Bill Callahan apresentou-se na Casa da Música acompanhado de Matt Kinsey, Jaime Zuverva e Adam Jones, perante uma sala repleta com uma audiência ávida de escutar a genialidade do norte-americano. 

Sempre de pé (excepção feita por breves minutos no decorrer da longa Please Send me Someone to Love), de pernas ligeiramente abertas e corpo quase imóvel, que por vezes apenas ondula muito suavemente, Bill esteve o tempo todo ladeado dos três músicos sentados. A atuação e a postura de Callahan transmitem serenidade, e uma certa conformidade. Os sons dos instrumentos tocados em palco e a voz do norte-americano contribuem para elevar tal estado para o nível do conforto imaginário. Durante o concerto foi possível fechar os olhos e deixar mente e alma serem embaladas pelas melodias tocadas e cantadas no palco, fazendo breves viagens pelos mundos dos sonhos, onde tudo é calma, tranquilidade e beleza. De olhos bem abertos, pudemos admirar, ao longo de todo o concerto, as belas imagens projectadas na enorme tela colocada atrás dos músicos. 

Do mais recente álbum, Dream River, escutamos The Sing, Javelin Unlanding, Small Plane, Winter Road, Ride my Arrow eSeagull. Houve ainda oportunidade de ouvir Spring, Diver, Dress Sexy at my Funeral, Too Many Birds, entre outras. Na versão de Please Send Me Someone To Love o público assistiu atento à imensa passagem pelos terrenos da pecularidade musical de Callahan. Uma versão longa onde o instrumental é de tal modo rei, que a certa altura nos distraímos, e mais tarde só percebemos que ainda está a ser tocado o mesmo tema porque o refrão regressa aos nossos ouvidos. A dada altura, já mais à frente, um breve momento de humor com recurso ao prato nacional de eleição levou Callahan a cantarAnother dinner of bacalhau, the saltiest of fish, quite delicious…. Depois da saída de palco, ao fim de quase duas horas de concerto, o público insistiu nas palmas que pediam o encore, e Callahan voltou para tocar e cantar Rock Bottom Riser, encerrando mais um lindíssimo concerto em Portugal. 

Na sua tournée, Bill Callahan, tem-se feito acompanhar pelo projecto Circuit des Yeux de Haley Fohr. Melancolia levada a um extremo de criação de ambientes sonoros sombrios é o terreno de eleição em que se mexe Haley. A voz é forte e repleta de personalidade, sendo que quem a escuta não consegue ficar indiferente. Os aplausos no final da sua breve actuação eram de recetivo entusiasmo.  

Texto: Joana Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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