórico da Trofa tem cerca de 30 saídas previstas para 2019.

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Reabilitação do museu foi um dos compromissos

A 28 de abril, com a abertura do museu do Rancho, André Fernandes cumpriu um dos objetivos do mandato, que assumiu após “vários pedidos” para apresentar lista. A base do trabalho que iniciou em outubro de 2018 é “dar mais visibilidade ao grupo” e “fazer com que tenha mais atuações”. “Isso está conseguido. Queríamos também aumentar o número de jovens e também conseguimos. Agora, falta preparar os eventos que temos e começar a estudar uma ida até à Madeira”, revelou, em entrevista ao NT.

Relativamente ao museu, localizado na sede do Rancho, na Urbanização da Barca, foi alvo de uma profunda reabilitação, com vista “ao tratamento das madeiras e do espólio”, incluindo “lenços e trajes”.

A recriação de uma cozinha é uma das peças mais queridas da coletividade, pelo realismo da caracterização.

O espaço está aberto ao sábado e há possibilidade de abrir noutros horários, mediante marcação prévia. O Rancho Folclórico da Trofa pode ser contactado através do Facebook, rede social que começou a explorar com mais frequência, para chegar mais perto da comunidade.

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Chico Buarque tem ascendência de Guidões

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Recentemente, Chico Buarque pintou páginas da secção de cultura dos jornais por ter recebido o Prémio Camões. Mas, caro leitor, sabia que o cantor e escritor brasileiro tem ascendência trofense? Maria Antónia Serra, maestrina dos Meninos Cantores do Município da Trofa descobriu “há anos”, numa viagem a Terras de Vera Cruz, por um “amigo”, que lhe mostrou a “árvore geneológica” do artista.

Nela, constava como heptavó (sétima avó) Maria Gonçalves, nascida na freguesia de Guidões, concelho de Santo Tirso, distrito do Porto, Portugal. A mesma árvore genealógica foi descoberta pelo NT e dá indicações que esta guidoense deverá ter vivido entre a segunda metade do século XVII e inícios do século XVIII.

Nascido a 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque, tem uma ligação estreita a Portugal, não só pelos laços familiares que atravessam os séculos, mas também nas aparições para concertos e em ações políticas. Uma delas resultou numa música, “Tanto Mar”, que dedicou ao Portugal livre e democrático, após a Revolução de 1974, tendo sido, por isso, com o tempo, conotado ao comunismo, coincidentemente uma ideologia com forte presença em Guidões.

Chico Buarque venceu o Prémio Camões 2019, o prémio literário mais importante da língua portuguesa, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

Além de autor de discos musicais que marcaram a segunda metade do século XX, Chico Buarque assinou oito livros e cinco peças de teatro.

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