Jerónimo de Sousa esteve na Trofa e atacou medidas do Governo que são uma “declaração de guerra aos trabalhadores”. Já os comunistas locais criticaram as políticas desenvolvidas no concelho da Trofa.

Foi com um auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado repleto que Jerónimo de Sousa foi recebido para um comício do Partido Comunista Português. O secretário-geral do partido esteve na Trofa e atacou as medidas do atual Governo português, que “vão trazer um ano muito difícil para os trabalhadores”.

Perante as bandeiras vermelhas erguidas e os cravos, símbolo imortal da conquista do 25 de Abril, Ricardo Garcia, elemento da Comissão Concelhia do PCP Trofa atacou a atuação do executivo camarário PSD, que governou até 2009, e não deixou incólume o atual liderado pela socialista Joana Lima.

“O mais jovem concelho do País apanhou o vírus dessa criatura tricéfala que dá pelo nome de Bloco Central. Promiscuidade entre partido e câmara, gastos descontrolados e fúteis ou a falta de visão estratégica são alguns dos sintomas desta infeção. Claro que este percurso só podia ter um desfecho: o estado comatoso da pré-insolvência”. Responsáveis? “O PSD, principal responsável pela atual situação, parece querer passar por entre os pingos da chuva e o PS como segunda cabeça da criatura, esperou só pela autodestruição do PSD. O atual executivo está a mostrar não ter arte nem engenho para enfrentar uma situação tão adversa. A presidente mais parece uma administradora de insolvência que não é capaz de erguer a voz para exigir que o Governo cumpra os compromissos assumidos”.

O trofense também não deixou de enunciar o Livro Verde do Governo, saudando a luta iniciada pela comissão de Guidões para desmascarar as reivindicações desta reforma (administrativa), que é contra a fusão da freguesia.

Já Jaime Toga, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, referiu que os outros partidos (PS,PSD e CDS) “ignoram o que prometeram em pré-eleições”, com a “novidade” do Bloco de Esquerda “que cola cartazes na Trofa, mas que ninguém conhece uma proposta de resolução dos nossos problemas”. “É por isso, que nas campanhas eleitorais todos os partidos se mostram preocupados com os maus-cheiros emitidos pela Savinor, mas só o PCP apresentou propostas concretas para a resolução deste problema, salvaguardando os postos de trabalho”. “E a situação não está resolvida porque o anterior Governo PS e o atual do PSD/CDS não quiseram resolver”, acrescentou.

O comunista considera que o desenvolvimento da Trofa está refém do plano de austeridade. “Os partidos de política de direita não permitem a construção do metro, a construção do Centro de Saúde de Santiago de Bougado, a construção das variantes, argumentando com a necessidade de cumprir o memorando da Troika”.

O desemprego também não foi esquecido: “A Trofa está hoje afetada com este sério problema, diariamente agravado com encerramento de empresas, despedimentos de trabalhadores, numa espiral que atinge as mais emblemáticas empresas, como o caso atual das Máquinas Mida”.

O secretário-geral do PCP direcionou o seu discurso para o Governo de Pedro Passos Coelho, afirmando que o partido “não abdica dessa luta que é central para inverter o rumo de desastre que o País segue e criar as condições para criar um projeto alternativo de desenvolvimento que sirva os interesses dos trabalhadores”. “Esse ilegítimo pacto de agressão considera as medidas de austeridade para o povo, vendendo ao desbarato o património do País, para servir os senhores da alta finança e grupos monopolistas e que, a ser concretizada não apenas conduzirá ao agravamento brutal da vida dos trabalhadores e de outras camadas populares como condicionará o desenvolvimento do País por muitos e largos anos”, asseverou.

Jerónimo de Sousa alertou que a crise terá um “prolongamento indefinido” com estas medidas restritivas e que “em 2013, o ano do fim da crise para Paulo Portas, mais de um milhão e 300 mil trabalhadores estarão desempregados”.

O aumento em duas horas e meia por semana do horário de trabalho e a extinção de quatro feriados nacionais também mereceram a reprovação do líder comunista, que considerou esta medida como uma “autêntica declaração de guerra aos trabalhadores, à heroica luta de gerações com direito ao descanso, à família e a uma justa remuneração do trabalho”.

Jerónimo de Sousa apelidou ainda a Trofa como “terra de trabalho, de gente preocupada, mas combativa, que está disposta a andar para a frente com o partido”. O secretário-geral do PCP salientou ainda que este comício na Trofa é o “cumprimento de um compromisso feito há dois anos”. 

 

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