No sábado à noite JP Simões foi até Famalicão com a sua banda alargada para dar um excelente concerto a todos aqueles que elegeram como programa da noite de fim-de-semana a passagem pelo agradável espaço da Casa das Artes. Cantor, letrista, compositor, muito elogiado pela crítica e apreciado pelos fãs, JP Simões não desiludiu na sua passagem pelo Norte, inserida no trabalho de promoção do seu terceiro álbum a solo, Roma. Editado em 2013 e já merecedor de excelentes críticas, o trabalho do cantautor foi classificado como o sexto melhor disco de produção lusa pela revista Blitz na eleição dos melhores do ano. O disco viaja por territórios tão variados como o afro-beat, o glam rock, o samba, e o jazz. A energia e o lirismo que conhecemos de outros projetos de JP Simões estão também presentes, e a eles se junta uma procura de sonoridades e uma exploração de géneros musicais, que são apenas o reflexo da curiosidade artística de JP Simões.

Uma audiência simpática e entusiasmada, escutou ao longo de quase duas horas todos os temos do novo trabalho Roma(O Português Voador, Rio-me de Janeiro, Gosto de me Drogar, O Criador e a Criatura, Samba Radioactivo, etc), havendo ainda tempo para escutar outras músicas, como O Passageiro Mágico, Eleanor Rigby e Rubaiyat. Uma noite exuberante de JP Simões, com muito humor e crítica social, política e cultural à mistura. O artista, além da excelente musicalidade que nos ofereceu, foi-nos contando histórias e ilustrando situações de relativa pertinência social. A importância e o tempo de antena dados pelo cantar à palavra foram tais, que momentos houveram que nos pareceram que as histórias estavam a ser intercaladas pelas melodias, e não o oposto. Além da excelente performance musical de Simões e da banda completa (uma mini-orquestra absolutamente notável), destaque ainda para o lindíssimo espetáculo multimédia, totalmente ilustrado ao vivo e em tela pelo artista plástico Luís Lázaro.

JP Simões nasceu em Coimbra em 1970 e estudou jornalismo, música e línguas. Na cena musical esteve ligado a bandas como Pop Dell’Arte, Belle Chase Hotel e Quinteto Tati. Artista polivalente, tem escrito contos, letras para músicas e argumentos para cinema, além de participar como actor e músico em filmes e ter assinado bandas sonoras. Em 2007 estreou-se a solo, com o álbum 1970. Dois anos mais tarde editou o segundo trabalho de estúdio Boato. No ano passado surgiu este Roma, com o qual o músico tem andado em tournée.

Músicos acompanhantes

JP Simões: Voz e Violão
Luanda Cozetti: Voz
Luís Lázaro: Video Art
Norton Daiello: Baixo e Contrabaixo
Tomás Pimentel: Piano, Trompete e Fliscorne
Gabriel Godói: Violão de sete cordas e Guitarra Eléctrica
Ruca Rebordão: Percussões
José Salgueiro: Bateria
Tércio Borges: Cavaquinho
Jorge Reis: Saxofone Alto e Soprano

Texto: Joana Teixeira

Fotos: Miguel Pereira

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