“A decisão sobre completar a linha da Trofa há de ser feita em paridade de circunstâncias com os outros projetos de ampliação do metro do Porto”. Foi desta forma que o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, explicou como o Governo socialista vai gerir o processo da construção da extensão da linha do Metro desde o ISMAI à Trofa.
O assunto foi levado por Emília Santos, na audição do Orçamento de Estado. A deputada do Partido Social Democrata usou o protocolo assinado, a 30 de setembro de 2015, pela Metro do Porto, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) e os municípios da Maia e da Trofa, com a apresentação de um projeto “low cost”, ligando o ISMAI à estação do Muro, num investimento de cerca de 37 milhões de euros para questionar o ministro: “Pode, hoje e agora, garantir aos maiatos e aos trofenses se é desta que o prolongamento da linha do metro entre o ISMAI e a Trofa, ou em concreto o Muro, vai sair do papel? Qual o horizonte temporal que perspetiva para que este problema seja solucionado?”.
João Matos Fernandes respondeu que “o Governo não vai decidir porque dois ou três dias antes das eleições foi assinado um protocolo que fala da linha para a Trofa”. O governante referiu ainda que percebe “bem as queixas dos habitantes da Trofa”, acrescentando que “a decisão sobre completar a linha há de ser feita em paridade de circunstâncias com os outros projetos de ampliação do metro do Porto”, mostrando expectativa de os “candidatar ao plano Juncker no próximo ano”.
A posição do ministro não agradou aos sociais-democratas que, através de um comunicado da comissão distrital do Porto, consideraram “lamentável que o atual Governo molde as suas decisões com base numa perturbadora mesquinhez partidária, numa evidente governação de caráter ideológico, capaz de comprometer injustamente os interesses das populações”. Para Virgílio Macedo, esta “é uma decisão inexplicável e injustificável só entendida pelo facto das autarquias em questão serem presididas por autarcas do PSD”. Emília Santos também reagiu: “Onde reside o respeito pela população e pelos autarcas legitimamente eleitos, que celebraram um acordo, onde se predispõem a alocar verbas para a realização de uma obra que se arrasta há 14 anos?”.

Passos Coelho não tinha o projeto “em cima da mesa”
No entanto, o que acontece é que a linha da Trofa mantém-se sem carácter prioritário para a administração central, à semelhança do que acontecia ainda antes das eleições e que foi declarado pelo então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Em visita à Trofa, o ex-governante social-democrata disse ao NT e à TrofaTv que o projeto “não estava em cima da mesa”.
E quanto ao protocolo assinado pelas autarquias, Metro do Porto e CCDR-N, a última também já fez saber, através do vice-presidente Carlos Neves, que não passava de “um memorando de interesse”, tendo em conta que no documento é manifestada a intenção de candidatar a obra a fundos comunitários e a Comissão Europeia já fez saber que a obra não é prioritária. E sem a participação da Comissão Europeia, diz Carlos Neves, não “há garantias” que a obra avance até porque “não há um modelo de financiamento estabelecido”.
A extensão da Linha Verde do ISMAI até à Trofa é a única da primeira fase da rede do metro da Área Metropolitana do Porto que ainda não está concluída. Na Trofa, os carris foram retirados há 14 anos com a promessa governamental de que o metro se seguiria, em breve, trazendo inovação e qualidade de vida. Até hoje, só tinta correu sobre o assunto. A obra, essa, nem vê-la.