quant
Fique ligado

Edição 678

Memórias e Histórias da Trofa: Conhece Neno Vasco?

Publicado

em

A presente crónica tenta explanar um pouco mais um dos muitos assuntos abordados em várias outras crónicas, nomeadamente a questão de S. Romão do Coronado ser encarada como uma das localidades do país que era escolhida por gente de todo a nação para efetuarem os seus tratamento contra variadas doenças pulmonares, com maior incidência na tuberculose.

A 9 de maio de 1878 na freguesia de Penafiel, nascia Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós e Vasconcelos que acabaria poucos anos depois antes de completar uma década de existência por emigrar para o Brasil conjuntamente com os seus pais.

Alguns anos depois de estar no Brasil iria regressar a Portugal para viver em casa dos seus avós paternos para posteriormente ingressar no ensino superior e quando tudo fazia indicar que iria entrar em medicina acabou por escolher seguir direito.

Fruto das suas convivências na faculdade acabaria por demonstrar durante o seu curso alguma apetência para a crítica do estado da sociedade que penalizava aqueles que poucos recursos tinham. Acabaria por voltar ao Brasil em 1901 onde iria estabelecer contactos com anarquistas italianos que iriam marcar profundamente e decididamente a sua forma de encarar a sociedade.


Acabaria por retornar a Portugal em 1910, mas no ano anterior iria ser o autor da tradução do célebre hino “A Internacional”. Contudo, iria continuar a enviar os seus artigos para o Brasil contribuindo de forma decisiva para o aumento do seu reconhecimento.

Participa no 1º Congresso Anarquista Português, com enorme reputação no seio político português, contudo, a sua saúde era o maior entrave ao desenvolvimento do seu percurso político e acabaria por sofrer de tuberculose como grande parte da sua família, aquela doença iria vitimar também alguns dos seus filhos.

Publicidade

Os problemas sociais em Portugal em 1920 agravavam-se, as dificuldades eram elevadas e claramente aquele momento marcava a agenda política do país e a pedido dos seus camaradas de luta, foi lhe indicada a localidade de S. Romão do Coronado como o local ideal para se livrar daqueles males de saúde, conseguindo o apoio desses camaradas após uma coleta pelos leitores do jornal “A Batalha”, com anarquistas do Porto e Lisboa a contribuírem para esse internamento.

Relativamente ao sanatório no Coronado, que se estaria a construir ou até mesmo o aproveitamento de outras instalações, pouco ou mesmo nada sei, apenas eram conhecidas as várias casas e quintas, como também do Hotel de S. Romão e a Pensão Moderna que ia acolhendo os inúmeros veraneantes e também doentes que desejavam tratamento.

A paisagem de S. Romão era marcada pelos típicos bosques que havia na região, vários apontamentos na imprensa para os pinheiros que eram em grandes quantidades e a poluição era praticamente inexistente.
A onda de apoio à sua causa acabaria por se estender também ao Brasil, todos os esforços eram necessários para apoiar a si e à sua família.

No dia 7 de setembro quando tudo apontava para a sua melhoria teve um ataque que o deixou bastante combalido e passados 8 dias, a 15 de setembro de 1920 um novo ataque iria marcar profundamente a sua saúde e iria ser decisivo para a sua morte. Segundo Alexandre Samis, a sua morte ocorreu na enfermaria do sanatório, reforçando o argumento da sua existência.

O seu funeral foi em S. Romão do Coronado e o seu velório teve pouca participação de membros de atividade política e público. Havia dificuldades de comunicação e para azar da vítima também decorria uma das muitas greves dos ferroviários.

Um dos maiores impulsionadores do anarquismo, uma das referências das lutas operárias do início do século iria morrer em S. Romão e marcar a história do movimento operário do nosso país, uma referência que partiu em terras do Coronado.

José Pedro Reis

Publicidade
Continuar a ler...
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Edição 678

Crónica: Olhar o Cinema Nacional

Publicado

em

Por

Caros Leitores,

Após uma rentrée rica em estreias em sala de filmes portugueses, ou em coprodução, e depois de um prelúdio de Outono atípico, ao qual nos vamos habituando, o mês de Novembro parece trazer uma ansiada normalidade. Promete ser um mês rico em produções arrojadas, algumas premiadas e reconhecidas internacionalmente, numa altura em que o cinema português versa nos lugares de maior relevo em alguns dos mais importantes festivais. Deixo-vos, assim, com várias propostas para puderem preencher, da melhor forma, o tempo livre que Novembro reservar.

A 1 de Novembro, estreia RAIVA do realizador Sérgio Tréfaut, uma adaptação de “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca, um clássico da literatura portuguesa do século XX. Sérgio Tréfaut tem já um longo caminho percorrido, marcado por filmes como TREBLINKA (2016), VIAGEM A PORTUGAL (2011) e ALENTEJO, ALENTEJO (2014). Ficamos com uma breve sinopse: “Alentejo, 1950. Nos campos desertos do sul de Portugal, fustigados pelo vento e pela fome, a violência explode, subitamente. Vários assassinatos a sangue frio têm lugar numa só noite. Porquê? Qual a origem dos crimes?” (Fonte: faux.pt)


No mesmo dia, estreia DJON ÁFRICA, de Filipa Reis e João Miller Guerra, reconhecidos por trabalhos como FORA DA VIDA (2015), CAMA DE GATO (2012) e NADA FAZI (2011). É um filme de coprodução entre duas produtores portuguesas e acompanha a vida de Miguel Moreira, também conhecido como Djon África, que acaba de descobrir que a genética é madrasta e que a sua fisionomia – bem como alguns traços fortes da sua personalidade – o denunciam, ao primeiro olhar, como filho do seu pai, alguém que nunca conheceu. Essa descoberta intrigante leva-o a tentar saber quem é esse homem. (Fonte: umapedranosapato.com)

A 8 de Novembro, estreia CARGA a primeira longa metragem de Bruno Gascon, após um trajeto pautado por trabalhos na curta metragem, tais como BOY (2014) e EMPTINESS (2015). O filme conta a história de Viktoriya, uma jovem russa apanhada numa rede de tráfico ilegal, que apenas tem uma hipótese: lutar para sobreviver; e de António, um velho camionista, que se cruzará no caminho da jovem. Segundo o autor, a sua principal ambição é “fazer com que cada pessoa se possa colocar no lugar daquelas personagens e pensar sobre qual seria a sua escolha se estivesse naquela situação”. (Fonte: nit.pt)

A 15 de Novembro, estreia DIAMANTINO, a primeira longa-metragem de ficção de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, um par com um percurso marcado por filmes como TRISTES MONROES (2017) e A HISTORY OF MUTUAL RESPECT (2010). Tratando-se de uma coprodução entre Portugal, França e Brasil, o filme narra a história de “Diamantino, ícone absoluto do futebol, que é capaz de fintar as melhores defesas. Mas no jogo mais importante da sua vida, o seu génio deixa de funcionar.” “À procura de um novo objetivo para a sua vida, Diamantino entra numa odisseia delirante, que envolve neofascismo, crise dos refugiados, modificação genética e a busca pela origem da genialidade”.

Publicidade

Concluo com menção ao Doclisboa, o icónico festival lisboeta, que terá lugar nos dias 18 a 28 de Novembro, em salas distintas como a da Culturgest, Cinema Londres e Cinema São Jorge, o único festival de cinema em Portugal exclusivamente dedicado ao documentário. Tendo o documentário como mote, surgiu uma maior consciencialização quanto à importância do cinema documental, a descoberta de novos territórios, a grande diversidade, e a vitalidade do cinema do real. (Fonte: doclisboa.org)
Até à próxima rúbrica, e até lá, boas sessões de cinema!

Vasco Bäuerle

Continuar a ler...

Edição 678

Ana Luísa Oliveira ilustra história infantil que fala das emoções

Publicado

em

Por

Esta é uma família peculiar. Pai mãe e dois filhos partilham de uma visível dificuldade em expressar sentimentos, a tal ponto que, o elemento mais novo da família, o André, recebe no um abraço da professor no dia de aniversário , é aberta toda uma discussão ao jantar. No dia seguinte, o André está doente e sem que se consiga entender o diagnóstico são chamadas mais duas personagens. Este é o ponto de partida para a história “A Família Durão”, escrita por Elsa Almeida, que conta com as ilustrações da trofense Ana Luísa Oliveira.


Na obra, que foi apresentada a 13 de outubro na Casa da Cultura da Trofa, é a continuação do trabalho feito pelas artistas no livro “Um Coração XXL”, lançado no início do ano passado. “A cumplicidade que se gerou com a experiência do primeiro voltou a ser visível neste que volta a falar dos assuntos que todos evitamos falar, emoções”, explicou a ilustradora ao NT.

Ana Luísa Oliveira descreveu que “a ilustração, em aguarela, funciona neste livro como um retrato de família”. “A criação das personagens é o processo mais empolgante, porque são uma espécie de caricatura familiar, e cada personagem tem detalhes psicológicos tão vincados que tinham inevitavelmente de ser transformados em características físicas”, frisou.

A casa, cuja arquitetura foi “totalmente ficcionada”, e a escola, cuja imagem nasceu da memória da ilustradora dos tempos em que frequentou a EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques, são os espaços centrais da trama e foram concebidos com “características que lhe permitissem transmitir da melhor forma a carga emocional da cena neles representada”.

O lançamento do livro na Trofa acontece no âmbito da celebração do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares, numa parceria entre a autarquia e os Agrupamentos de Escolas do concelho.

Ana Luísa Oliveira é licenciada em Arquitetura na Universidade do Porto, desde 2011, e completou a formação em Ballet Clássico. Trabalhou como arquiteta durante dois anos, mas cedo percebeu que tinha de dedicar-se ao que a apaixona: o desenho e a dança. Vive no Porto, onde exerce a sua atividade como ilustradora, e é professora de ballet, na Trofa e em Vila Nova de Famalicão. Expõe com regularidade e conta já com várias obras publicadas.

Publicidade

Foto: DR

Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também

} a || (a = document.getElementsByTagName("head")[0] || document.getElementsByTagName("body")[0]); a.parentNode.insertBefore(c, a); })(document, window);