Amigas de Sara felizes com a descoberta

A Polícia Judiciária anunciou na semana passada ter encontrado Sara Reis, a menor que tinha desaparecido de Alvarelhos, Trofa, a 22 de Fevereiro de 2007, alegadamente aliciada por uma amiga que conheceu na equipa de futsal onde jogava.

 

“Com satisfação”. Foi desta forma que as colegas de equipa de Sara Reis, rapariga que desapareceu a 22 de Fevereiro de Alvarelhos, receberam a notícia do aparecimento da jovem na semana passada. Prestes a completar 18 anos, Sara desapareceu em 2007, deixando família e amigos sem qualquer indicação do seu paradeiro. Para trás deixou o 10º ano de escolaridade, na Escola Secundária da Trofa e a paixão pelo desporto, que alimentava na equipa feminina do Grupo Cultural e Recreativo de Alvarelhos, onde era guarda-redes.

Laura Azevedo, capitã de equipa, conhece Sara “desde pequenina” por morarem relativamente perto uma da outra e definiu a jovem como sendo “alegre e apaixonada pelo desporto”. A relação entre elas e o resto das colegas fortaleceu-se com os treinos e o convívio de um grupo que “sempre foi unido”.

“No início a Sara estava sempre na sua e não se relacionava muito, mas com o tempo começou a integrar-se no grupo e a entrar nas brincadeiras, tornando-se uma pessoa muito sociável que falava de tudo”, afirmou a jogadora, em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

A alteração do comportamento de Sara começou, segundo Laura Azevedo, “a partir do momento em que se começou a relacionar com uma rapariga que veio jogar para a equipa e que era de fora”.

As colegas começaram a notar a jovem “a afastar-se” e a evitar o relacionamento com o grupo. “A Sara e a outra jogadora isolavam-se muito e foi a partir daí que começámos a perceber algumas coisas”, que, na opinião de Laura, estiveram na origem do desaparecimento, que mesmo assim foi encarado com “admiração”.

A capitã de equipa não duvida que a decisão para o desaparecimento está relacionado com a amizade com a outra rapariga, com cerca de 26 anos, natural de Lisboa, que veio morar para o Norte, onde trabalhava como motorista de uma empresa de transportes públicos.

A notícia do aparecimento foi recebida com “alegria e satisfação” por todo o grupo que não deixou de afirmar que “as portas estão abertas”, caso Sara queira regressar.

Em entrevista dada ao NT, pouco tempo depois do desaparecimento da jovem, os pais de Sara afirmaram que terão começado a notar “alguns comportamentos estranhos” da filha “desde que começou a amizade com uma rapariga mais velha” e com quem jogava futsal. “Começou a ter uma má relação connosco, andava triste e distanciou-se de todos”, afirmou Augusto Reis.

Depois de várias desavenças e situações que a família acredita terem sido “montadas pela suposta amiga”, Sara Reis aproveitou uma visita de estudo para tentar fugir, mas o pai terá sido avisado e conseguiu impedir os seus intentos. Ainda no mesmo dia, 22 de Fevereiro de 2007, e a poucos de completar 16 anos, Sara acabaria por desaparecer de sua casa, onde o pai a tinha deixado ainda de manhã, levando consigo algumas roupas e objectos pessoais.

O único indício da filha depois do desaparecimento foi uma carta enviada por ela dias depois de uma reportagem que um diário publicou sobre a família. O facto foi noticiado várias vezes e a família fez vários apelos para que a jovem voltasse para casa o que nunca aconteceu.

Sara Reis foi encontrada pela Polícia Judiciária, na passada quinta-feira, em Lisboa, onde esteve “sempre na companhia de uma amiga, não havendo indícios de que tenha sido vítima de qualquer crime” refere a PJ. A menor encontra-se, actualmente, numa instituição social de acolhimento e segundo o NT conseguiu apurar, ainda não terá regressado a sua casa, em Alvarelhos, mas terá já falado como pai, Augusto Reis que contactado pelo NT preferiu não comentar para já o aparecimento da filha pois teme que “isso possa afastar ainda mais a filha da família”.