Jaime-Toga

-Acabaram-se as desculpas

Em Abril de 2012 a Assembleia da República discutiu a vinda do Metro à Trofa, a partir de uma petição popular (impulsionada pelo senhor Henrique Cayolla). Vários Partidos apresentaram projectos de resolução para serem discutidos e votados. Aparentemente, os vários Partidos representados na Assembleia da República estavam de acordo com a construção do Metro até à Trofa e foram aprovadas resoluções nesse sentido.

Mas o governo, com o argumento de que “não havia dinheiro” e de que estávamos “sob intervenção externa”, deixou ficar na gaveta as resoluções aprovadas pela Assembleia da República.

Três anos depois, o discurso dos governantes garante que “temos os cofres cheiros” e que “a troika foi embora”. Assim, deixou de haver razões para que o governo continue sem construir o Metro até à Trofa. Por essa razão, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou na passada semana um Projecto de Resolução que propõe a construção da linha até ao fim do primeiro semestre de 2016.

Se já está tudo discutido, se já foi elaborado um caderno de encargos, se todos dizem que estão de acordo, então será fácil que a proposta do PCP seja aprovada e concretizada a obra.

Aqueles que nas campanhas eleitorais vão ao povo do Muro pedir o voto, ou aqueles que, covardemente, instigam a população do Muro a boicotar eleições (desde que não sejam as eleições autárquicas, porque dessas depende o alimento do ego de alguns) bem podem ficar calados ou escondidos. Em breve, a discussão e a votação serão feitas, veremos quem honra a palavra dada.

2- Presidente da Câmara defende a Trofa ou o governo?

No dia em que o PCP apresentou publicamente a sua proposta para a concretização da linha de Metro para a Trofa até ao 1º semestre de 2016, surgiram notícias sobre o processo de privatização d Metro do Porto, com a empresa a afirmar que chegou a acordo com um consórcio catalão.

O caderno de encargos desta concessão engloba a operação do Metro em 67 quilómetros de via e 81 estações. Ou seja, a concessão não prevê o alargamento à Trofa.

Como este caderno de encargos prevê a concessão para um período de 10 anos, significa que o governo pretende adiar a vinda do Metro à Trofa pelo menos 10 anos.

É conhecida a posição do PCP contrária à privatização da empresa Metro do Porto e a consideração de que o serviço público que se exige a esta empresa é indissociável da sua manutenção da esfera pública. Contudo, se a Câmara Municipal da Trofa e o Conselho Metropolitano do Porto (accionista da empresa Metro do Porto) não impedirem a concretização desta concessão, estarão a ser coniventes com a tentativa do governo de adiar mais uma década a construção do Metro até à Trofa.

Ao presidente da Câmara da Trofa exige-se que seja capaz de colocar os interesses do concelho e dos trofenses acima da submissão partidária. Exige-se uma posição de força em defesa da Trofa, que seja capaz de bater o pé ao governo, que promova uma providência cautelar (mesmo que para tal tenha que recorrer aos famosos ajustes directos que tão bem conhece). Exige-se que, no plano metropolitano reclame do Conselho Metropolitano do Porto, que vete este processo de concessão.

A gestão do concelho e a presidência da Câmara não pode viver apenas de ataque ao passado, mesmo que esse passado tenha sido mau.

A Trofa precisa de futuro, precisa de investimento público capaz de atrair e dinamizar o investimento privado. A Trofa precisa que a defendam. A Trofa tem gente com força, coragem e capacidade para avançar e se desenvolver, desde que não estejam constantemente a privá-la das infraestruturas necessárias.

3- Justiça e honra, precisa-se.

À população da zona ocidental do concelho da Trofa retiraram um comboio de ligação ao Porto, prometendo que seria substituído em breve pelo Metro. Há mais de 13 anos que ficaram sem comboio, mas também ainda não têm o Metro. É inadmissível!

Se os “cofres estão cheios” e “a troika foi embora”, só falta mesmo a vontade política.

Faça-se justiça! Honrem a palavra dada!