Maria Gadú atuou no Coliseu do Porto na passada 5.ª feira no seu mais recente regresso a Portugal e numa passagem em dose dupla que também incluiu o Coliseu dos Recreios.

Um dos atuais nomes com maior reconhecimento no mundo da música popular brasileira, Maria Gadú compôs o seu primeiro grande êxito, Shimbalaiê, quando tinha apenas 10 anos de idade, numa afirmação de génio e precocidade. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o seu nome começou a ganhar clamor e fama, surpreendendo até gigantes do mundo da música brasileira como Caetano Veloso ou Milton Nascimento.

Entre 2009 e 2011 editou 4 álbuns, com vendas superiores a meio milhão de exemplares. Com estatuto merecido de estrela, já foi indicada por duas vezes para o Grammy Latino, nas categorias de Melhor Artista Revelação e Melhor Álbum de Cantor/Compositor.

Em 2013 editou Nós, um disco de duetos com alguns dos consagrados da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Ana Carolina, novos artistas brasileiros como Jay Vaquer e Tiago Iorc, e músicos internacionais, como Eagle-Eye Cherry e Jesse Harris.

Na noite de 5.ª feira, Maria Gadú surgiu no corredor central do Coliseu atravessando pelo meio do público numa entrada triunfante em palco. Cinco músicos esperavam-na para a acompanhar num concerto repleto de energia que se prolongou por duas horas e que contou com uma dose enorme de simpatia da brasileira. Numa tournée que funciona como uma espécie de homenagem a Cazuza, importante poeta da música brasileira que morreu precocemente quando tinha apenas 32 anos, Gadú reinterpretou alguns dos temas maiores do colega de profissão como O Tempo não Pára, O nosso Amor a Gente Inventa, Bete Balanço Ideologia. Com um repertório irrepreensível feito de canções contagiantes, Maria Gadú elegeu os seus temas Encontro, Extranjero, O Anjo da Guarda Noturno, Tudo Diferente, Linda Rosa, Axé Acappella, João de Barro e Linha Ténue para tocar no Coliseu, fazendo as delícias do público. Houve ainda tempo, para interpretar 1406, tema popularizado pelos Mamonas Assassinas, e e Malandragem de Cásssia Eller, e claro, para o dueto com Marco Rodrigues, reflexo da relação de amizade que une os dois cantores há anos.

O cantor português assegurou, aliás, uma primeira parte recheada de entrega e muita simpatia. Com uma voz potente e quente, Marco subiu ao palco com três músicos, e entre a viola clássica (Bernardo Viana), a guitarra portuguesa (Eurico Machado) e o baixo (Vasco Sousa), foi passando por temas como Loucura (Sou do Fado), Ausência, A Rosa e o Narciso(música de composição conjunta com Luísa Sobral), Duas Lágrimas de Orvalho, O Homen do Saldanha, Que Tom é que o Fado Quer, Quando o Fim Volta ao Início, A Rima mais Bonita e Fado do Estudante.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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