Estamos em 2019 e iremos recuar 126 anos para ficarmos no ano de 1893. Concretamente em setembro, que era somente mais um mês, imperava a tranquilidade na Trofa e arredores. Apenas seria quebrada a sua monotonia com a realização de exercícios militares a 22 e 23, sexta-feira e sábado, concretamente.

Não sabendo se seria uma novidade, as notícias da imprensa local sobre o território trofense são raras, mas tudo apontava para que fosse a primeira vez que tal acontecimento iria marcar a agenda da localidade.

O aquartelamento militar iria ser posicionado junto da antiga estação, tendo grande cobertura jornalística a nível nacional, contando ter efetivos de forças de infantaria e artilharia no terreno, dando mais espetacularidade ao momento.

Na imprensa escrevia-se que era pensado haver comboios especiais para, certamente, ser possível movimentar as várias pessoas que queriam assistir àquele evento.

A bateria de artilharia foi colocada no pinhal de Carqueijoso para ter visão privilegiada sobre a margem direita do Rio Ave, como também da desaparecida Ponte Pênsil. Aproveitando ser um patamar superior, serviria para conseguir mais facilmente atingir os alvos e as zonas desejadas, um processo fundamental para esta companhia

O batalhão de Infantaria provinha do Regimento de Infantaria n.º 18, um regimento entretanto desaparecido, mas que servem as suas instalações no presente e ficando popularmente conhecido como “Quartel General”, na cidade do Porto.

Durante cinco horas foram disparados tiros de artilharia, em uníssono, para dar ainda mais ênfase àquele exercício, enquanto os elementos de infantaria iam evoluindo no terreno, movimentando-se do seu acampamento que era próximo das baterias de artilharia até ao terreiro de Nossa Senhora das Dores, escrevendo a imprensa que até a própria capela foi ocupada para dar alojamento a duas companhias daquele regimento de infantaria. Seria um espetáculo digno de se ver, no máximo 500 homens acampados num enorme terreiro, algo que hoje é impensável.

A ocupação do espaço religioso foi um tema sensível com várias vozes a manifestarem-se contra o facto de terem estado acampados junto da capela, com vários elementos a usarem aquele templo religioso, temendo-se a violação do espaço sagrado.

Os militares foram amplamente aplaudidos pela comunidade e o exercício terminava com grande sucesso. Escrevia-se que estava comprovada a grande operacionalidade do exército português.

Um evento marcante, atendendo ao elevado movimento de militares que seria, aproximadamente, de um milhar, não ignorando toda a logística que obriga a movimentação de artilharia, com várias dezenas de parelhas de cavalos para puxar as peças, como toda a imponência do material bélico.

Um marco na história e memória da Trofa…