Vivemos um período da nossa história, onde a indefinição e sobretudo o sobressalto penetram no nosso pensamento e não nos permitem ainda imaginar o tão desejado regresso à normalidade.

Os dias passaram a semanas e as semanas passaram a meses, sem que a situação atual e também a futura parece que tenha sido completamente percebida pelas comunidades, com demasiadas perguntas e receios e poucas respostas. Até possível assumir que exige mais ruído que respostas concretas.

Um pequeno exercício de introspeção permite perceber se em 2020, ainda existem dúvidas, receios e os famosos “vendedores da banha da cobra”, não esquecendo que ao longo da humanidade, o ser humano teve de se deparar com estes mesmos problemas. A comunicação nesta fase da história vive um momento de grande prosperidade e agora imaginem que sem essa comunicação como se poderia viver e combater uma epidemia, mas, foi isso que aconteceu sobretudo na entrada da idade moderna.

O ser humano, naturalmente quando se vê sem respostas nos seus conhecimentos e nos vários níveis do seu mundo, opta sempre pelo caminho mais fácil que é o apelo ao divino, com claras ideias de apoio extramundano.

Atingindo esse patamar de procura de proteção divina, surgem as construções religiosas com S. Roque a ganhar claramente vantagem que se irá traduzir numa maior aceitação da comunidade para se justificar um investimento avultado em tempos de dificuldades e amargura.

Os surtos epidémicos conforme descrito anteriormente ocorreram em vários momentos da história e obviamente as construções são distribuídas no tempo e eis que em S. Mamede do Coronado os sinais de devoção pelo divino faziam-se manifestar no século XVI, concretamente em anos próximos a 1560, sendo construída a desaparecida Capela de S. Roque pelos motivos nomeados anteriormente.

Relativamente ao Coronado iria-se mesmo instituir uma confraria de adoração aquele Santo, demonstrando os sentimentos que iriam nascer naquela comunidade.

Sendo necessário perceber se haveria mais construções daquele género no território do concelho da Trofa.

Relativamente a outras construções, existe também a capela em honra a S. Roque em Alvarelhos, que terá tido a sua construção no século XVII, ligeiramente mais tarde da construção realizada no Coronado, em que nos seus primeiros anos iria-se manter na esfera do público, sendo possível demonstrar que essa mesma devoção era claramente espontânea e genuína, concretizada pelas suas gentes.

A capela em Alvarelhos ainda subsiste aos tempos e é um sinal inequívoco da devoção de uma comunidade, devoção essa que era dos poucos pontos de união, sobretudo, aquela união que sai restabelecida após os momentos de grandes dificuldades.

Possivelmente, nos próximos meses ou até mesmo semanas será possível voltar a ver sinais da população, semelhantes ao aqui relatados, atendendo ao continuo caminhar desta pandemia que parece não ter fim à vista… ainda dizem que a história não se repete…