Timor Leste voltou a ser palco de uma tentativa de golpe de Estado, onde foi baleado o presidente Ramos Horta. Os primeiros socorros ao presidente da República de Timor foram prestados por uma equipa do INEM, da qual faz parte a médica trofense, Fátima Santos.

Ramos Horta sofreu, na passada segunda-feira, um atentado que lhe poderia ter custado a vida mas graças à intervenção rápida dos homens do Sub-agrupamento Bravo da GNR e de um enfermeiro do INEM, Ramos Horta, pôde ser transportado para o Hospital de campanha australiano, em Dili, e ser assistido por Fátima Santos, médica trofense ao serviço do INEM em Timor.

O atentado ocorreu por volta das 6.15 horas (cerca das 21.15 horas em Portugal continental), a GNR recebeu um telefonema de um cidadão timorense que alertava para a ocorrência de um tiroteio junto da casa do presidente, à saída de Dili. "Fomos para lá imediatamente com 11 elementos das operações especiais e quando chegamos já estavam três corpos no chão", contou ao Correio da Manhã, o tenente do contingente da GNR em Timor, Carlos Correia.

O enfermeiro do INEM Jorge Marques acompanhou os militares e foi o primeiro a prestar socorro a José Ramos Horta: "encontramos um homem de bruços no chão e só quando o viramos é que vimos que era o presidente", explicou. "Estava a sangrar abundantemente e tinha dores violentas. Esteve sempre de olhos fechados, mas consciente. Respondia às perguntas de carácter clínico e nada disse sobre o que tinha acontecido", afirmou o enfermeiro. No Hospital de campanha australiano, em Dili, Ramos Horta foi ainda tratado pela médica Fátima Santos, que explicou ao Correio da Manhã que o presidente "foi operado mas não está livre de perigo. Corre alto risco de vida durante os próximos dias porque foram atingidos órgãos vitais e também foi ferido o pulmão direito".

José Ramos Horta encontra-se neste momento em Darwin, Austrália, onde foi novamente operado.

O NT tentou falar com Fátima Santos, mas por dificuldades de comunicação, não conseguimos contactá-la até ao fecho desta edição. Contudo Isaura Ferreira, mãe da médica do INEM, contou emocionada "a minha filha ligou-me e tranquilizou-me e disse que estava bem e que fez o que pôde pelo presidente, mas não deixei de me sentir preocupada".

A médica trofense de 32 anos, nasceu na freguesia de Alvarelhos, no concelho da Trofa e "sempre mostrou esta paixão pela medicina e pela ajuda aos outros, sempre notamos nela muita responsabilidade", confessou a mãe.

Alberto dos Santos, irmão de Fátima, mostrou-se satisfeito pelo facto da irmã ter prestado socorro a uma pessoa tão importante para Timor, mas lembrou "eles trabalharam em equipa e fizeram tudo o que foi possível para ajudar o presidente", concluiu.

A médica trofense volta a Portugal no próximo dia 24 de Fevereiro, altura em que termina a sua missão de 45 dias ao serviço do INEM em Timor.