foto de joao macedo

No passado sábado, a líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, esteve na Quinta Nossa Senhora da Alegria, em Vila Nova de Famalicão, num comício que encerrou a visita ao distrito de Braga. No encontro que reuniu três mil militantes e simpatizantes do PSD, a líder do partido aproveitou para dirigir algumas críticas ao Governo, afirmando que a recente posição de uma agência de notação financeira internacional sobre o endividamento do país mostra que não é tempo para “obras megalómanas”.

“Cada investimento público tem de ser ponderado e bem avaliado. Não é tempo de obras megalómanas, pois cada erro nestas opções é uma corrente a prender os nossos pés e a arrastar-nos para o abismo”, apontou Manuela Ferreira Leite, sublinhando que, relativamente aos projectos de investimento do Governo, “os discursos inflamados do engenheiro Sócrates e as inaugurações passam, mas as dívidas ficam”.

“Ainda esta semana, uma das mais prestigiadas agências de notação financeira declarou que é agora mais arriscado conceder crédito ao Estado português, justificando o facto, não pela crise internacional mas pela crise interna”, lembrou a líder social-democrata, referindo-se à agência Standard & Poor’s (S&P) que, na quarta-feira, baixou a notação financeira da dívida portuguesa, atribuindo-lhe agora um “rating” de A+, porque os agentes consideraram que as reformas estruturais associadas à economia e às finanças públicas se mostraram “insuficientes” para que Portugal continuasse a ter um rating de ‘AA’. “Esta crise resulta dos fracos resultados das reformas e do caminho da consolidação orçamental”, criticou Ferreira Leite, considerando que esta declaração sobre o país “significa algo de muito grave: que os mercados olham para Portugal como tendo menor capacidade para pagar o que deve”. “Desta forma não vamos beneficiar tão significativamente da baixa da taxa de juro estabelecida pelo banco central europeu”, sublinhou.

“Não se entende que o Governo queira tomar decisões sem tomar isto em consideração, e que, pelo contrário o primeiro-ministro continue, teimosamente, a invocar nenhuma razão para manter as obras públicas megalómanas”, apontou. Manuela Ferreira Leite considerou que “é verdade que é tempo de agir, mas tal deve ser feito dando espaço à iniciativa da sociedade”. Defendeu que “se o Estado for sufocante, se consumir todo o crédito actual e futuro, ficaremos ainda mais pobres”.

A líder social-democrata referiu ainda que “o discurso do Governo e a realidade das pessoas têm vivido dramaticamente de costas voltadas” e defendeu que é necessário “recuperar valores como os da lealdade, da franqueza, da coragem e do amor ao nosso país”.

“Em tempo de crise e de sacrifícios, a recuperação da economia necessita do contributo de todos, e do consenso social”, frisou, considerando, contudo, que consenso social “não é calar a oposição, é atender as pessoas, não agredindo umas e não atacando a individualidade de outras e respeitando a liberdade de cada um”.

Ferreira Leite lamentou que aquilo que mais falta “é respeito pelos portugueses, pela oposição, pelos princípios que caracterizam a nossa sociedade e pelos grupos profissionais ou sociais que são atacados de forma directa ou insidiosa pelo Governo”. A líder acusou ainda o Governo de “ter tentado abrir caminho às suas pretensas reformas, dizendo que os juízes têm descanso a mais, os professores trabalham pouco, os funcionários públicos são dispensáveis, os militares estão cheios de privilégios e os polícias actuam ora de mais ora de menos, mas nunca na conta certa”.

No comício, que contou com a presença em massa da militância social-democrata do distrito de Braga, estiveram ainda presentes o vice-presidente do PSD, Rui Rio, o presidente da Distrital de Braga, Virgílio Costa e o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Armindo Costa.