Estando o país, a atravessar uma grave crise, que começou por ser uma crise financeira para passar a crise económica e ainda mais grave, já está à porta uma grave crise social. Não é entendível que o Governo não aproveite, e atrase, adie ou desperdice fundos comunitários, como o fez no Ministério da Agricultura, que não usou os fundos europeus, ao contrário do que fizeram países como a Espanha, França ou Itália que souberam aproveitar e muito bem, esses fundos.

     O país já tem um atraso significativo em diversas áreas, na agricultura os agricultores portugueses estão em desvantagem em relação aos europeus tudo motivado pela ineficiência do Ministério da Agricultura, que o mínimo que se exige dele, é ser competente pelo menos, a fazer o chamado regime de controlo.

     Há muitos agricultores em Portugal que dependem do sector do leite, que estão sob controlo e que ainda não receberam o controlo de 2007. Que deveriam ter sido controlados a tempo em 2008 e não foram, e que estão a ser prejudicados pela gravosa ineficiência do Ministério da Agricultura.

     Se o Governo, através deste Ministério, não tem capacidade para alterar o estado a que a agricultura portuguesa chegou, ao menos que sejam lestos a fazer o mínimo exigido, que são os controlos dentro do tempo e que paguem às pessoas aquilo que está acordado e a que têm direito. A agricultura portuguesa, precisa de um Ministério da Agricultura que seja mais amigo dos agricultores, em vez de ser uma fonte de problemas e de dificuldades.

     A ineficiência governativa, não é só, infelizmente, na agricultura.

     Todos os portugueses sabem que está “pelas ruas da amargura”, o estado da Saúde em Portugal. Até nos serviços oncológicos onde existe muito “desperdício” e ineficiência. O Governo tem tratado com “leviandade” todo este sector e, ainda pior tem tratado o combate ao cancro que se trata da segunda causa de morte em Portugal. Falta de planeamento, má organização e péssima coordenação, é este o trabalho feito pelo Ministério da Saúde.

     Na Educação, é o que se tem visto: de mal a pior! O Governo pretende pôr em marcha um sistema de avaliação de desempenho dos professores. Tudo aquilo que o Ministério da Educação tem feito, tem provocado enorme perturbação nas escolas e o sistema de avaliação de desempenho dos professores, não foge à regra. As trapalhadas têm sido mais que muitas e não se vê, a curto prazo, melhoras neste sector importante para o futuro do país.

     Mais de um ano depois da posse do Ministro da Cultura, o balanço é claramente negativo e a situação não melhorou. Na sua tomada de posse, o ministro disse que “iria fazer mais e melhor com menos recursos”. O certo é que se verifica que não fez melhor e teve os mesmos recursos. Nalgumas áreas da cultura e nalguns aspectos até piorou, como é o caso da recuperação do património, que está num estado particularmente preocupante e em que há cerca de 3 mil obras classificadas em todo o país, muitas das quais são património mundial classificado pela UNESCO, que se encontram em situação de risco. É óbvio o atraso no apoio às artes em Portugal.

     E a situação calamitosa das Finanças? E a grave situação de “falência técnica” da nossa Economia que se encontra na sua pior situação dos últimos 30 anos? E o Emprego em Portugal que está sempre a diminuir, mesmo com a promessa da Criação dos 150 mil postos de trabalho na Campanha Eleitoral do actual Primeiro-ministro? A verdade é que estamos atingir o meio milhão de desempregados? E a Justiça que arrasta anos e anos casos de julgamento que deixam ficar mal o país? E o Ambiente? Quem sabe quem é o Ministro? Onde é que ele anda? E o Ministro das Obras Públicas com os seus “insultos” aos Portugueses da “outra margem” e com a sua famosa frase: “Em Alcochete, Jamais!” E a Segurança Interna que já não consegue garantir a segurança dos cidadãos, mesmo em suas casas e estabelecimentos?

     Foi para isto que o Presidente da Republica de então, Jorge Sampaio, dissolveu um órgão legitimamente eleito pelo Povo Português, a Assembleia da Republica, e a funcionar sem qualquer tipo de problema, só para convocar eleições antecipadas, porque as sondagens de então davam a vitória ao Partido Socialista? Aqui está a tal estabilidade anunciada e prometida: Grave crise económica, financeira e social!

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          •      José Maria Moreira da Silva

           moreira.da.silva@sapo.pt