Cinco meses bastaram para que a antiga estação de comboios da Trofa se transformasse num cenário de destruição. REFER deve emparedar edifício em Fevereiro.

Vidros partidos, roupa suja e lixo, muito lixo, abundam na zona da antiga estação da Trofa, que agora serve apenas de passagem e de refúgio para os toxicodependentes.

Enquanto passeava a cadela, Maria Ferreira não ficou indiferente à presença da equipa de reportagem do NT/TrofaTv. Habitante na zona, Maria lamenta o cenário “degradante”, considerando-o “um nojo”, e defende que “a REFER ou quem de direito devia proteger” a infra-estrutura.

“Isto é vergonhoso, (o edifício) devia estar bem preservado. Devia estar aqui alguém a proteger, porque está cada vez pior”, frisou.

Já Amândio Ferreira mora perto da antiga estação e passa pela zona quatro vezes por dia. Acompanhou de perto a degradação do edifício e, por isso, acha “que devia ser renovado”. “Isto devia levar outro rumo”, desabafa.

Os habitantes da zona alertam para a má imagem que a zona dá à cidade e ao facto de todos os dias muitas crianças passarem por lá para irem para a Escola EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques.

Vânia Pinto é uma das jovens que utiliza aquele percurso para ir e regressar da escola e não esconde o “receio” que sente quando lá passa “à noite”.

A Guarda Nacional Republicana tem patrulhado a zona para garantir a segurança das pessoas que por lá passam. De acordo com o primeiro-sargento, Emídio Rodrigues, “a GNR tem feito o patrulhamento normal, quer apeado quer móvel, sistematicamente, da parte da manhã e da tarde”. “À noite costumámos passar lá com o piquete, porque junto à estação vemos o problema do consumo de estupefacientes que até agora está perfeitamente controlado e já não é o que era”, explicou.

Na zona, as únicas ocorrências registadas pela GNR foram casos de furto “de cobre e de ferro”, nos dias seguintes à desactivação da linha.

Segundo o primeiro-sargento, “por incrível que pareça, poucas denúncias existem por parte da população em relação ao estado em que chegou a estação”. “O habitual era que as pessoas que morassem em frente ligassem para nós quando vissem actos de vandalismo, mas isso não acontece”. Segundo Emídio Rodrigues, esses actos devem ser provocados por “menores que saem da escola e ao passar ali partem um vidro e no outro dia partem dois… A zona acaba por chegar ao estado em que chegou”.

Trabalhos de limpeza devem começar em Fevereiro

Contactado pelo NT/TrofaTv, fonte da REFER afirmou que a empresa “está ciente dos problemas de vandalismo que afectam a infra-estrutura”. “Enquanto está em análise o processo de valorização do património entretanto desactivado, proceder-se-á à remoção de alguns materiais que podem ser reaproveitados e ao emparedamento dos edifícios, com o intuito de preservar equipamentos e bens, e para garantir as condições de salubridade e de segurança”, esclareceu.

O início da intervenção está prevista “para o mês de Fevereiro”.