Jovens artistas deram “vida” à música clássica, num recital de contra-baixo. O objectivo é prepararem-se para a prova que vão “enfrentar” no final do ano lectivo.

Quase não existiam lugares sentados no teatro Alves da Cunha, da Casa do Futebol Clube do Porto, na Trofa, ao final da tarde de sábado. Dezenas de pessoas fizeram silêncio e escutaram as interpretações de temas de referência da música clássica, protagonizadas por duas jovens instrumentistas. Os dedos de Vanessa Lima e Ângela Alves percorriam as cordas do contra-baixo, ao mesmo tempo que moviam o arco com mestria, para agrado de todos.

Finalistas na escola profissional Artave, as duas jovens, de 17 anos, vão ter de realizar um recital, onde serão avaliadas por um júri: “A ideia de organizar o recital partiu das duas, porque mais tarde temos de fazer algo semelhante e desta forma vamo-nos habituando ao ambiente”, explicou Ângela.

Mas a tarefa de actuar sozinhas em cima do palco com muitas caras conhecidas na plateia não se afigurou fácil. “Podia ter corrido melhor, mas é muita pressão sobre nós e começamos a ficar nervosas. Quando chegamos ao palco, não damos tudo o que temos trabalhado até agora”, confessou Vanessa Lima que também faz parte da Banda de Música e da Orquestra Sinfónica da Trofa.

As duas amigas defendem que “deviam existir mais iniciativas destas na Trofa”. A mesma opinião tem o maestro Luís Campos, que assumiu recentemente a direcção artística da Banda de Música, já que atesta que “na Trofa há pouco bairrismo”. Natural de Paços de Ferreira, o jovem maestro tem “a sensação de que as pessoas acompanham pouco a Banda” e isso reflectiu-se na iniciativa daquela tarde. “A música clássica está muito pouco divulgada e as obras a solo menos ainda. Em Portugal liga-se mais ao futebol e menos às artes”, evidenciou. Luís Campos fez ainda questão de frisar que este foi um recital de “duas grandes solistas”.

No público estavam amigos, familiares e o vereador da Cultura da Câmara Municipal, Assis Serra Neves, que considerou o concerto “bonito”. “Devemos apoiar os jovens e estas iniciativas, até porque este era um programa com qualidade para ser realizado a nível concelhio”, afirmou.