Segurados pagavam seguros a mediador que não renovava as apólices, deixando lesados muitos clientes das companhias AXA e Lusitânia. Mediador fechou portas e terá deixado clientes lesados numa alegada burla que poderá envolver centenas de milhares de euros. Em nota enviada à nossa redação a AXA esclarece: “Lamentamos, mas estamos legalmente impedidos de facultar qualquer informação”.

A burla deixou dezenas de clientes boquiabertos. Fernanda Pinto e Cândido Carvalho são apenas dois dos muitos lesados nesta burla envolvendo um mediador de seguros do Muro, no concelho da Trofa.

Em 2014, Cândido Carvalho teve um pequeno acidente de viação. Quando foi pedir ajuda ao mediador, tudo parecia correr bem. “Fui falar com o senhor José Azevedo, ele fez-me a participação, tratou de tudo, mandou para a companhia e eu fiquei à espera que a companhia me resolvesse o problema. Foi adiando, adiando, até que foi de férias e pediu que eu esperasse mais um pouco”, contou. Farto de esperar, Cândido optou por outra via e foi surpreendido: “Neste espaço de tempo, o meu filho ligou para a companhia para saber o que se passava e o porquê de não saber o resultado do acidente e informaram-no de que o meu seguro é que estava por pagar desde 2013”. Posto isto, Cândido Carvalho pagou o seguro relativo ao ano 2014 por transferência bancária diretamente para a companhia e acabou por pagar do seu bolso o valor do arranjo, resultante do sinistro relativo à apólice que terá pago ao mediador, mas que este não fez chegar à companhia de seguros.

Já Fernanda Pinto, moradora em Guidões, só descobriu em outubro de 2014 que poderia estar metida em problemas. “Ouvi dizer, no fim de outubro, para ter cuidado que o mediador estava a ficar com dinheiro. Eu ainda não tinha reparado, mas liguei à companhia, pois já tinha passado os meus seguros da AXA para a Lusitânia e confirmei que os seguros estavam pagos. No entanto, não me lembrei dos seguros da casa da minha mãe e que estão também em nome do meu marido. Quando fui pagar o seguro de uma amiga minha ao senhor José Azevedo, até falamos sobre os seguro da casa da minha mãe que eu tinha de pagar em fevereiro, e ele disse-me que já ia falar comigo sobre isso, porque na companhia da AXA não estava muito bom e falou-me em mudar para a companhia da Lusitânia. Como é ele que trata disso, e nós confiávamos nele, e dissemos que poderíamos mudar em fevereiro, mas ele queria tratar já naquela altura.

Como eu já ia com a pulga atrás da orelha, já levava os seguros no carro para confirmar com ele, quando saí de lá, ligo para a companhia (AXA) que me respondem que desde fevereiro que a minha mãe e o meu marido não têm seguro. Eu perguntei como era possível e disseram-me que como não tinha pago, o seguro foi cortado. Voltei ao encontro do senhor José Azevedo e questionei-o sobre não ter o seguro das casas pagos e ele disse-me que isso não é possível e pediu-me para deixar os papéis com ele. Eu disse-lhe que ele estava a ficar com o dinheiro que não era dele e eu não tinha seguro. Voltei a confirmar, porque podia ter havido algum erro, e garantiram-me que desde fevereiro que não havia nenhum seguro feito”, apesar de Fernanda Pinto garantir que pagou o seguro em fevereiro.

Algum tempo depois, Fernanda Pinto deixou os documentos referentes aos seguros para o mediador confirmar o pagamento, mas quando se voltou a deslocar à agência “a porta já estava fechada”. A lesada adiantou ainda que contactou a companhia Lusitânia na Maia e foi-lhe dito que “este mediador tentou ficar com o dinheiro daqui e dali até as pessoas não darem por ela”. “Houve pessoas que conheço que tiveram um acidente e quando foram tratar de comunicar à companhia foram informados que o seguro não estava ativo, apesar de o terem pago junto do mediador a dinheiro”.
Fernanda garante que tinha plena confiança no mediador até porque “já tinha os seguros há muito tempo” e ficou ainda admirada quando soube que o mediador tinha fechado portas e rumado, alegadamente, ao Brasil.

Novo mediador ficou responsável pelos clientes da Lusitânia

Paulo Sousa é mediador da Lusitânia e está responsável por gerir agora a carteira de clientes deixada por José Azevedo. Na AXA, serão para cima de cem os casos de pessoas lesadas nesta situação. Já na Lusitânia, serão “meia dúzia”, afirmou Paulo Sousa. “Vou sabendo por pessoas que vêm ter comigo agora, porque tenho lá o papel para tentar canalizá-las para mim, que me dizem que já estavam com ele há muitos anos”, contou.

Paulo Sousa, escolhido pela Lusitânia para tratar destes clientes, adiantou que tem “mandado mensagens para as pessoas a dizer que, qualquer situação que tenham é comigo agora. A minha postura é tentar ajudar no máximo”.
Contactada pelo Jornal O Notícias da Trofa, a companhia de seguros AXA Portugal fez saber, através de nota escrita enviada esta quarta-feira que “está a acompanhar a situação, tendo, assim que tomou conhecimento da mesma, atuado junto das instâncias próprias”. “Lamentamos, mas estamos legalmente impedidos de facultar qualquer informação”, sentencia.

Já a companhia Lusitania não respondeu em tempo útil.