“Alvadance tem lugar marcado na Trofa”

 Sílvia Cruz é professora de dança há mais de três anos e com o Alvadance e restantes turmas sente-se “realizada”. O grupo de Alvarelhos está a evoluir e no último espectáculo encheu o salão paroquial e cultural da freguesia. “Os bilhetes esgotaram e muitas pessoas pagaram para ficar de pé”.

 

Poucos poderão explicar o que sentem quando dançam…todos nós sentimos a necessidade de acompanhar a música com movimentos e mesmos os mais tímidos, que o recusam em público, fazem da banheira um palco onde poderão fazê-lo sem ninguém os ver. A dança tem a particularidade de nos acompanhar em toda a nossa vida e poucos são os momentos que não são acompanhados por esta arte. Uma arte que uns sabem melhor que outros, mas que está ao alcance de todos.

Que o diga Sílvia Cruz, professora de dança há mais de três anos e responsável pelo grupo Alvadance. De uma licenciatura de filosofia ético-política lançou-se para a aeróbica e danças urbanas, onde se formou, tendo agora sob responsabilidade seis turmas, três ligadas ao Alvadance, uma do Muro e outra de S. Romão do Coronado, na Trofa, e ainda outra na Maia.

Com 23 anos, Sissi, como é conhecida junto dos que mais gosta, sente-se “completamente realizada” a ensinar e por siso resolveu deixar de ser bailarina de um grupo, que entretanto acabou. “Tive de escolher entre o grupo e os meus alunos e escolhi continuar a dar as minhas aulas”, afirmou ao NT.

Passa os dias dividida entre as aulas de dança com as suas turmas e ainda tem tempo para dar aulas de step e ginástica localizada.

A sua vocação para a dança começou a evidenciar-se há poucos anos e tornou-se pública com o Alvadance. Depois de alguns espectáculos um pouco por todo o concelho, facto que faz Sílvia afirmar que o grupo “tem um lugar marcado tanto na freguesia de Alvarelhos como em todo a Trofa”.

“Todos ficamos impressionados com o crescimento que o Alvadance tem vindo a alcançar. Ainda há pouco tempo ganhamos um concurso de ‘caça talentos’ na Escola Secundária da Trofa! É difícil obter um lugar de relevo e mais difícil é mantê-lo”, referiu.

O segredo do sucesso pode estar na “humildade”, que segundo a professora “é o forte” do grupo, por isso afirma que a última coisa que diz aos alunos antes da entrada em palco é “dançar com o coração”. Um coração grande na motivação e cheio de desejos.

“É com este coração que temos conseguido crescer”, afirmou a responsável que considera que o Alvadance tem ainda um lugar “pequenino” fora da Trofa, mas no futuro espera-se que muitos convites surjam além fronteiras.

Para Sílvia Cruz é importante viver com a consciência de que “dar aulas de dança não tão simples e não se resume a uma sala de ensaio”. A evolução só pode ser conseguida “fora da sala e em cima do palco”. “Orgulhosa” com o “grande avanço” das suas turmas, Sílvia está também satisfeita com a adesão dos jovens. “O Alvadance tem 30 alunos neste momento. A turma dos pequenos cresce cada vez mais e quanto às outras, há quem saia e ultimamente ninguém tem entrado, já que quando estes grupos começam a evoluir é difícil aceitar iniciantes e eles são obrigados a fechar”, acrescentou.

Todas as turmas Alvadance têm pelo menos dois ensaios semanais. No entanto, quando se aproximam exibições os ensaios aumentam, dependendo da disponibilidade. O academia Corpus onde se realizam os ensaios “sempre deu liberdade” para o grupo os agendar. “Não existem muitos sítios que nos dá tanto espaço de manobra!”, sublinhou.

Comodismo não combina com a professora que depois de mais um espectáculo de sucesso, no passado sábado, encontra-se a “escrever alguns projectos” e a ponderar a criação de uma associação de dança. “Pode trazer uma grande vantagem à Trofa e aos seus jovens”, afirmou.

O Alvadance One, o grupo mais velho, também têm “uma série de competições pela frente” e os próximos projectos incidem sobre a freguesia de Alvarelhos e dois musicais, um exclusivo Alvadance e outro em articulação com outros grupos.

 

Mais de 600 pessoas no “Passos de Dança”

“Passos de Dança” foi o nome dado ao último espectáculo organizado pelo Alvadance, no passado sábado. Com mais de 600 pessoas presentes no salão paroquial, o balanço só podia ser positivo. “A adesão foi tão grande que tivemos problemas com as entradas. Os bilhetes esgotaram e muitas pessoas pagaram para ficar de pé. E ainda tivemos que adiar o início do espectáculo”, afirmou a professora que estava radiante com a casa cheia e com a adesão de pessoas de outras faixas etárias que não a dos 14 aos 18 anos.

“Desde o início que o Alvadance tenta apresentar espectáculos com qualidade e apesar de haver falhas, pois é impossível evitá-las, tentamos oferecer às pessoas o máximo de variedade”, referiu. Este contou com danças urbanas, dança contemporânea, danças de salão, aerodance e muitos outros.

Para além do Alvadance, o espectáculo contou com a participação dos restantes grupos que Sílvia Cruz coordena e outros oriundos de Águas Santas, São Pedro de Avioso e Póvoa de Varzim. “Também tivemos convidados do concelho, nomeadamente um grupo do Muro”, acrescentou a professora.

Para a realização desta iniciativa, o Alvadance apenas teve o apoio da comissão do salão paroquial e cultural de Alvarelhos que “não pensa duas vezes quando cede o espaço para o grupo” e dos grupos convidados. Uma prova que não às vezes o dinheiro pode ser substituído pela boa gestão.

 

Em sintonia com a AUAUA

Solidários com os animais, os elementos do Alvadance fizeram questão que a Associação Um Animal Um Amigo marcasse presença no evento para angariar fundos. A professora lamenta o comportamento de algumas pessoas sobre os animais e considerou que seria bom convidar a associação. “Para além de ser associada já tive provas que as pessoas da AUAUA fazem tanto a favor dos animais como das pessoas”.