O Largo do Nicho, em Paradela, tem uma nova designação. Desde 12 de novembro que se chama Largo José Martins da Cunha, em homenagem ao soldado que tombou na Guerra Colonial em março de 1974, na Guiné, com apenas 22 anos.

Joana Lima, presidente da Câmara Municipal, com a voz embargada e a lágrima no canto do olho recordou aquele fatídico dia “como se fosse hoje”, em que a notícia chegou a Paradela: “Morreu o José da senhora Cândida”.

José Martins da Cunha foi destacado para a Guerra Colonial. Aos 22 anos, o destino pregou-lhe uma partida. Em combate, na Guiné, foi atraiçoado por uma mina “anticarro” que fez com que o veículo que conduzia explodisse. Corria o dia 6 de março de 1974.

Hoje, a memória de familiares e amigos ainda permanece viva e desde 12 de novembro com mais significado, porque o até então Largo do Nicho, em Paradela, adotou uma nova designação com o nome do combatente que tombou na Guerra Colonial.

No ano em que fazem 50 anos do despontar desta guerra, José Martins da Cunha foi homenageado por uma comissão organizadora, na qual figura o seu primo, Manuel Pinto, também ex-combatente.

“É um sentimento que me marca muito, porque há muito tempo desejava realizar esta homenagem. Trabalhei para isto juntamente com mais quatro elementos, pelo que o mérito não é só meu”, frisou.

Esta homenagem foi idealizada para também estender-se a todos os combatentes falecidos ao serviço da pátria. “Quando a preparei disse que não queria desprezar os outros que também tombaram ao serviço da pátria, mas outros como eu têm que saber onde estão essas pessoas e trabalhar nas suas freguesias”, acrescentou Manuel Pinto.

A comissão organizadora da homenagem considera que, apesar de falecer aos 22 anos, José Martins da Cunha “merece ficar na história da freguesia de S. Martinho de Bougado”.

Joana Lima, que descerrou a nova placa toponímica do Largo com o presidente da Junta de S. Martinho de Bougado, José Sá, afirmou que esta homenagem vai “associar para sempre o nome de José Martins da Cunha ao concelho da Trofa”.

Esta homenagem, segundo a edil trofense, surge como “sentimento de gratidão e a vivência interior do que foi o esforço pedido às gerações de 60 e 70”. Joana Lima defende que “é necessário assumir a história sem complexos, com o sentimento de um dever cumprido e reconhecendo o valor e saudade dos que já partiram”

Para além de ser descerrada uma placa com a nova designação do largo, foi ainda inaugurado um monumento de homenagem ao “José da senhora Cândida”, como era conhecido em Paradela, e lida uma carta enviada pelo padre Alberto Vieira, camarada de armas na Guiné.

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