“Foi ponto de encontro de burriqueiros, curiosos da espécie asinina e de ambientalistas” e levou uma multidão ao Coronado. A ideia, surgida em 2014, levou a que a Associação para a Proteção do Vale do Coronado (APVC) e a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), desenvolvessem o “gosto” de “dignificar e revalorizar” o Burro, através de um evento como a ZURRA.
Para Vítor Sá, elemento da APVC, a adesão das pessoas ao certame foi “ assinalável”, demonstrando a preocupação da sociedade relativamente à sustentabilidade e a questões ambientais. Como seria de esperar, os protagonistas da festa foram os oito burros presentes, que fizeram as delícias de miúdos e graúdos, com as caminhadas pelas ruas do Coronado.
O objetivo da ZURRA passou por aliciar à proteção da raça asinina, espécie em vias de extinção, mas também por incentivar os mais jovens a respeitar os animais e o ambiente. “Nós tentamos fazer esta sensibilização de educação ambiental sem esquecer o respeito pelos animais. É importante que desde pequenino haja respeito pelos animais”, apontou Vítor Sá.

As bandas 61, Concertinas Rock, D’Alba, Sonoris Causa e ainda a atuação surpresa dos Naifas, banda mítica do Coronado que se reuniu propositadamente para actuar na ZURRA, depois de cerca de 15 anos de paragem, trouxeram muita animação à festa e a todos os presentes. Contudo, a música não foi a única a entreter, a arte, a literatura, as oficinas dedicadas a expansão do conhecimento sobre a raça asinina e as associações de cariz, ambiental e cultural ergueram e valorizaram o evento.
Segundo Vítor Sá, a Festa do Burro é a prova de que se pode organizar um evento em que “a sustentabilidade é bandeira”, com o apoio de diversos voluntários, sem apoios institucionais, exceptuando a cooperação da Junta de Freguesia do Coronado e com escassos recursos financeiros.