A variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, mais conhecida como a “doença das vacas loucas”, fez a segunda vítima mortal em Portugal, novamente em Vila Nova de Famalicão. Sara Patrícia tinha 16 anos e faleceu na passada quinta-feira, depois de ter entrado em paragem cardio-respiratória e das tentativas de reanimação do INEM nada terem valido. A morte de Sara foi anunciada em comunicado do director-geral da Saúde, Francisco George, que esclareceu que “estão a ser observadas todas as normas nacionais e europeias previstas para estas situações”, acrescentando que “este é o segundo óbito registado em Portugal com diagnóstico de Creutzfeldt-Jakob, não havendo outros casos notificados até à presente data”.

Sara tinha 14 anos quando lhe foi diagnosticada, em Fevereiro de 2007, uma possível variante de Creutzfeldt-Jakob, sendo que o consumo de carne de vaca contaminada com BSE (Encefalopatia Espongiforme Bovina) terá sido a causa da doença. Desde o diagnóstico, Sara permaneceu em estado “vegetativo”, acamada em casa dos pais, sendo durante este tempo acompanhada por uma equipa médica do Serviço Nacional de Saúde e técnicos da Segurança Social.

Os pais de Sara, que temem que mais alguém da família tenha sido infectado com a doença, vão aguardar os resultados da autópsia e ponderam se irão avançar ou não com uma queixa contra o Estado português. “Até conhecermos os resultados da autópsia não vamos processar ninguém, nem pedir qualquer indemnização, nem ao Estado nem a ninguém”, afirmou o pai, David Pereira.

A variante humana da doença de Creutzfeldt-Jakob já tinha feito uma primeira vítima mortal em Vila Nova de Famalicão, uma rapaz de 14 anos que faleceu em Julho de 2007, tendo a doença sido confirmada na autópsia.

O aparecimento de novos casos da versão humana da doença, mas em menor proporção do que no Reino Unido, é previsível, segundo um investigador português com vários estudos publicados em revistas internacionais sobre BSE. “Em Portugal é esperado, em princípio, o que aconteceu no Reino Unido, mas com uma magnitude 10 a 100 vezes menor”, disse à Agência Lusa Pedro Simas. O investigador justifica a estimativa com o número de animais infectados, que no Reino Unido foi 100 vezes maior, e tendo em conta a eficácia comprovada das medidas de protecção da saúde pública, porque “se tal não tivesse acontecido, apesar de haver menos animais, haveria maior exposição”.

Apesar do problema das vacas estar ultrapassado, porque a doença está extinta há vários anos, o problema é a duração do período de incubação, que é muito grande, sendo que os casos da variante da DCJ só apareceram no Reino Unido cerca de dez anos depois da BSE ter começado a surgir nos bovinos. De acordo com o investigador, é devido a esse longo período de incubação que só agora começaram a aparecer os primeiros casos humanos em Portugal.