As chamas que chegaram a lavrar sem controlo obrigaram à mobilização de 160 bombeiros, 48 viaturas e quatro meios aéreos e fustigaram cerca 40 hectares de floresta, deixando inclusive em sobressalto os habitantes, que chegaram a temer pelas suas casas.

Labaredas com vários metros, um calor abrasador e uma gigantesca mancha de fumo pintaram o cenário daquele que pode ser considerado o pior incêndio florestal no concelho da Trofa, registado nos últimos meses. Pouco passava das 13.30 horas quando duas ignições surgiram no mato na zona norte de Alvarelhos. Rapidamente as chamas tomaram proporções gigantescas e alastraram pelo monte de S. Gens, alimentadas pelo vento forte e pela vegetação densa.

Em declarações ao NT/TrofaTv, Teixeira Leite, Comandante Operacional Distrital do Porto das Operações de Socorro adiantou que “o fogo se iniciou na parte norte do maciço e progrediu pela encosta acima e, com as condições metereológicas, os acessos difíceis e a vegetação muito densa tomou proporções graves”. Com quatro frentes activas, as chamas deixaram em sobressalto alguns habitantes que chegaram a temer pelas suas casas. Com mangueiras, baldes e garrafões de água os mais assustados preveniram-se contra o fogo, que até obrigou à evacuação das pessoas que se encontravam no cimo do monte, junto à Capela de S. Gens.

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O vento intenso, a inclinação do terreno e a falta de acessos dificultaram o trabalho dos soldados da paz, que foram mobilizados em massa para o local. No combate às chamas estiveram 21 corporações de bombeiros, apoiados por 48 viaturas e quatro meios aéreos, dos quais dois helicópteros bombardeiros pesados Kamov.

Apesar de as chamas se terem aproximado de várias casas e unidades fabris, os bombeiros conseguiram evitar o pior. “As chamas chegaram próximo, mas nós conseguimos através da nossa estratégia defender esses bens e esses meios e não aconteceu nada de grave”, esclareceu o Comandante das Operações de Socorro.

No local esteve ainda uma equipa dos Sapadores Florestais da Trofa, assim como o vice-presidente da Câmara Municipal, António Pontes, e um elemento do Grupo Técnico Florestal.

O vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa interrompeu as ferias para se inteirar da situação e em declarações ao NT adiantou que este incêndio “foi bastante penalizador para a beleza do monte” lamentando as perdas “ambientais e paisagísticas”. “Este é um local muito procurado pelas pessoas da Trofa e de fora para convívios familiares e ficou neste estado”, adiantando ainda que “se o fogo alastra-se à parte nascente aí teria consequências muito mais graves”, adiantou.

Depois de quase seis horas a lutar contra as chamas, o incêndio foi dado como circunscrito pelas 19.12 horas. Durante a noite os bombeiros permaneceram no local para operações de rescaldo e vigilância e já ao inicio da tarde de segunda-feira os Bombeiros da Trofa foram novamente alertados para um reacendimento na Avenida de S. Gens, na Freguesia de Alvarelhos.