Sebastien Loeb alcançou a sua 51ª vitória da sua carreira ao vencer o Vodafone Rally de Portugal de 2009 que se disputou mais uma vez na região do Algarve perante uma enorme e entusiasta multidão.

O Estádio do Algarve voltou a ser o centro nevrálgico do Rali de Portugal, que se disputou entre 2 e 5 de Abril, e concentrava numa vasta área o parque de assistência, o Fun Park, e toda a logística inerente a uma prova desta dimensão. O público voltou a marcar presença, e de forma ordeira, quer nos troços quer nas especiais disputadas no estádio, e eram milhares espalhados pelas zonas espectáculo que a organização disponibilizou para que o público assistisse em segurança à passagem da caravana do mundial de ralis.

No campo desportivo tudo na mesma. Loeb, um “come tudo”. Se na sexta-feira Dani Sordo e Hirvonen ainda passaram pela liderança já no sábado o pequeno gaulês, em Citroen C4 WRC, com uma táctica de corrida perfeita e com uma condução soberba, venceu as seis especiais do dia e ascendeu ao primeiro lugar, para depois no domingo limitar-se a gerir a vantagem amealhada e vencer pela quarta vez este ano.

Hirvonen (Ford Focus RS WRC 08) ainda forçou o andamento no domingo, mas cedo percebeu que era impossível chegar a Loeb e preferiu resfriar os ânimos e segurar os oito pontos relativos ao segundo lugar.

O galego Dani Sordo, colega de equipa de Loeb, debateu-se com problemas de motor no sábado no seu Citroen C4 WRC e viu a diferença para os dois primeiros aumentar de troço para troço, e assim abdicou de lutar pelos lugares cimeiros contentando-se com o mais baixo do pódio. Peter Solberg ao volante de um antiquado Citroen Xsara WRC (versão de 2006) fez das tripas coração para se bater com pilotos que detêm viaturas mais actuais, mas a sua mestria ao volante superou essas diferenças e o piloto norueguês conquistou um excelente quarto lugar final. O seu irmão mais velho, Henning Solber, que tripula um Ford Focus RS WRC 08, teve o seu momento alto do rali ao vencer as duas especiais disputadas no estádio do Algarve e beneficiou da desistência no último troço de Matthew Wilson (provavelmente vinha a rubricar a melhor exibição de sempre no mundial de ralis) para ascender ao quinto lugar. Ao volante de um Subaru Impreza WRC 08 o simpático Mads Ostberg fechou o Top 6 e provou que apesar de ser muito jovem tem andamento para o mundial de ralis.

O rali ficou ainda marcado pelo violento despiste de Latvala que capotou 17 vezes por uma ribanceira de 150 metros de altura e mandou para a sucata o seu Ford Focus Rs WRC 08. Quanto aos portugueses, o destaque vai inteirinho para Armindo Araújo (Mitsubishi Lancer Evo 9) que com uma estratégia de corrida perfeita foi suplantando toda a concorrência para no domingo ver o seu esforço premiado no Estádio do Algarve onde foi aplaudido de pé pelos 20.000 espectadores presentes. O piloto de Santo Tirso além de ser o melhor português, foi ainda 9º da geral, venceu entre as viaturas que disputam o Mundial de Produção e assim ascendeu à liderança do PWRC. Para os menos atentos, a prestação de Armindo Araújo no Rali de Portugal é comparável a um grande feito futebolístico da Selecção de Portugal, por isso só me resta dizer: Bravo Armindo.

Quanto ao trofense Jorge Carvalho (filho), que também disputa o PWRC com o madeirense Bernardo Sousa, viu a prova acabar ainda no shakedown: “quando íamos a cerca 140 Km/h, batemos numa pedra, o que nos deixou a direcção aberta, e a partir daí foi impossível segurar o carro que acabou por bater de frente de forma violenta num morro para depois capotar, felizmente estamos bem, mas o Fiat Punto S2000 ficou bastante mal tratado, e o rali acabou aqui para nós”, dizia com desalento mas confiante para o resto do campeonato Jorge Carvalho.

Quem também ficou muito cedo fora de prova foi o líder do Nacional de Ralis Bruno Magalhães que viu o motor do seu Peugeot 207 S2000 “entregar a alma ao criador” na quarta especial, e assim viu Vítor Pascoal (Peugeot 207 S200), que após conquistar os 15 pontos que estavam em disputa, ascender à liderança do campeonato. Mas não foi uma vitória fácil, é que “a jogar em casa” o regressado Ricardo Teodósio (Mitsubishi Lancer Evo 9) deu uma luta tremenda a Pascoal, e apenas deixou fugir a vitória nas especiais de Domingo. Pedro Rodrigues (piloto de Famalicão), que com o seu Subaru Impreza a funcionar na perfeição confirmou o lugar mais baixo do pódio. Com este resultado Rodrigues subiu à vice liderança do Campeonato Português de Ralis e à liderança na Produção. Já Jorge Carvalho (pai), que como se sabe navega “o senhor da RTP” João Fernando Ramos, foi o 10º melhor português (40ª da geral), o que tendo em atenção as limitações do pequeno Renault Clio e a extensão e dureza da prova não deixa de ser um grande resultado.

Em jeito de balanço resta dizer que a prova organizada pelo ACP, tirando um ou outro percalço sem grande significado, correu na perfeição e foi do inteiro agrado dos pilotos, como também recebeu nota bem positiva dos exigentes senhores da FIA.

Para a cobertura deste grande evento do Rally em Portugal, os colaboradores do jornal O Notícias da Trofa contaram com o especial apoio do Café Mirandinha, da Trofa.

 

Miguel Mascarenhas

Marco Monteiro