Bloco de Esquerda da Trofa e Maia unidos na reivindicação

“Basta de décadas de atraso” consideram os núcleos concelhios do Bloco de Esquerda da Trofa e Maia, que exigem a variante à EN 14 e o prolongamento da linha do Metro.

Livrar as populações do “pandemónio” em que se tornou a Estrada Nacional 14 e colocar o metro “nos carris” até à Trofa. Foram estes os termos utilizados pelos núcleos do Bloco de Esquerda (BE) da Trofa e da Maia, que se uniram para reivindicar dois projetos que consideram fundamentais para a qualidade de vida dos dois concelhos.

Apesar da chuva, elementos do partido reuniram-se junto à rotunda do Castêlo da Maia, no domingo, 30 de março, para mostrar a necessidade da aplicação de fundos europeus para a concretização destas vias de comunicação. A ação de reivindicação foi feita com a colocação de uma faixa, onde figuram, em letras garrafais, as exigências: variante à EN 14 e prolongamento da linha do metro.

“O metro é um dos pilares que pode propiciar uma melhor qualidade de vida a todos os trofenses, principalmente às freguesias mais chegadas à Maia. Existe o ISMAI (Instituto Superior da Maia) e a zona industrial e o metro seria o veículo de ligação com a Trofa, proporcionando novas oportunidades de emprego. A variante, que é espinha dorsal para o desenvolvimento do concelho, passando por S. Romão e S. Mamede, seria um ótimo canal de ligação entre a Trofa e Maia, o aeroporto e o porto de mar”, argumentou Gualter Costa, coordenador concelhio do BE na Trofa.

Silvestre Pereira, deputado municipal do partido na Assembleia Municipal da Maia, afirmou que a variante “é a prioridade das prioridades” e, assim como o metro, deve contar “com uma verba” dos fundos europeus.

Para ampliar o alcance da reivindicação, os bloquistas contaram com a presença da eurodeputada Marisa Matias e da coordenadora nacional do partido, Catarina Martins.

“As pessoas perderam o comboio, com a promessa do metro, que nunca mais veio, e a estrada nacional também não dá resposta às necessidades nem teve as obras que foram prometidas. Estivemos a ver com a Marisa Matias a necessidade, do ponto de vista do financiamento europeu, de continuar a defender estes projetos. Temos uma atuação articulada entre o que é o nosso trabalho nas autarquias, na Assembleia da República e no Parlamento Europeu”, sublinhou Catarina Martins.

Esta reivindicação ganhou mais amplitude devido às declarações do secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida, sobre a possibilidade de os concelhos com elevado endividamento e que estejam sob programa de assistência financeira ter acesso dificultado a fundos comunitários.

Gualter Costa considera que estas declarações deviam “preocupar os trofenses e todos os políticos, em especial, os dos partidos da maioria”. “Quando nos dizem que os municípios com PAEL vão ter condições restritivas no acesso aos fundos, no fundo, é o mesmo que tirar muito a quem menos tem. Temos que inverter este tipo de políticas, precisamos de um novo paradigma de desenvolvimento”, defendeu.

Catarina Martins corrobora: “Sem economia local, sem qualidade de vida os concelhos não vão resolver os seus problemas financeiros. Acabar com o investimento público não é a solução”.