O candidato à liderança do PSD Luis Filipe Menezes avisou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, de que pode esperar, a partir de 28 de Setembro, uma «oposição diferente em atitude e propostas».

 «Vamos fazer oposição de manhã, à tarde e à noite onde há problemas. Vamos estar na rua, onde estão os problemas reais dos portugueses», afirmou Menezes, num jantar que assinalou o início da campanha para as eleições directas, marcadas para 28 de Setembro.

«PSD terá programa diferente»

Perante mais de 2.800 pessoas que encheram por completo cinco salas de um pavilhão na zona industrial da Trofa, Menezes salientou que, com a sua liderança, o PSD também terá um «programa diferente» para permitir que os portugueses consigam perceber as diferenças que existem entre PSD e PS.

«É com clareza que vamos voltar a ganhar a confiança dos portugueses», afirmou o presidente da Câmara de Gaia, dirigindo-se «à multidão à moda antiga do PSD» que participou neste jantar de campanha. «Esta multidão é a demonstração de que José Sócrates vai ter muitas insónias quando eu for líder do PSD», frisou.

Num longo discurso, proferido em pé, num palco laranja em forma de seta – o símbolo do PSD – Menezes praticamente abordou todos os temas que tem vindo a referir nas últimas semanas, nas várias acções de campanha que tem realizado, mas deu uma especial importância à questão dos debates com Marques Mendes.

Desafio para debate na RTP

«Quem tem medo é quem não tem razão», frisou, desafiando Marques Mendes a aceitar um debate na RTP porque permitirá atingir «quatro ou cinco milhões de portugueses» e não apenas um público mais reduzido como o que tem acesso à SIC Notícias, canal de cabo onde se deverá realizar o único debate desta campanha para a liderança do PSD.

Menezes reafirmou a sua disponibilidade para debater «em qualquer lugar» com Marques Mendes, mas alargou essa disponibilidade ao seu porta-voz e aos mandatários distritais e concelhios, propondo debates com os seus homólogos da candidatura do actual líder do partido.

Luís Filipe Menezes dedicou também uma boa parte da sua intervenção a criticar o Governo, que, na sua opinião, faz com que «os portugueses andem tristes, com medo e sem esperança no futuro».

«Parecemos um pequeno país da América Latina»

«Parecemos um pequeno país da América Latina», afirmou, acusando o primeiro-ministro de ter «esquecido todos os compromissos que fez durante a campanha eleitoral» e de ter um governo «autista e sem sensibilidade social».

As críticas de Menezes foram também dirigidas ao líder do PSD e seu adversário nas eleições de 28 de Setembro, que acusou de não ter capacidade de liderança.

«Com tanto desemprego, insegurança e um crescimento económico vergonhoso, como é possível que uma sondagem hoje divulgada dê maioria absoluta ao PS e o PSD volte a descer?», questionou.

«O país está completamente desencantado e o PSD está à deriva porque não tem liderança», afirmou, defendendo que «o PSD precisa de se afirmar como principal partido da oposição, mas, para isso, tem que mudar de rumo».

Nesse sentido, anunciou que, caso seja eleito presidente do PSD, escolherá «até ao final do ano» o candidato à Câmara de Lisboa.

«Em Janeiro, vamos iniciar a campanha para ganhar a Câmara de Lisboa», assegurou.