O país já passou por muitas e variadas dificuldades ao longo da sua história, – guerras, peste negra, ditaduras, instabilidade política -, mas nada semelhante à atual crise que os portugueses estão a viver, nesta segunda década do século XXI. Mais de um milhão de portugueses, vive uma vida sem precedentes. A taxa de desemprego em Portugal continua, imparável, a bater recordes.

Os números, avançados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), são “arrepiantes”, surpreendem pela negativa e excedem tudo quanto era expectável. A taxa de desemprego já ultrapassa os 14% e “bateu à porta” de 771 mil pessoas. Desde o final do ano, que ainda há pouco findou, até ao momento, esta taxa representa um acréscimo de quase 12%. Um acréscimo muito significativo em tão pouco espaço de tempo.

Esta subida da taxa do desemprego, nos últimos 3 meses, foi a subida trimestral mais acentuada de que há memória. A realidade não pode, nem deve, ser escamoteada. Provavelmente, esta subida é reflexo da atual recessão económica provocada pelas medidas de austeridade que estão a ser aplicadas no país, em troca de muitos milhões de euros que tivemos de pedir emprestados. A atual situação, que o país está a viver, também está a provar que a recessão está a ter um impacto muito negativo no mercado de trabalho.

Portugal, só no ano passado, perdeu 213,4 mil empregos O país perdeu em pouco mais de três anos mais de 400 mil postos de trabalho. A situação é grave e tende a agravar-se ainda mais, nos próximos tempos. A economia estagnada não pode criar emprego e com a recessão esperada para este ano, advinha-se a continuação da eliminação de postos de trabalho.

Neste momento, a taxa real de desemprego, no sentido mais lato, está perto dos 23%. Contabilizando os 190 mil subempregados, os cerca de 203 mil inativos disponíveis, os mais de 83 mil inativos desencorajados (que estavam aptos mas não fizeram diligências para encontrar emprego), mais os 771 mil inscritos nos centros de emprego, o desemprego já atinge mais de 1,2 milhões de pessoas.

Perante a mutação constante da sociedade e as grandes transformações tecnológicas, quanto mais tempo as pessoas estão no desemprego mais difícil é o regresso ao mundo laboral. A taxa de desemprego de longa duração (mais de 25 meses) atingiu os 7,4%. São já quase 250 mil pessoas que estão à procura de trabalho há mais de 2 anos. São, em muitos casos, pessoas com idade acima de 45 anos e que terão enorme dificuldade em regressar ao mercado de trabalho.

Também os jovens estão numa situação calamitosa, o mercado está fechado para os mais novos que procuram o primeiro emprego. A taxa de desemprego dos 15 aos 24 anos já ultrapassou os 35% e é a taxa que mais tem aumentado nos últimos tempos. Há 156 mil jovens sem trabalho. Os jovens licenciados desempregados são já mais de 108 mil. O país fez um esforço violento para formar os seus jovens para depois “empurrá-los” para o desemprego. São desaproveitados!

Para combater esta calamidade nacional, que é o desemprego, não bastam palavras bonitas. São precisas políticas não conformistas com as medidas recessivas impostas pela «troika», ou seja, políticas concretas de crescimento da economia. É preciso fazer a economia crescer. O desemprego em Portugal é mesmo uma calamidade nacional que é preciso atacar. O tempo urge!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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