lar-joaquim-ribeiro A nova valência de creche do Centro Paroquial de S. Martinho de Bougado será construída na parte inferior do edifício do Lar Padre Joaquim Ribeiro e terá capacidade para 52 crianças. Em entrevista ao NT, Júlio Maia e Margarida Calado, da direcção do Lar, falaram do balanço “muito positivo” da actividade da instituição, cujo número de utentes irá aumentar em breve, no âmbito do aumento do protocolo com a Segurança Social.

 Uma das lacunas na área do apoio à infância no concelho da Trofa vai ser colmatada em breve com a construção da creche do Centro Paroquial de S. Martinho de Bougado, que vai ficar instalada no edifício do Lar Padre Joaquim Ribeiro. “Estamos convencidos de que em Fevereiro ou início de Março teremos autorização para arrancar com as obras”, garantiu Júlio Maia, vice-presidente da Direcção. As datas previstas para o início das obras de construção da creche eram, segundo o responsável, inicialmente outras, mas as burocracias inerentes ao projecto têm atrasado o arranque efectivo. A nova valência, cujo projecto foi aprovado no âmbito do Programa Pares III (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais), será gerida pela Direcção do Lar Padre Joaquim Ribeiro e será construída nas instalações da parte inferior do edifício do Lar. “Se em Março começarmos com as obras, até Junho ou Julho estarão prontas, e em princípio em Setembro a creche abre”, adiantou Júlio Maia. As inscrições para a creche vão começar a ser recebidas em meados ou finais de Março, segundo o responsável, que adiantou que a nova valência terá uma capacidade para 52 crianças, dos 0 aos 3 anos, essencialmente dirigida a crianças da freguesia de S. Martinho de Bougado. A abertura da creche irá ainda gerir empregos com a contratação de pessoal técnico especializado. No total serão admitidas 12 pessoas, como educadoras de infância, auxiliares de educação e auxiliares de limpeza. Orçada em 317 mil euros, a creche será constituída por dois berçários, dos 3 aos 12 meses, uma sala de actividades dos 12 aos 24 meses e uma outra sala, dos 24 aos 36 meses.

Júlio Maia, vice-presidente, e Margarida Calado, secretária da direcção, adiantaram ainda que após a construção e o respectivo funcionamento da creche, o próximo projecto a ser analisado é a criação de um jardim-de-infância, para crianças dos 3 aos 6 anos, garantindo assim a continuação do acolhimento das crianças, depois dos 3 anos de idade, já integradas na creche do Lar.

Relativamente ao apoio domiciliário, o alvará já existe mas a valência ainda não está em funcionamento, facto que Margarida Calado justificou com a prioridade da abertura da creche. “Vamos estar muito ocupados com essa actividade e não queremos misturar a abertura da creche, que tem de ser durante este ano, com o apoio domiciliário, que vai implicar a admissão de mais pessoal e de mais viaturas”, explicou.

 

Número de utentes vai aumentar

 Inaugurado no dia 2 de Junho de 2007, o Lar Padre Joaquim acolhe actualmente 44 utentes, envolvendo as valências do lar e do centro de dia. Margarida Calado considera o balanço dos dois últimos anos “muito positivo, na medida em que foi possível integrar um número considerável de utentes” desde a sua abertura. “Começámos com dois utentes e hoje já temos 30 pessoas em lar e 14 em centro de dia”, afirmou. Com o aumento do protocolo com a Segurança Social previsto para Março, a capacidade do número de utentes irá aumentar para ambas a valências. De acordo com números avançados por Margarida Calado e Júlio Maia, o número de utentes do lar irá aumentar para 35 e, em relação ao centro de dia, os actuais 14 utentes passarão para 18, embora aquela valência tenha uma capacidade para 60 pessoas. Júlio Maia lamentou a pouca adesão das pessoas ao centro de dia e apelou à população para visitar as instalações do centro para trocar impressões com os utentes que dele usufruem. “Nós temos capacidade para 60 utentes do centro de dia, mas temos apenas 14, dos quais meia dúzia é da freguesia e o resto é de fora”, lamentou.

Sobre o protocolo com a Segurança Social, “se for aprovado, será muito favorável para os utentes, principalmente do centro de dia, porque com a comparticipação, a mensalidade será-lhes reduzida para 30 por cento do valor da pensão de reforma, o que equivale a que possam vir a pagar menos de metade daquilo que estão a pagar agora”, explicou Margarida Calado.

De acordo com os responsáveis, na lista de espera do Lar figura “alguma procura”. “Fora do concelho temos tido muita procura para internamento, mas do concelho e mesmo da freguesia de S. Martinho de Bougado há muito pouca procura”, revelou Júlio Maia que, ao avaliar os números das solicitações, considerou que os lares existentes na freguesia de S. Martinho de Bougado “são suficientes”. No que concerne ao processo de admissão dos utentes, Margarida Calado sublinhou que “é feita distinção em relação às pessoas de S. Martinho, que têm prioridade relativamente a todas as outras que são de fora”, algo que “permite favorecer as próprias pessoas que durante a sua vida ajudaram na construção do Lar”.

 

Liga dos Amigos “pouco dinamizada”

 

A construção do Lar Padre Joaquim Ribeiro, iniciada em 1992, resulta de um investimento de 1750 mil euros, tendo sido assegurada por verbas provenientes da Segurança Social, da Câmara Municipal da Trofa e ainda pela venda de um terreno doado à Igreja, bem como pelos fundos angariados pelos sorteios e os peditórios na Igreja. De acordo com Júlio Maia, a situação financeira do Lar, que inicialmente arrancou com muitos constrangimentos financeiros, está agora estabilizada. “Neste momento está tudo pago, o que se deve é pouca coisa”, assegurou. Margarida Calado sublinhou que uma boa gestão do Lar é imprescindível, porque trata-se de “uma instituição com muitos funcionários e muitas despesas”, sendo o custo real de cada utente para o lar de 1193 euros por mês. Segundo a responsável, é objectivo da instituição aumentar a comparticipação da Segurança Social para a totalidade dos utentes, na medida em que neste momento apenas 16 dos 30 utentes têm a comparticipação assegurada.

Questionada sobre a Liga dos Amigos do Lar, que conta actualmente com o apoio de pouco mais de 100 sócios, Margarida Calado avançou que esta “está pouca dinamizada, porque os paroquianos não estão a aderir muito”. Já Júlio Maia afirmou que “mesmo o pagamento das quotas tem baixado bastante”. “Para uma freguesia que tem cerca de 20 mil habitantes, se houvesse no mínimo 1000 sócios, não seria nada de especial, mas infelizmente não os temos”, lamentou.