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Edição 746

📹 José Fernando recandidata-se para segundo mandato no Muro

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É o presidente de Junta há menos tempo em funções no concelho da Trofa e quer continuar a gerir os destinos do Muro.

José Fernando apresenta-se às próximas eleições pela Coligação Unidos Pela Trofa e no anúncio oficial à população sublinhou que as obras realizadas este mandato “não foram de circunstância” e demonstram “estratégia e planeamento”.
A avenida junto à Igreja de S. Cristóvão, que “apresentava passeios intransitáveis com danos causados pelas raízes das árvores” é, segundo o candidato, testemunho dessa convicção. “Foi uma decisão difícil, mas estamos aqui para isso e não tenho dúvidas nenhumas que foi uma boa decisão. Hoje temos uma avenida requalificada e com árvores mais enquadradas com a envolvente”, frisou.
Outra “obra de relevo”, acrescentou, foram “os passeios da Carriça”, que conferiram “maior segurança numa das estradas mais movimentadas do País”.

José Fernando aproveitou ainda a ação de campanha para vestir, por momentos, o fato de presidente da Junta e convidar a população para a inauguração da obra de ampliação do cemitério, a 25 de julho. A valência conta, agora, com “76 campas”, das quais “48 já estão disponíveis para venda”.
A “requalificação da Agra da Cana” mereceu também o destaque do candidato, que explicou a demora da intervenção com a instalação da rede de abastecimento de gás natural. “Mais importante ainda, fica já via aberta para abastecer, no futuro, a Rua da Igreja, a Avenida de S. Cristóvão, o lugar de Matos e, posteriormente, a zona de Gueidãos”, anunciou.
Mas há outras pretensões para o futuro da freguesia, nomeadamente o “melhoramento das acessibilidades e reforço da segurança rodoviária” e o “circuito de manutenção física”, a iniciar “ainda antes do final deste mandato”.
José Fernando deixou para o fim “a grande luta” do Muro, ou seja, a construção da linha do Metro, que reiterou a exigência de que este chegue até ao lugar da Serra e não só até à antiga estação ferroviária, porque, “além de permitir a requalificação da linha em toda a extensão da freguesia do Muro, vai possibilitar um melhor acesso para quem vem de Alvarelhos e Guidões e da zona industrial de Lantemil”. “É também nossa missão assegurar uma ligação da Serra, por via de Vilares, até à estrada militar e daí estabelecer uma ligação alternativa da freguesia do Muro à variante da Nacional 14 e à estação de comboios de S. Romão (do Coronado), encurtando distâncias entre dois polos de mobilidade fundamentais”, acrescentou.
Com um mandato marcado pelas restrições provocadas pela pandemia, José Fernando referiu que a Covid-19 desviou o caminho do plano de atividades da freguesia e apresentou aos eleitos outras exigências, concretamente na ação social.
“Estivemos presentes junto de quem mais precisou, fosse com bens alimentares, fosse apenas com a cedência de um computador para que um aluno pudesse assistir às aulas a partir de casa, fosse com uma palavra de conforto naqueles momentos em que a vida nos parecia querer fugir”, revelou.
Elogiando o movimento associativo da freguesia, José Fernando diz que a porta da parceria continuará aberta, sendo que a cultura é um dos pilares do projeto político liderado pelo candidato. A “ambição” passa por fazer do Muro “a capital do teatro” no concelho, através da promoção de iniciativas que “promovam” a arte, aproveitando a “excelente sala de espetáculos que é o salão paroquial”.
“No próximo ano, iremos assinalar os 110 anos da sede da Junta de Freguesia, que outrora serviu de escola no tempo em que os rapazes eram separados das raparigas. É preciso contar esta história e será iniciativa deste executivo comemorar esta efeméride com várias iniciativas ao longo do ano”, revelou José Fernando, que anunciou ainda uma “requalificação do edifício”, que carece de apoio da Câmara Municipal.
José Fernando foi eleito pela primeira vez em 2017 pela coligação sustentada pelo PSD/CDS, substituindo uma lista independente.

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Pó dos arquivos: Em memória do Professor Cândido Padrão (de Santiago de Bougado)

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Não serão muitos os que ainda se recordam do senhor professor Cândido Padrão. Poucos serão, certamente, aqueles que com ele conviveram. Ainda menos os que sabem da homenagem prestada, no dia 30 de Novembro de 1947, em Areias (Santo Tirso), ao professor, “um professor exemplar, gozando de muita estima entre os colegas e a população dessa freguesia, impondo-se à consideração de todos pela nobreza do seu carácter e pelas suas qualidades de trabalho.”

Peço licença para, em sua memória, transcrever, no mês em que ocorre o 74.º aniversário do seu falecimento, a notícia, então, publicada.

“HOMENAGEM PÓSTUMA A UM PROESSOR PRIMÁRIO
Uma Comissão de antigos alunos do falecido professor Cândido Dias Moreira Padrão1 que, durante 35 anos, exerceu o magistério primário na escola de Fernando Pires de Lima, da freguesia de Areias, obteve autorização de Sua Excelência o sr. Ministro da Educação Nacional2 para a colocação do seu retrato no salão dessa escola, onde se encontram também os retratos do fundador e que foi professor da mesma, e de mais dois beneméritos.
Para tal fim, e em homenagem ao professor Padrão, celebrou-se pelas 10 horas do passado domingo uma missa pela sua alma e dos alunos falecidos, sendo muito concorrida.
Às 11 horas realizou-se no salão escolar uma sessão solene que foi presidida pelo sr. Presidente da Câmara deste Concelho, dr. Adriano Fernandes de Azevedo, ladeado pelo filho mais velho do homenageado, um membro da Comissão promotora Dr. Manuel Fontela, pároco da freguesia, Dr. Lima Carneiro, como representante do Grémio da Lavoura, Jaime de Sampaio, da Casa do Povo, delegados escolares de Santo Tirso e Famalicão, presidente da junta e mais individualidades.
Aberta a sessão, foram lidos diversos telegramas e cartas de antigos alunos e pessoas estranhas, que se associaram a esta homenagem, mas que, por motivos imprevistos, não puderam assistir.
Dada a palavra ao antigo aluno Dr. Domingos José Dias, coronel médico, S. Ex.ª, numa brilhante alocução, descreveu a acção do velho professor e salientou a orientação moral e pedagógica dirigida nesta escola e a conduta social seguida por este educador, exortando as crianças que também estavam presentes a não esquecerem a gratidão que deviam ao seu primeiro professor, ao primeiro que lhes abre os olhos da inteligência para o áspero caminho da vida.
Em seguida, o neto mais novo do homenageado, Hermano Manuel, descerrou o retrato do seu avô no meio de uma salva de palmas.
Seguiu-se no uso da palavra o antigo aluno Dr. Manuel Fontela que, com notável brilho oratório relembrou a vida escolar de outros tempos, focando o momento actual e pondo em relevo as qualidades do homenageado, como educador, como cidadão e chefe de família exemplar.
Em nome do professorado primário, falou o professor da Trofa, Hugo de Almeida, que numa oração cheia de poesia e ternura, exaltou aqueles que de alma e coração se devotaram ao nobre apostolado da instrução.
Por último, o filho mais velho do homenageado, professor aposentado Júlio Padrão, profundamente emocionado, agradeceu em nome da família a homenagem que foi prestada ao autor dos seus dias.
O sr. Presidente, antes de encerrar a sessão, teve palavras de alto apreço pelo acto que acabava de realizar-se, chamando a atenção para os educadores de hoje e animando-os a seguir-lhe o exemplo.
Todos os oradores foram muito ovacionados.
Assistiram a esta sessão as crianças das escolas masculina e feminina desta freguesia, os antigos alunos do homenageado, alguns dos quais se deslocaram de longes terras e muitas pessoas de representação dos arredores da vila de Santo Tirso e do vizinho concelho de Famalicão.”
(JORNAL DE SANTO THYRSO, 5 de Dezembro de 1947, Pág. 3)

1 Faleceu em 7 de Julho de 1947, no lugar da Lagoa, Santiago de Bougado, freguesia em que nascera.
2 Fernando Andrade Pires de Lima (1947-1955), natural de Santo Tirso
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Memórias e Histórias da Trofa: Terra de progresso

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Aproximava-se o término do ano de 1952 e comunidade trofense registava mais um momento fundamental para o seu progresso. A indústria dava os seus passos de gigante para consolidar a identidade de cidade progressiva, sendo que a atividade económica não se esgotava, simplesmente, no setor secundário, pois a agricultura demonstrava, igualmente, sinais de vitalidade.
Nesse momento da história, era inaugurado mais um posto de seleção de sementes da Federação Nacional dos Produtores de Trigo, esse projeto megalómano da agricultura nacional, que iria encerrar mais um marco da sua implementação naquele território.
Seguramente que os leitores já ouviram falar do velho celeiro, do equipamento onde se treinava ginástica com as cores do desaparecido “Ginásio da Trofa” ou até mesmo a Banda de Música ensaiava, que iria ser local dinamizador da comunidade.
No referido equipamento, em 1952, era inaugurado um posto de seleção das sementes, o 22.º na história da empresa, reforçando a importância estratégica daquele equipamento que, além de ser um simples local de armazenamento de cereais, seria também onde as sementes seriam escolhidas para existir melhor aproveitamento e rentabilidade do negócio agrícola.
Oito de novembro de 1952 foi a data da inauguração daquela nova valência, concretamente o novo posto de seleção mecânica de sementes de trigo e centeio.
O 22.º posto da FNPT destinava-se à seleção de sementes de trigo de diversas variedades: maia e malagueija, variedades estas mais comuns na extinta região administrativa denominada entre o Douro e Minho e também no Minho.
Numerosos lavradores estiveram presentes, não somente naturais da Trofa, mas também oriundos de Famalicão, Santo Tirso, Braga, Guimarães, Matosinhos, Vila do Conde, entre outros territórios, atestando que aquela melhoria não iria servir somente a Trofa, mas um grande número de lavradores de regiões a algumas dezenas de quilómetros.
A colocação de um equipamento agrícola que seria utilizado numa escala de âmbito extra-local é um sinal inequívoco da importância económica que aquela situação representava e uma constatação do vigor que apresentava o setor primário e não somente o setor secundário.
Escrevia-se no órgão de comunicação mensal da Federação Nacional dos Produtores de Trigo que a Trofa e o desenvolvimento eram sinónimos.
O referido equipamento agro-industrial era único entre Douro e Minho e tinha a capacidade de escolher por hora até os 700 quilos de semente.
Uma última curiosidade para a alusão do nome da máquina, que era batizada com o nome de Dr. João Antunes Guimarães, em homenagem a um dos maiores impulsionadores para a afirmação da campanha do trigo e que tinha falecido pouco tempo antes daquele momento histórico.
Por fim, a confirmação da evolução em mais que uma vertente da economia local, considerado na imprensa nacional como uma terra progressiva que teve o privilégio de ter sido o primeiro posto da escolha de sementes daquela instituição agrícola nacional. Reforçando a importância do antigo celeiro que não se resumia somente a ser um mero local de armazenagem, mas, um local fundamental para a maior rentabilidade agrícola com a seleção de todas as sementes a ser realizada ali naquelas instalações.

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