Os Portugueses são o terceiro povo mais infeliz da Europa, segundo um estudo recente da European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions, da Comissão Europeia.

O índice de felicidade para os portugueses situa-se nos 6,6 pontos, numa escala de 0 a 10. Atrás de Portugal apenas se encontram a Bulgária (5,8) e Macedónia (6,3). Os povos mais felizes são os dinamarqueses (8,5), suecos (8,3), finlandeses e noruegueses (ambos com 8,2). No índice de satisfação com a vida, Portugal apresenta o quinto pior resultado (6,2), a par da Turquia e apenas à frente da Bulgária, Macedónia, Hungria e Letónia. Portugal é também, a par de Itália e França, um dos três países da Zona Euro em que mais de metade dos inquiridos, diz estar pessimista quanto ao futuro.

Quanto ao nível de bem-estar dos portugueses, é dos mais baixos da Europa e a felicidade e satisfação com a vida não são características dos portugueses. O nível de desemprego, o acesso à saúde e à educação e a riqueza do país, são factores que levam os portugueses a serem dos menos felizes da Europa. Portugal é o país europeu, onde se sai mais tarde, de casa dos pais.

No terceiro Inquérito Social Europeu, houve a conclusão que o nível de bem-estar dos portugueses é um dos mais baixos no conjunto de 23 países europeus analisados. No que toca à felicidade e satisfação com a vida, só estamos à frente da Hungria, Rússia, Ucrânia e Bulgária. Além do nível de desemprego, o acesso à saúde e à educação e a riqueza do país, o indicador subjectivo do bem-estar, serviu para avaliar a qualidade de vida. Para a efectivação do referido Inquérito, foram inquiridas mais de duas mil pessoas, que tiveram de avaliar o seu bem-estar, a três níveis: subjectivo (felicidade e satisfação com a vida), psicológico (realização pessoal e controlo da vida) e social (sentimento de integração e ligação).

 Nos três níveis trabalhados, Portugal ficou sempre nos níveis mais baixos: em 19.º lugar no subjectivo, 16.º no psicológico e 15.º no social. Os países à frente, nestes indicadores, são invariavelmente do Norte e Centro da Europa, alternando a Dinamarca com a Suíça, a Suécia e a Finlândia. O nível do bem-estar, é a questão que mais preocupa, pois não é possível fazer gestão política apenas centrada nos aspectos económicos, é preciso entender muito bem que o nível de realização das pessoas e a participação em decisões, são dimensões do bem-estar.

No decorrer dos três inquéritos, Portugal afasta-se da média europeia. Quando foi perguntado sobre a idade ideal para sair de casa dos pais, 20 por cento dos europeus disseram que não é possível definir uma idade; em Portugal, este valor sobe para os 40 por cento. Para a média dos europeus, é tolerável viver em casa dos pais até aos 28 anos; em Portugal, a fasquia sobe para os 31 anos. Ambos são indicadores que revelam uma tolerância, em relação ao retardamento da saída de casa dos pais. Há uma sobrevalorização da família, como valor e de dependência financeira em relação à família. As percepções sociais, adaptaram-se aos condicionamentos da vida.

Será que somos tão infelizes e pouco crentes quanto ao futuro? Ou estas características são provocadas também porque somos o povo que tem o nível de bem-estar dos mais baixos da Europa? Somos infelizes e pouco satisfeitos com a vida ou estas características são provocadas também por quem tem tido, ao longo dos tempos, a responsabilidade de nos governar? É que se assim for, está em nós a mudança necessária, para que nos tornemos um dos Povos mais felizes do Mundo. É preciso acreditar e fazer por isso!?!

 

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt