No passado dia 22 de Janeiro, os Portugueses escolheram um novo Presidente da República.

Depois de dez anos de mandato do Presidente Jorge Sampaio, marcado por altos e baixos, os Portugueses, com a sua sabedoria, escolheram o Chefe de Estado para os próximos cinco anos.

joaosa.jpgO acto eleitoral fica marcado, do meu ponto de vista, por dois aspectos que, embora por razões distintas, cruzam indelevelmente toda e qualquer análise política que possa ser equacionada – a grande vitória do Prof. Cavaco Silva e a excelente votação do deputado Manuel Alegre.

Cavaco Silva venceu conforme se esperava. Venceu porque era o melhor candidato; venceu porque realizou a melhor campanha; venceu porque conseguiu transmitir uma mensagem de esperança e optimismo aos portugueses; venceu porque foi o único que procurou discutir ideias e projectos; venceu porque não foi candidato contra ninguém e, finalmente, venceu porque se apresentou como candidato suprapartidário, não colado nem dependente de nenhum partido político, embora sempre apoiado pelo PSD e pelo CDS/PP.

Manuel Alegre teve uma excelente votação e relegou Mário Soares para uma humilhante 3ª posição com escassos 14% dos votos. Para uma pessoa que foi Presidente da República 10 anos e que conseguiu votações acima de 60%, este resultado é catastrófico. O resultado de Mário Soares deve fazer-nos reflectir sobre a necessidade de perceber qual é o nosso tempo, de sabermos sair no momento oportuno, de não subestimarmos a capacidade crítica dos eleitores e, acima de tudo, de não pensarmos que, num Município, no Governo ou na Presidência da República, somos os donos dos votos de quem quer que seja.

Mas voltemos a Manuel Alegre. Hostilizado pelo seu partido de sempre, Manuel Alegre apresentou-se, não apoiado por nenhum partido, ensaiando um movimento cívico suprapartidário que o conduziu a uma votação muito expressiva – acima dos 20%.

Que têm em comum Manuel Alegre e Cavaco Silva?

A circunstância de terem sido os únicos candidatos que se apresentaram com cariz suprapartidário e que, no conjunto, alcançaram mais de 70 % dos votos dos Portugueses.

Este facto conduz-nos, claramente, para a problemática da falta de credibilidade dos partidos políticos aos olhos dos Portugueses e da vantagem eleitoral que hoje claramente transporta, qualquer candidatura que se assuma acima das querelas partidárias.

Este aspecto é contudo extremamente perigoso. Embora a democracia não se esgote nos partidos políticos, eles são essenciais à sua consolidação.

É, por isso, essencial que os dirigentes políticos alterem procedimentos, permitam a abertura dos partidos à sociedade civil e não usem os partidos como fonte de poder pelo poder.

As pessoas movem-se e mobilizam-se por causas. Em 1998, os Trofenses mobilizaram-se numa batalha, a luta por uma causa, com arrojo, coragem e determinação.

Demos, com isso, uma grande lição a Portugal. Fomos admirados por muitos milhares de pessoas por nos batermos pela nossa terra, por atingirmos um objectivo de gerações.

Sete anos volvidos, parece restar muito pouco desse movimento. É muito importante que nos voltemos a sentir representados por autarcas, dirigentes políticos e líderes de opinião.

Essa é uma tarefa fundamental para o nosso concelho e, por maioria de razão, para o nosso país. As eleições presidenciais e o seu resultado devem fazer-nos reflectir verdadeiramente sobre isso.

 

João Moura de Sá

Economista