Andores om dezenas de metros percorreram na tarde de domingo as principais ruas da freguesia de S. Martinho de Bougado entre a Igreja Matriz e a Capela de Nossa Senhora das Dores, numa procissão que atraiu milhares de pessoas.

 Milhares de pessoas assistiram este domingo na Trofa à procissão em honra de Nossa Senhora das Dores que todos os anos, no terceiro domingo de Agosto sai às ruas da cidade. Logo pela manha dezenas de autocarros começaram a chegar à cidade trazendo peregrinos ansiosos por ver os andores considerados os mais altos de Portugal que chegam a ultrapassar os 12 metros de altura e pesam cerca de 600 quilos.

Mas a tradição já não é o que era, pelo menos no que ao transporte dos andores diz respeito. Há poucos anos atrás cerca de 20 homens transportavam aos ombros os cerca de 600 quilos de cada andor e com mais ou menos dificuldade era assim que faziam o trajecto entre a Igreja Matriz, a Capela de Nossa Senhora das Dores, nem percurso que demorava mais de duas horas. Agora é bem mais fácil pois as enormes estruturas de madeira, enfeitadas com quilos e quilos de tecido, cordões e alfinetes correm sobre rodas, facilitando assim o transporte. João Silva é o responsável pela elaboração de quatro dos dez andores que participam todos os anos e garante que apesar de não serem transportados em braços, a devoção é a mesma "Este ano os andores foram transportados com a ajuda de carrinhos pois faltam homens para pegar. Antigamente os rapazes vinham da guerra do ultramar e para cumprir promessas pegavam nos andores", frisou acrescentando "na minha opinião não parece mal que assim seja pois facilita a tarefa dos homens…desde que os andores não tenham de ir em tractores, não vejo mal nenhum", brincou.

João Silva passou já para o filho grande parte da responsabilidade da elaboração dos quatro andores que todos os anos tem a seu cargo. "Este ano é o meu filho e o meu irmão que estão mais ligados a esta tarefa, recaindo sobre eles a responsabilidade, adiantando que começaram esta tarefa a seis de Julho e terminaram poucos dias antes da procissão".

João Silva está ligado a esta tarefa há 33 anos e promete que vai continuar "até quando Deus quiser".

Cada andor chega a pesar 600 quilos

Milhares de alfinetes, centenas de metros de cetim e fitas são alguma da matéria prima utilizada por João Silva da Agencia Funerária Trofense Lda para construir há já 33 anos os andores de Nossa Senhora das Dores, de S. José, Nossa Senhora da Assunção e Santa Margarida.

"É um trabalho artesanal, é tudo forrado à mão, gastamos quilos e quilos que alfinetes, muitos não acreditam mas este trabalho é muito minucioso e moroso".

O andor de Nossa Senhora das Dores "chega a pesar 600 quilos e mede 12 metros. É um andor muito pesado pois tem uma estrutura composta por três bases."

João Silva garante que "andores como estes veem-se em algumas festas mas é na Trofa que se reúne a mair quantidade para participar na procissão".

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