Um incêndio numa habitação junto à Estrada Nacional 104, pôs a vida de um jovem em perigo, na quinta-feira.

José Miguel, que fará 18 anos em julho, quase não anda, foi deixado sozinho em casa e sofreu queimaduras graves. “Já tinha avisado muitas vezes que o miúdo ficava sempre sozinho em casa. Isto foi um perigo para o miúdo, já sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, isto acabaria por acontecer.” Estas eram as palavras da revolta da maioria das pessoas que se encontravam na Rua Marquês Pombal, na Esprela.

Um incêndio, que deflagrou numa habitação, pelas 19.25 horas de quinta-feira, no dia 16 de fevereiro, pôs em perigo a vida de um jovem. José Miguel, que fará 18 anos em julho, é autista, tem problemas de locomoção e terá ficado sozinho em casa. O alerta foi dado por uma vizinha, que ao avistar o fumo que saía de casa, contactou de imediato os Bombeiros Voluntários da Trofa (BVT).

Quando chegaram ao local, foram mesmo os soldados da paz que retiraram o rapaz do interior da habitação em chamas mas não foram a tempo de o poupar das graves queimaduras de segundo e terceiro grau que sofreu nos pés, nas mãos e na face. Carlos Martins, que estava perto do local, foi o primeiro bombeiro a chegar. Contactado por um familiar, que o alertou para o facto de na habitação poder estar um jovem, o bombeiro ligou de imediato para a central dos BVT, para saber se os elementos já estariam a chegar. Tendo recebido uma resposta positiva, dirigiu-se para a habitação. “A minha missão foi arrombar a porta, para me certificar se o miúdo estaria lá dentro. Entretanto o meu colega (Simão Veloso) chegou e juntos conseguimos tirálo a tempo”, informou Carlos Martins.

Simão Veloso asseverou que tiveram que o tirar pela janela, depois de removerem vários sacos de lixo, que aí se encontravam. “Tentei remover outro saco, que me estava a obstruir ainda a visão, e pus a mão lá dentro, para saber o que havia à volta, e foi aí que ouvi um gemido. Consegui detetá-lo e, com a ajuda do meu colega, conseguimos tirá-lo a tempo, pois, além de as chamas já se encontrarem muito próximas dele, o jovem tinha várias queimaduras pelo corpo”, contou. Segundo fonte do INEM, o jovem, com queimaduras na sua maioria de segundo grau, nos pés, face, mãos e anca, foi transportado para a Pediatria do Hospital de S. João no Porto, onde deu entrada em estado grave, com problemas respiratórios. Para os elementos dos Bombeiros Voluntários da Trofa, o lixo acumulado por toda a casa, foi a principal dificuldade do combate ao incêndio, pois dificultava o acesso à habitação.

“Encontramos bastantes sacos de tecido, desde o chão até ao telhado. O ataque ao fogo foi feito pela janela do quarto e só quando o telhado aluiu, é que conseguimos ter mais um acesso”, afirmou Joaquim Mendes, sub-chefe dos BVT. Segundo informações recolhidas no local, era frequente José Miguel ficar sozinho em casa. E, por essa razão, estava a ser acompanhado pelos Serviços Sociais da autarquia trofense e pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), desde 2003, e já em 2006 a mãe do jovem “decidiu impedir este acompanhamento”, tendo a Câmara Municipal “remetido este caso para o Tribunal de Santo Tirso”, afirmou Joana Lima, presidente da Câmara e responsável pela Proteção Civil Municipal que fez questão de se deslocar ao local do incêndio para acompanhar de perto a operação. “A Câmara Municipal irá dar conhecimento de tudo o que se passou às instâncias, que neste momento têm responsabilidades sobre o processo, para verem que efetivamente a criança não estava bem à guarda da mãe e que se podia ter feito algo mais para o bem da mãe e do jovem”, acrescentou.

No rescaldo do incêndio equacionou-se a demolição do resto da habitação, mas a Policia Judiciária não autorizou a demolição já que na sexta-feira de manhã esteve na casa a recolher indícios que ajudem a esclarecer as causas deste incêndio. 

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