Até “ao final de julho/agosto”, pode visitar a exposição de pintura “PO(L)VO” do trofense Martinho Dias, patente na Galeria O Rastro, em Figueira da Foz, desde o dia 7 de junho.

A exposição PO(L)VO integra “um conjunto de 17 novas obras, realizadas especificamente para os espaços da galeria, situada na Rua da Liberdade, e que pode ser visitada “todos os dias, entre as 10 e as 19 horas”. “Trata-se de uma exposição individual, que já vinha sendo pedida pela galeria O Rastro (com quem costumo trabalhar) desde há dois anos, e que só agora me foi possível concretizar”, contou Martinho Dias.

O nome da mostra surge de “um jogo de palavras entre ‘polvo’ e ‘povo’ que, de certa forma, reflete o interesse” do autor por “questões sociais, culturais e políticas, centradas no tempo presente sem desprezar o passado”. “A ironia e o humor também fazem parte, pois, estou plenamente convicto de que os assuntos ditos ‘sérios’ teriam melhores resultados se não fossem tratados de uma forma tão séria, formal e complicada. Seriedade e formalismo em excesso complicam muita coisa, causam desinteresse e monotonia e matam a espontaneidade e a criatividade”, explicou.

Nesta exposição, encontram-se “personagens comuns transformadas em ‘atlantes’ que sustentam o mundo financeiro, na obra ‘Atlantes’; praticantes de remo competindo com imigrantes clandestinos, possivelmente a caminho de Lampedusa, na obra ‘Barca da Glória’; figuras, supostamente endinheiradas, tomando chá no país de Alice com bonecas do Museu do Brinquedo (Sintra), em ‘Os Hóspedes de Alice’; ou as relações de escala entre um Gulliver multifacetado, contemporâneo, e os habitantes de Liliput”.

Já entre os dias 12 e 15 de junho, o trofense marcou presença no SchoK’2014 – um festival de artes visuais, teatro, música, filme e dança, em Schoorl, próximo de Amesterdão, com a obra em vídeo PANGEA. A sua participação resultou de “um convite pessoal feito pelo diretor do festival Jaap Borgers, tendo apresentado “um vídeo com a duração de 50 minutos”, que “abriu o festival”.

“A apresentação da minha obra correu muito bem, com um público entusiasta que encheu por completo o pequeno teatro (Dam Theater), onde se deu início à abertura oficial de SCHOK’2014. No final, houve lugar para conversas informais com os visitantes. Estas breves conversas são interessantes, pois dão-nos a conhecer a forma como a obra foi recebida, para além de outras discussões mais amplas tendo como ponto de partida o conteúdo da própria obra”, contou.

“PANGEA” aborda “questões centradas sobretudo nas assimetrias sociais e económicas, em questões culturais e políticas, na emergência e domínio por parte de diferentes ‘poderes’”. Realizada “a partir de postais e imagens turísticas de 26 países (países subdesenvolvidos, em desenvolvimento, ricos e emergentes, dos cinco continentes), articuladas com imagens e notícias de jornais desses mesmos países, cada qual, escrito na respetiva língua oficial”, em que “a parte sonora é formada pelos hinos nacionais desses mesmos países”.

A próxima apresentação desta obra será em Bergen, na Holanda. Além disso, Martinho Dias está “a trabalhar para uma exposição coletiva (em setembro), na Fundação Escultor José Rodrigues, no Porto, uma outra participação no Luxemburgo e uma individual para a Galeria Movimento Arte Contemporânea, Lisboa”.