É o único presidente de junta eleito pelo Partido Socialista no concelho da Trofa desde 2013 e pretende terminar o ciclo autárquico com os 12 anos de mandatos consecutivos a liderar os destinos da Junta de Freguesia do Coronado.

José Ferreira apresentou a candidatura com duas ações de campanha, a 11 de julho, uma no Largo de Feira Nova, em S. Mamede, e outra junto à estação ferroviária de S. Romão, e puxou dos pergaminhos, referindo que o Coronado é “a freguesia mais dinâmica” do concelho, ao promover – fora do contexto da Covid-19 – o Coronado ConVida e a Universidade Sénior e a receber “2500 caravanas”, no parque de assistência montado na Quinta de S. Romão. Além disso, e já em período pandémico, o candidato sublinhou o papel da Junta de Freguesia no apoio à população, nomeadamente a “distribuição de refeições a dezenas de famílias carenciadas” e o “transporte para os centros de vacinação”.
Quanto ao futuro, José Ferreira diz que há necessidades a colmatar na freguesia, que ainda não tiveram atenção política devido à falta de articulação com a Câmara Municipal, a quem acusa de “não honrar os compromissos”.
“O que me angustia é ter lugares onde moram muitas famílias e que têm acessibilidades em terra, quando há ruas que já foram requalificadas duas ou três vezes. A prioridade tem de ser para as ruas em terra e isso não acontece”, referiu o candidato socialista, que, quanto aos “investimentos de milhões”, diz não ser contra, discordando, porém, da forma como as obras estão a ser desenvolvidas. Um dos exemplos que deu foi o Largo de Feira Nova, requalificado à luz do projeto de construção da ciclovia, onde, diz, “já se sente a falta das árvores”.

“A Câmara entra na freguesia, faz qualquer obra e nunca dá satisfações à Junta de Freguesia. Isto é uma falta de respeito para com um órgão que foi eleito democraticamente e que representa a população, quer se goste ou não”.
José Ferreira discorreu muito mais sobre a falta de relação institucional com a Câmara Municipal, reclamando a falta de pagamento integral do subsídio de 120 mil euros que a Câmara Municipal aprovou para a construção da sede da Junta de S. Romão.
“No tempo do doutor Bernardino (Vasconcelos) foi paga uma parte, depois, a doutora Joana (Lima) pagou outra parte e ficaram a faltar 120 mil euros. Eu fui ter com o senhor presidente da Câmara para saber que forma é que encontrava para pagar esse valor e o que me disseram foi que ou abdicávamos de metade desse valor ou não nos davam dinheiro nenhum”, relatou, sem deixar de referir que outras juntas de freguesia, como Covelas e Alvarelhos, “construíram sedes e receberam o dinheiro todo”.
Depois de, inicialmente, ter “recusado” o acordo, José Ferreira assumiu que, “a dada altura”, aceitou, uma vez que necessitava de verbas para “acudir às muitas necessidades da freguesia”. “Transferiram 52 mil euros. O que eu peço à população é que, quando o presidente da Câmara vier visitar a freguesia, o questione sobre por que é que sonegou e retirou à nossa freguesia mais de 60 mil de um subsídio que foi aprovado na Câmara e na Assembleia Municipal”.
José Ferreira respondeu ainda às acusações de que tem sido alvo, relacionados com o protocolo de delegação de competências celebrado com a Câmara, que transfere, mensalmente, para a Junta de Freguesia. “Ele gosta muito de dizer que transfere 14 mil euros por mês, mas não diz que esse valor é o mesmo desde há 22 anos e agora imaginem o custo de vida hoje e de há 22 anos”, frisou o socialista, que assume que o subsídio “é insuficiente para as necessidades da freguesia”.
Apesar das desavenças políticas com o poder municipal, José Ferreira considera-se capaz de cumprir um último mandato sem desiludir os eleitores. Ele que é o único que mantém, desde 2013, o Coronado como bastião socialista, num concelho maioritariamente alinhado à direita.