A explicação necessária 

     Pessoas amigas questionaram-me das razões pelas quais considerei que a estação do caminho-de-ferro seria uma boa localização, mas apontando-lhe exiguidade de espaço.

     Em verdade, nunca fui opositor de tal localização mas também nunca escondi a minha preferência pelo bairro da capela.

     Nunca escondi também que entendo que o espaço onde se realizou, durante décadas, a feira semanal, devia ser integrado no centro cívico por se tratar de local nobre e que não pode ficar sem sofrer consideráveis melhorias.

     A grande oposição à localização dos Paços do Concelho naquele espaço teve a ver com boatos de que a capela iria ser demolida, como se isso fosse possível, e que a Igreja, sua proprietária, nisso consentisse.

     Afonso PaixãoQuando se discute o destino de qualquer templo católico, não podemos esquecer-nos que pertencem à Igreja e só esta pode determinar o seu destino. Nem acredito que tal ideia tenha passado pela mente de quem quer que fosse.

     Também eu seria opositor a essa ideia por aquilo que a capela de Nossa Senhora das Dores representa para todos os trofenses e não só.

     A existência de construções ao longo da rua de D. Pedro V tem alguns adversários que preferem, e não discordo, que essas construções sejam transferidas para outro espaço dentro do quarteirão da serração. Talvez um ligeiro aumento de cérceas solucione a questão.

     Este local é o verdadeiro centro pelo que sempre representou para todos os trofenses e, agora, para o concelho. Por todas as razões já ditas e reditas a que acresce um factor a não ignorar: a maior proximidade a Santiago de Bougado, freguesia integrante da cidade.

     Quanto à estação do caminho-de-ferro, sempre considerei que é uma boa hipótese de localização: obedece aos critérios de centralidade urbana.

     Esta localização tem ainda problemas pendentes. Existe um estudo de urbanização, que nunca foi reprovado, que eu saiba, que prevê uma cedência de quatro mil metros quadrados para aquele quarteirão e existe um protocolo com a Refer que prevê, para esta entidade, a capacidade máxima de construção. O que existe, de momento, em concreto, são esses quatro mil metros quadrados. A menos que se preveja a integração dos projectos privados no estudo Municipal, não temos, de momento, outros terrenos.

     Obviamente, se a opção for pela estação, a Câmara Municipal terá que encontrar soluções técnicas para o assunto.

     O mais importante, de momento, é escolher a localização porque o projecto final estará sujeito, tal a sua importância, a escrutínio público e terá vicissitudes suficientes para ser sujeito às alterações necessárias até ficar um bom projecto.

     Continuo, assim, convencido da bondade da localização do Centro Cívico na zona da Capela. Penso que todos, de todas as freguesias, beneficiariam. 

Afonso Paixão