“Será que vou aguentar a dureza do Caminho? Estarei à altura ser alguém precisar de mim?”. Foram muitas as dúvidas que passaram pela cabeça dos 35 jovens que se aventuraram em percorrer, a pé, 127 quilómetros, com um objetivo bem definido: chegar a Santiago de Compostela e conhecerem os seus próprios limites.
No primeiro dia, o grupo caminhou cerca de 38 quilómetros, apercebendo-se da dificuldade inerente à peregrinação, que leva milhares de pessoas à cidade espanhola. “Nesse dia percebemos o significado da palavra superação”, relataram os jovens no diário da viagem, cedido ao NT.
Apesar das dificuldades físicas, que não tardaram em aparecer, e mesmo com as condições meteorológicas instáveis, os jovens levantavam-se por volta das 4 e 5 horas da manhã e caminhavam mesmo antes do sol nascer. Ao longo dos dias foram várias as situações que os incitaram a continuar, dando-lhes ânimo e confiança para as subidas mais íngremes, como foi o caso de uma senhora austríaca, paraplégica, que andava há já 80 dias numa cadeira de rodas movida a pedais de mãos com o mesmo objetivo dos jovens, chegar à Catedral. “Numa subida, a senhora estava em francas dificuldades para conseguir subir. Quatro jovens do nosso grupo foram a correr em auxílio da senhora. São imagens que se guardarão para toda a vida”, contam.
Quando faltavam apenas nove quilómetros para chegarem ao destino, um dos membros do grupo sofreu uma rotura muscular na perna, tendo que ser levado ao colo, aos ombros e em “cadeira” pelos colegas, que demonstraram ao longo da viagem atitudes altruístas e de companheirismo. Os jovens admitem que o percurso feito até Santiago de Compostela contribui para o seu crescimento e trouxeram para casa a “Compostela” com o nome de cada um gravado em latim.