Depois de João Mendes ter lançado o mote, um grupo de voluntários juntou-se para a realização de um espetáculo pela jovem Inês Reis, a decorrer no dia 12 de abril, no auditório do edifício sede da Junta de Freguesia de Bougado, no polo de S. Martinho.

Quando se deparou com a história de Inês Reis, uma jovem de S. Romão do Coronado que sofre de um tumor raro, João Mendes não conseguiu ficar indiferente, muito menos “abstrair-se da experiência traumática”, que tinha vivido “há poucos meses”, com “o falecimento de Jon Pulse (o nome Im(Pulse) é também uma forma de relembrar a sua memória)”, que considerava “um grande amigo e promissor artista da Trofa”. “Na altura em que a doença do João avançava, uma das hipóteses que se colocavam prendia-se com o tratamento revolucionário (e experimental, convém dizê-lo) que a Inês está agora a fazer. No caso do João, porém, o tratamento com células dendríticas não constituía hipótese. Para a Inês parece ser a solução”, contou, recordando que na altura “o custo do tratamento andava entre os 60 e os 80 mil euros”.

Informado que “os recursos dos país da Inês estavam a chegar ao fim”, ficou “revoltado” pela “hipótese da falta de dinheiro poder manter uma vida em suspenso”. Foi aí que, através do blogue que tem em conjunto com a amiga Silvéria Miranda, decidiu “desafiar a autarquia”, tendo inclusive enviado “um email para o Gabinete da Presidência da Câmara Municipal da Trofa (CMT)”, a “puxar pela sociedade civil para organizar um concerto de solidariedade, aproveitando a matéria-prima que a Trofa tem para oferecer”. “Fui contactado, dois dias depois, por um responsável da autarquia que me explicou, com argumentos bastante coerentes, que não lhes seria possível avançar com tal iniciativa. Nesse momento passaram a bola para o meu lado, afirmando que se eu quisesse avançar com um grupo de amigos teria todo o apoio logístico na medida das possibilidades do município”, afirmou.

Como “não fazia ideia do que seria necessário” para organizar um concerto, João Mendes contactou “uma série de pessoas com experiência na área”, que “desenharam um plano que foi colocado em prática”. “Carina Silva desenhou o plano e os músicos envolvidos, que foram passando uma série de necessidades logísticas e dando dicas para otimizar o funcionamento, o Pedro da Protest Design desenvolveu a comunicação, o Manuel Pinheiro ficou a cargo das operações internas, do bar à segurança, a CMT criou condições para facilitar uma série de necessidades logísticas, do local até ao contacto com as entidades que desenvolveram a comunicação, passando pelas licenças necessárias”, enumerou, acrescentado que a comunicação local “prontificou-se a ajudar com a divulgação e um batalhão de gente boa a espalhar a mensagem”.

Com o “objetivo primordial de ajudar a Inês, na medida das possibilidades”, o espetáculo terá “uma associação, implícita no nome do evento [Im(Pulse)], com a qual pretendem recordar o João”. Além disso, será também uma forma de “divulgar o hip hop da Trofa”.

As atuações previstas são os CaixaForte, os Detroifa, Rogg & Ojuara e o colectivo 61, mas como “um pouco de suspense tem sempre o seu encanto”, poderá haver “algumas surpresas no dia”.

A entrada, “por motivos legais, tem forçosamente que ser gratuita”, contudo, haverá “uma venda de rifas à entrada com o valor de cinco euros”, que, “em teoria, acaba por substituir o bilhete”. “Uma dessas rifas dará direito a um prémio-surpresa. A totalidade do dinheiro será entregue à família da Inês até porque, até à data, não foi gasto um tostão para o que quer que fosse. As bandas vão atuar de borla, toda a gente que irá colaborar estará em regime de voluntariado e pretendemos que todos os consumíveis como bebidas ou comidas nos cheguem, se possível, a custo zero”, concluiu.