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Edição 448

Mais de 1250 participaram na caminhada dos vicentinos

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Conferências S. Vicente de Paulo do concelho conseguiram reunir mais de um milhar de pessoas para uma caminhada solidária.

Não é habitual ver um número tão elevado de pessoas para uma caminhada. No domingo, 17 de novembro, no Parque de S. Pedro de Avioso (Maia), as conferências de S. Vicente de Paulo do concelho da Trofa conseguiram juntar mais de 1250 participantes, que tinham duas opções: caminhar dentro do Parque ou percorrer seis quilómetros num itinerário até ao Castro de Alvarelhos, onde iriam aprender mais sobre a estação arqueológica.

A ideia partiu de Júlio Paiva, responsável pela Conferência de Santiago de Bougado, que aproveitou a caminhada anual da empresa que gere para lhe dar uma expressão mais ampla. “O grande objetivo foi despertar a consciência da sociedade civil para a importância da ajuda ao próximo, porque muitas vezes estamos acomodados em casa e pensamos que são as outras pessoas ou uma instituição pública que têm de fazer o trabalho por nós. Quis alertar as pessoas que temos que ser nós a preocuparmo-nos com o próximo”, explicou em declarações ao NT, que considerou “fabuloso” o número de participantes.

Cada conferência – de Santiago, S. Martinho, Muro, Alvarelhos e S. Mamede – estava responsável pela promoção da iniciativa. Cada inscrição tinha um valor de cinco euros e, em troca, o caminhante recebia um kit composto por “uma camisola, um cachecol e um par de meias”. “A ideia era que as pessoas, para além de darem, recebessem”, justificou Júlio Paiva. As conferências faziam as inscrições e recolhiam os donativos, que vão ser distribuídos aos mais necessitados em forma de alimentos e medicamentos”, explicou.

Depois de uns exercícios de aquecimento, feitos ao som da música, os participantes reuniram-se junto à entrada do parque para o ponto de partida. A maior parte preferiu o percurso de maior dificuldade, mas talvez mais aliciante: até ao Castro de Alvarelhos.

A próxima iniciativa da Conferência S. Vicente de Paulo está agendada para as 12.30 horas do dia 15 de dezembro. Trata-se do jantar de Natal que vai reunir carenciados e comunidade, numa atividade que pretende promover a igualdade e dar conforto em época festiva àqueles que mais necessitam.

Já em 2014, a Conferência vai organizar outro jantar, desta vez em parceria com o Rotary Club da Trofa.

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Edição 448

Caixa de Crédito Agrícola celebra 100 anos

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Um século ao serviço das comunidades locais e dos seus clientes, pautando a sua atuação por valores de solidariedade, entreajuda e disponibilidade. Caixa de Crédito do Médio Ave assinala aniversário no dia 30 de novembro e quer continuar a servir.

Os elementos do conselho de administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave, CRL deram esta terça-feira uma conferência de imprensa, para apresentar o programa das comemorações dos cem anos da instituição. Realçando as raízes da cooperativa, o presidente do conselho de administração da Caixa de Crédito Agrícola do Médio Ave, António Abreu, quer continuar a “afirmar os valores da solidariedade, da entreajuda e da capacidade de estarmos disponíveis para os outros” e garante que em 2013 a Caixa de Crédito “vai centrar a sua atenção na vertente social, a mesma que há cem anos levou à criação da cooperativa”.

Durante o encontro com os jornalistas, os responsáveis da instituição deram a conhecer o programa das comemorações que decorrem a 30 de novembro e têm inicio marcado para as 9.30 horas com o descerramento de placa evocativa nas nossas instalações em Vila Nova de Famalicão, seguindo-se às 10 horas a sessão solene, na Casa das Artes, e às 13.30 horas o almoço no Palácio de Congressos Rauliana.

De acordo com António Abreu, “a Caixa tem-se mantido fiel aos valores essenciais que estão na génese das Caixas Agrícolas, que implicam a preservação de uma relação de proximidade e clientes e o acompanhamento atento da dinâmica económica e social das comunidades locais de que as Caixas fazem parte”.

O responsável adianta ainda que a Caixa vai manter uma política de apoio direcionada “às pequenas e médias empresas com linhas de crédito e programas de apoio nas mais diversas áreas de negócio”.

A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave resulta da fusão, em 2010, da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vila Nova de Famalicão com a Caixa de Crédito de Santo Tirso e hoje tem sete agências espalhadas pelos municípios da Trofa, Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso.

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Edição 448

“Conflito com Santo Tirso prolongou-se muito para além do que era razoável”

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Afonso Paixão foi vereador da Câmara de Santo Tirso nos tempos em que o povo da Trofa reivindicava a emancipação. Em entrevista ao NT e à TrofaTv recordou as dificuldades que atravessou e explicou o porquê de “votar a favor da criação do concelho”.

O Notícias da Trofa (NT): Foi vereador da Câmara Municipal de Santo Tirso, com pelouros, mas era da Trofa. Como é que viveu os momentos em que o povo reivindicava a criação do concelho?

Afonso Paixão (AP): Foram momentos complicados. Eu fazia parte de uma equipa, e ainda hoje continuo a afirmar, que fazia um bom trabalho, que tinha muito bom senso na governação e na qual estava bem integrado. Depois havia um outro valor importante, que era o concelho da Trofa e sendo eu da Trofa não podia deixar de o desejar, porque entendia que havia já dimensão e viabilidade. Era difícil conjugar as duas coisas, mas nascido que fui na Trofa não podia deixar de fazer a minha opção.

NT: Quando fala da gestão com bom senso, também se englobavam as freguesias que fazem parte do concelho?

AP: Sim. Quais eram as fragilidades da Trofa nessa altura? Eram ao nível das infraestruturas. Eu tinha o pelouro dos serviços municipalizados, a questão do volume de investimento pode merecer discussão, mas estava-se a fazer na Trofa aquilo que ela necessitava. Não era admissível que a Trofa tivesse crescido ao ritmo a que cresceu sem ter as infraestruturas de água e saneamento. Eram essas obras que, principalmente, se faziam na Trofa, que custavam muito dinheiro e que do ponto de vista político não davam vantagem nenhuma, mas mandava o bom senso que se fizessem. Enquanto não fossem criadas, o crescimento futuro estava comprometido, até a qualidade de vida das pessoas que cá estavam, porque nessa altura discutia-se muito a falta e a má qualidade da água.

NT: Quais foram as obras realizadas?

AP: Penso que não houve nenhuma escola do concelho que não fosse renovada. Foi um investimento muito grande e nessa fase teve muito mérito o professor Tedim, vereador nesse pelouro. As juntas de freguesia, incluindo S. Martinho e Santiago, passaram a ter melhores condições. As infraestruturas de água e saneamento começaram por aí, a feira e mercado da Trofa também e até equipamentos do Estado, como o posto da GNR e o centro de saúde de Alvarelhos tiveram um grande contributo da Câmara de Santo Tirso.

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O atual concelho da Trofa, que poucos anos antes estava praticamente no ponto zero, sofreu grandes investimentos em áreas essenciais e que foram muito importantes para criar as condições do concelho.

NT:Mesmo com essa gestão, a população continuava a reivindicar. Como é que analisava a vontade do povo da Trofa de criar o concelho?

AP: Na minha opinião, por muito bem que trabalhasse a Câmara de Santo Tirso, o concelho da Trofa continuava a justificar-se, porque o concelho de Santo Tirso tal como ele estava, não era uma unidade. Há uma cultura tirsense e uma cultura trofense. Não havia uma unidade social e cultural. Eram dois povos diferentes.

O problema não estava na gestão, embora na Trofa se tenha criado essa ideia, foi por razões que tem a ver com o posicionamento político de quem discute. Eu sou socialista, mas continuava a achar que entre Trofa e Santo Tirso havia algumas diferenças que justificava que fosse criado o concelho, talvez com menos traumas e que houvesse depois uma boa vizinhança.

Como foi gerir esse assunto? Falou com Joaquim Couto?

Falamos no assunto, havia uma situação que era, sobretudo para mim, um pouco delicada, porque eu estava integrado numa equipa, mas morava na Trofa. Isto do ponto de vista emotivo foi difícil, gostava de não poder repetir este tipo de situações no futuro.

Necessariamente que haveria descontentamento, ou era contra a Trofa ou era contra a equipa.

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Do que recorda da reunião de Câmara de 3 de junho de 1998?

Lembro-me que foi uma reunião muito tensa, houve algum esgrimir de argumentos, até que foi feita uma proposta de rejeição da criação do concelho, apresentada pelo presidente da Câmara, que deu muita discussão, porque se questionou se era voto de braço no ar ou voto secreto. Depois verificou-se que se fosse voto de braço no ar iríamos ficar lá cinco a votar e não todos. Optou-se pela votação secreta e deu o resultado que todos conhecem, com as peripécias que se seguiram.

Que peripécias?

Na contagem dos votos questionou-se se foi cinco a quatro a favor da Trofa ou se foi cinco a quatro contra a criação do concelho e claro que foi cinco a quatro a favor da criação do concelho. Mas houve ali uma contagem e uma recontagem. Nessa altura, como trofense e tendo votado a favor do concelho, e que ninguém teve dúvidas e as que surgiram foram de conveniência, depois de cumprir o que achei que era a minha obrigação, o meu mandato acabou ali, porque estava integrado numa equipa contra a qual votei num assunto importante e não fazia muito sentido continuar.

Depois da votação, o que é que lhe comunicou o presidente da Câmara?

Penso que ele ficou, sobretudo, revoltado comigo. Depois encontramo-nos passados uns dias, ele não deixou de entender a minha posição, mas ficou algum melindre nos tempos imediatos. E eu entendi que ele tinha que lutar pela unidade do concelho a que ele presidia. Hoje, temos um bom relacionamento.

Acompanhou o trabalho da comissão promotora?

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Não era elemento dessa comissão, fui convidado, já numa fase final, mas eram já reuniões com toda a gente, muito emotivas, a fazer lembrar o PREC (Processo Revolucionário em Curso). Depois, fiz parte da comissão instaladora e da primeira Câmara Municipal eleita.

No dia 19 de novembro de 1998, foi a Lisboa?

Fui, não podia deixar de ir, por variadas razões. Era da Trofa, tinha disponibilidade e fazia pouco sentido que, tendo eu passado pelo que passei, não fosse a Lisboa para acompanhar a criação do concelho.

Hoje considera que fez sentido a Trofa ser elevada a concelho?

Há duas leituras, uma delas é a criação propriamente dita e a outra a forma como tem sido gerido o concelho. A criação faz todo o sentido, pelas razões que indiquei. Já pela forma como foi gerida, a Trofa passou por um PREC, e nos processos revolucionários fazem-se sempre muitas asneiras. Acho que, em vários momentos, teve uma gestão frenética e até megalómana, com projetos cujos resultados não são positivos. Não creio que a Trofa tenha sido bem gerida, embora há algumas coisas bem feitas, mas o problema da gestão é um problema que se resolve, se foi má há que escolher uma boa e não é por situações momentâneas que vamos colocar em causa uma prioridade muito mais importante que era a existência do concelho.

Na gestão com Santo Tirso, acho que não soubemos ganhar a batalha. Santo Tirso era uma fera ferida e se compete a quem perde saber perder, mas também compete a quem ganha saber ganhar. O conflito com Santo Tirso prolongou-se muito para além daquilo que era razoável, com prejuízo para os cidadãos da Trofa, porque ainda hoje há processos, sobretudo de obras particulares, que estão em Santo Tirso e já podiam estar na Trofa. 

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