Nasceu na segunda metade dos anos setenta.

 Nessa altura, por iniciativa duns quantos estabelecimentos comerciais, similares da hotelaria, começou por um concurso de máscaras e foi ganhando dimensão.

Mais tarde, por iniciativa, louvável, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, passámos a ter o cortejo do Entrudo devidamente organizado e cresceu de tal modo que o Carnaval da Trofa chegou a ser considerado o maior a norte do Douro.

Tratava-se, na verdade, duma festa muito concorrida e eram milhares os que todos os anos assistiam ao desfile trofense.

À medida que ia crescendo, iam aumentando os custos e, ao fim dalgum tempo, deixou de ser organizado. Razões económicas, penso, assim o ditaram.

Apesar de não existir uma festa organizada, as ruas da Trofa, na zona do Catulo, continuava, todos os anos a ter muita gente a ver mascarados, que iam aparecendo espontaneamente e com a secreta esperança que alguém organizasse qualquer coisa.

Até que, já depois da criação do concelho da Trofa, foram organizados desfiles, pela autarquia local, envolvendo as escolas primárias.

Depois, foi a Comissão Instaladora, e depois a Câmara Municipal, que passou a organizar o desfile com todas as escolas primárias do concelho e ganhou uma maior dimensão.

Hoje, o Carnaval da Trofa é uma realidade incontornável.

Mantém-se, e ainda bem, a participação escolar, o que, só por si, e pelos temas habitualmente escolhidos, garantem uma dimensão razoável e temas ligados à educação e ao ambiente que nunca é demais lembrar.

Gostei, ao longo destes anos, de ver a educação, a defesa das nossas tradições e a defesa do ambiente, serem tratados com seriedade apesar da ironia que a época sempre proporciona.

Pese embora a minha qualidade de suspeito, gostei de ver mais um carro no desfile. Tratou-se do carro organizado pelo Rancho Folclórico da Trofa, que pretendeu dar o seu contributo para que o nosso carnaval cresça ainda mais. Organizou um carro muito bonito, que valorizou o desfile e que pode servir de exemplo para que outras instituições locais, ligadas à cultura, ao laser ou ao desporto possam também participar e abrilhantar o "nosso" carnaval.

Não me custa aceitar se me afirmarem que o Carnaval da Trofa tem muito por onde crescer e melhorar. Não sofro de bairrismo serôdio ao ponto de dizer que atingiu o ponto óptimo.

Mas também não tenho dúvidas que pode continuar a crescer consistentemente e tornar-se um grande Carnaval.

A experiência tem-nos mostrado que devagar se tem ido cada vez mais longe, com altos e baixos, umas vezes mais interessantes, outras menos interessantes, mas sempre em crescimento e com ganhos de qualidade que seria injusto não reconhecer.

Enquanto cidadão desta terra, penso ser justo mostrar reconhecimento a quem se esforça pela para conseguir uma festa digna, quer a quem organiza, quer a quem participa – não podemos ficar todos a assistir – e esperar que nunca desanimem e que, ano após ano, tenhamos uma festa de Carnaval cada vez maior e com mais motivos de interesse.

 

 

Afonso Paixão