Taxa de empregabilidade dos formandos é de 100 por cento

Com cerca de 1200 formandos, distribuídos em cursos laborais e pós-laborais, o CENFIM da Trofa tem vindo a apresentar-se como uma referência no ensino profissional da região, atraindo cada vez mais jovens para os cursos profissionais. Em entrevista ao NT/Trofa Tv, Branco Rodrigues, director do núcleo, considera a vertente prática do ensino e a integração progressiva no mercado de trabalho a chave do sucesso para a motivação dos jovens.

 

Em actividade desde Maio de 1988, o núcleo do CENFIM da Trofa tem dirigido a sua actividade para empresas industriais bastante diversificadas, situadas a norte do país e na zona do Vale do Ave.

De acordo com Branco Rodrigues, director do núcleo da Trofa, o balanço dos últimos 20 anos “é muito positivo”, verificando-se uma evolução progressiva da actividade, “em face da região onde o núcleo está instalado, onde a metalomecânica tem e sempre teve um peso bastante grande”. Desde Maio de 1988, A receita para o sucesso do CENFIM reside, segundo o director, na região e não no centro. “O sucesso não é nosso, mas sim de todos os jovens que se formaram e qualificaram aqui, que estão a exercer profissões com sucesso, e todos aqueles activos que trabalhavam na indústria e que vieram cá fazer cursos de actualização de conhecimentos no sector onde estão integrados”, afirmou. Branco Rodrigues apontou ainda como factor do “sucesso” o facto de há mais de 25 anos não terem existido estruturas de formação profissional na área metalúrgica e metalomecânica. “Estamos a preencher uma lacuna que existe já há umas décadas, que é a formação profissional não só na metalomecânica, mas em todos os outros sectores”, explicou.

O plano de formação do CENFIM engloba cursos de educação e formação (CEF) de jovens, para indivíduos com mais de 15 anos, e cursos de educação e formação de adultos, divididos ainda em cursos laborais e cursos pós-laborais. Segundo números avançados por Branco Rodrigues, o núcleo do CENFIM da Trofa possui actualmente cerca de 340 formandos nos cursos diurnos e cerca de 900 participantes na actividade pós-laboral durante o ano. Os cursos de nível III, destinados a pessoas com o 9º ano de escolaridade atribuem ao jovem uma certificação escolar equivalente ao 12º ano e uma certificação profissional nas áreas da operação e programação, manutenção em electromecânica e desenho. Destinados a jovens com o 6º ano de escolaridade, os cursos de nível II atribuem certificação escolar do 9ºano e certificação profissional de operador de máquinas e ferramentas, serralheiro mecânico, serralheiro civil e soldador. “Para além disso, nos cursos pós-laborais temos uma diversidade de cursos de curta duração, que não ultrapassam as 100 horas, que visam a melhoria de conhecimentos para activos”, adiantou Branco Rodrigues.

 

Integração progressiva no mercado de trabalho

 

De acordo com o director do núcleo, a taxa de empregabilidade dos formandos do CENFIM no mercado de trabalho é de 100 por cento, segundo dados referentes a Setembro de 2008, momento em “que saíram os últimos homens qualificados”. “Eu diria que até é mais do que 100 por cento, porque os pedidos foram sempre mais do que a oferta que tínhamos em termos de jovens qualificados”, salientou.

Branco Rodrigues destacou a importância da integração “progressiva” dos formandos do Centro nas empresas, ao longo do percurso formativo. “Fazemos a integração ao longo de três anos, sendo que o jovem no primeiro ano tem um estágio de um mês numa empresa, no segundo ano completa dois meses na mesma empresa, preferencialmente, e por fim, no terceiro ano passa três meses, realizando cerca de 700 horas de estágio”, explicou.

De acordo com o director, a adesão cada vez maior dos jovens aos cursos profissionais reside na motivação que este tipo de ensino suscita. “O que motiva os jovens a virem para a formação profissional é o facto de este ensino ser virado para a realidade prática das coisas, sendo a a ligação da teoria à prática aqui imediata”, frisou, considerando que “não há nada mais motivante para o jovem do que ele conseguir ver para que serve tudo aquilo que ele aprende teoricamente”.

Questionado sobre se considera os cursos profissionais cada vez mais desmistificados em relação aos cursos universitários, Branco Rodrigues considerou que “o ensino universitário tem o seu lugar e os seus objectivos”. “O ensino profissional é um ensino médio mas é prático, virado para a execução”, frisou, lembrando que “em três décadas o país tem tido um défice muito grande em termos de quadros intermédios, o que se torna muito complicado para as empresas”. “Temos de ter os escalões intermédios preenchidos e foi isso que fizemos, demos a possibilidade às empresas de terem o seu quadro de pessoal escalonado e funcional, contribuindo assim para o sucesso da empresa”, rematou.

Constituído através de um protocolo entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional e associações do sector da metalomecânica, o CENFIM possui parcerias com empresas que integram os formandos do Centro, bem como colaboração com instituições ao nível do Ensino Superior, como a Universidade do Minho e a Universidade do Porto. Na base de dados do registo das parcerias com o tecido empresarial figura uma lista de cerca de 400 empresas, numa área de abrangência que se estende desde o Douro até ao Minho.