A caminho de Vila do Conde, encontra-se a freguesia de Guidões, já encostada ao vizinho concelho de Vila do Conde. Apesar de passar praticamente despercebida a muita da comunidade trofense, a mesma reveste-se de especial importância, porque no seu seio acolheu a primeira experiência de industrialização no futuro concelho da Trofa, em época bastante remotas, na idade moderna, perto da época contemporânea.

A crónica desta edição tem o objetivo de abordar a história do seu templo, um templo com especial importância, atendendo que as suas festas são uns dos marcos do ADN do Município Trofense.

Procurando elementos para a sua construção, a data de 1879, estando escrito no tímpano do frontão: “JOANNES EST / NOMEN EJUS / S. LUC CAP. 1.º / V. LXIII”. Na base da ventana da face principal da torre, a inscrição: “JOZE RODRIGUEZ FERREIRA DA SILVA / FRANCISCO FERREIRA DIAS / ANTONIO FERREIRA DIAS / 1881 MANDAROA ACABAR ESTA TORRE 1881”. Um elemento principal para perceber quem ajudou a custear esta obra, como também para compreender a data da sua construção.

Necessário abrir um parêntesis para perceber que a sua data de construção é anterior ao século XIX, podendo recuar ao século XVIII, com a existência de uma inscrição nas proximidades da sua sacristia a ser de 1731.

Procurando trazer mais elementos para a compreensão das dimensões desta estrutura religiosa, é importante afirmar que, em 1758, nas memórias paroquiais, escritas por Manuel Tomé dos Santos, é referido que a paróquia era nesse tempo remoto dedicado a S. João Batista (tal como é o no presente), apontando a existência deste culto para se realizar há mais de 200 anos. Mantendo a sua comunidade uma grande fé para a Nossa Senhora da Rosa e S. Sebastião.

Não devendo ser ignorada nesse mesmo documento a existência da Capela de Santa Bárbara, que era pertencente aos fregueses e que parte da sua talha religiosa tinha sido encaminhada para a Igreja de S. João Batista.

As datas referidas no presente corpo de texto do século XIX seriam apenas referentes à reconstrução, concretamente de ampliação porque o padre Manuel Tomé dos Santos, nas inquirições, queixava-se que a igreja era de reduzidas dimensões.

Uma de muitas obras que se realizaram em várias localidades que foram pagas com o tributo de beneméritos em prol da sua comunidade que era prática corrente da época.

Uma pequena achega para perceber a história da Trofa e de uma das suas freguesias, concretamente de Guidões, para o reforço da nossa identidade.