O Instituto de Droga e Toxicodependência abriu o concurso para o financiamento de projectos que integrem o Programa de Respostas Integradas (PRI), a serem desenvolvidos no território denominado “Trofa Urbana”, delimitado através de um diagnóstico realizado no âmbito do Plano Operacional de Respostas Integradas.

Os resultados do estudo foram apresentados no dia da abertura do concurso, na passada segunda-feira, no auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado.
 toxicodependencia.jpg
Perante alguns elementos de instituições locais, António Roque, director do Centro de Respostas Integradas do Porto Ocidental, e Paula Gonzalez, interlocutora da área de intervenção da plataforma Trofa-Santo Tirso, apresentaram o diagnóstico que identificou o território “Trofa Urbana”, composto pelas freguesias de S. Martinho e Santiago de Bougado, S. Mamede e S. Romão do Coronado, como zona de intervenção moderadamente prioritária.

Segundo a responsável “são nestas quatro freguesias que os consumos de substâncias psicoactivas e problemas associados se fazem sentir com maior frequência e/ou intensidade e por isso merecem um plano de intervenção”.

Foram identificados ainda quatro grupos-alvo que estão mais vulneráveis ao contacto com substâncias psicoactivas ou que já são consumidores: menores em risco, jovens consumidores de substâncias psicoactivas ilícitas, consumidores problemáticos de substâncias psicoactivas e alcoólicos.

Segundo dados do estudo, os problemas relacionados com a disfuncionalidade familiar assumem grande dimensão no concelho. A nível escolar, para além do insucesso, abandono e do absentismo escolares são referidos problemas de aprendizagem e comportamento. Assim como em outras zonas urbanas do país, coexistem problemas designadamente de desemprego, violência doméstica, negligência nos cuidados parentais, maus-tratos e abuso sexual sobre crianças, entre outros, que contribuem para comportamentos de risco.

Como locais de consumo foram identificados o Parque Nossa Senhora das Dores, Rotunda do Catulo, zona industrial do Soeiro e monte de S. Gens.

Na área de missão da prevenção o estudo aponta para “a necessidade de reforçar o trabalho de articulação com a comunidade educativa, potenciando a sua capacidade de intervenção preventiva junto dos alunos num maior número de escolas. É igualmente importante o reforço do trabalho com as instituições locais que trabalham com crianças, jovens e famílias”.

No tratamento, “as necessidades relacionam-se essencialmente com a falta de estruturas de proximidade, a que se juntam as dificuldades de mobilidade dos toxicodependentes do concelho”. As preocupações fundamentais das áreas da redução de riscos e reinserção social são, respectivamente, “as necessidades ao nível dos cuidados psicossociais e de saúde, nomeadamente ao nível dos problemas de saúde pública, para os utilizadores de drogas e a baixa qualificação escolar e profissional dos mesmos”.

António Roque afirmou que o PORI entrou “na vida do IDT há dois anos e apareceu como um elemento estruturante de toda a organização do próprio serviço e permitiu que a partir dessa altura surgissem trabalhos, que queremos que sejam desenvolvidos também na Trofa”.

O director do CRI do Porto Ocidental sublinhou que este plano de intervenção terá três componentes “uma dos serviços públicos, uma das organizações locais e outra componente por financiamento por contrato-programa. Hoje (segunda-feira) abriu o concurso para os contratos-programa para os eixos de intervenção, da redução de danos e da reinserção”. António Roque apelou ainda à participação das entidades e instituições locais nos projectos seleccionados e que terão a duração de 24 meses.

 

 

Números

 

106 indivíduos toxicodependentes em tratamento no concelho da Trofa;

 

100 indivíduos toxicodependentes que não se encontram em tratamento;

 

134 indivíduos estimados com problemas ligados ao álcool na Trofa;

 

30 é o número de toxicodependentes que frequentam o Parque Nossa Senhora das Dores, dos quais seis são arrumadores de carros;

 

20 toxicodependentes, na sua maioria provenientes do concelho, com idades compreendidas entre 20 e 30 anos e desempregados, frequentam o Monte de S. Gens;

 

16 jovens consumidores frequentam, habitualmente, a zona do “Soeiro” em S. Mamede do Coronado;