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Gualter-Costa Gualter-Costa

Edição 443

I still have a dream. (Eu ainda tenho um sonho)

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Como vão distantes a palavras de Martin Luther King, que em frente à casa branca americana, dizia “ Eu tenho um sonho. Que um dia brancos e negros se possam sentar à mesma mesa (…)”, que influenciaram a minha adolescência e que me vieram à memória ao escrever este texto, porque para mim a vida só tem sentido se as pessoas forem tratadas com a dignidade que merecem. Porque uma vida digna só tem sentido se a justa distribuição da riqueza for uma realidade. Só tem sentido se cada um e cada uma puder livremente construir a sua realização pessoal, a sua felicidade!

Vivemos tempos duros. Tempos de mentira e de hipocrisia de Estado. Tempos em que adivinham ruturas profundas com o que era considerado adquirido, “normal”, e que está todos os dias a ser alterado, todos os dias a ser cortado, todos os dias a ser posto em causa!

O povo português tem uma cultura de poupança, uma cultura de deixar o futuro “arrumadinho” aos seus filhos e preparar que os dias de velhice sejam tranquilos, dentro do possível. Tem também uma cultura de pagar a quem deve, apontando e criticando os que de alguma forma ficam a dever deixando-os socialmente mal vistos… e é a este povo, a esta forma de estar, que hoje os meninos recém-saídos do infantário, a maioria deles sem qualquer experiência laboral, mas titulares de altos cargos conseguidos por jogos de influências, que nunca tiveram que esticar o salário para que ele chegue até ao final do mês, são eles que do alto da sua altivez moral nos apregoam “Que vivemos acima das nossas possibilidades”!

Esquecem-se estes projetos de gente, que quando se sentam nas baloiçantes cadeiras de ouro que ocupam, quando assumem as mordomias escandalosas normalmente inerentes a essas posições, que quem está a pagar-lhes os luxos é o povo. Aquele humilde povo que espera diariamente horas intermináveis por um transporte público, que está sujeito à obrigatoriedade de apresentações periódicas às “autoridades” apenas para provar a continuidade da sua triste condição de desempregado, que aguarda ordeira e pacientemente horas a fio debaixo de um escaldante sol de verão apenas para ser atendido nos serviços de Segurança Social, que vai de madrugada para a porta do seu Centro de Saúde desejando ter a sorte de conseguir uma consulta médica, que desespera largos anos por uma cirurgia tardia num qualquer hospital público, e que na maioria dos casos leva para casa pouco acima dos quinhentos euros, pagando ainda os pesados impostos, para que tudo aquilo que não tem continue a ser esbugalhado por quem não precisa!

Estas serão algumas das razões que têm levado largos milhares de Portugueses a sair recorrentemente à rua ao longo dos últimos meses. Um número cada vez maior, mais denso e mais decidido. Estão cansados, estão revoltados, querem pôr um BASTA porque isto ultrapassa tudo o que poderia ser considerado admissível!

Com os aumentos brutais de impostos, os salários cortados, os subsídios amputados, os convites à emigração, a vida toda de pernas para o ar, o governo, os tais moralistas que nos dão as lições diárias porque fomos esbanjadores, continuam a esbanjar. Continuam a não conseguir cumprir os défices. Continua a ficar muito acima do que devia. Mais uma vez falhou, não foi capaz, perdeu toda a sua credibilidade!

Se a todo este sacrifício, comprovadamente em vão, juntarmos o alegre e despudorado anúncio do senhor “vice” sobre as medidas draconianas inseridas no próximo OE, ficamos com a certeza que estamos a trilhar o irrevogável e improfícuo caminho da miséria neoliberal.

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Não nos faltarão pois razões para que já no próximo dia 19 de outubro agitemos o país. É urgente fazer rachar as cadeiras douradas, aluir o nacionalismo de lapela e abduzir as surreais mordomias de Estado. Este é o tempo de sermos povo. Este é o tempo de defendermos o nosso Estado. Mostrar-lhes que temos voz, que somos gente, que não somos seus escravos, nem números de uma contabilidade experimental, falhada e absurda, que nos retira o ar que respiramos e que não nos permite viver com dignidade!

E não estaremos sós.

Estaremos com todos e todas que defendem Portugal e uma Europa assentes nos direitos sociais, no trabalho digno, num projeto de sociedade democrática, humanista e livre!

I still have this dream …

 

Gualter Costa

Coordenador Concelhio Bloco de Esquerda Trofa.

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gualter.costa@outlook.com

 

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Edição 443

Carta aberta aos que em Guidões votaram PSD/CDS e aos outros.

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atanagildolobo

« As freguesias agregadas e as que derem origem a freguesias criadas por alteração dos limites territoriais, constantes da coluna A do anexo I, mantêm a sua existência até às eleições gerais para os órgãos das autarquias locais de 2013, momento em que será eficaz a sua cessação jurídica.» ( n.º 3 do art.º 9.º da Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro, aprovada pelo PSD/CDS ). Significa que no passado dia 29 de setembro de 2013 a freguesia de Guidões morreu. E não sei se não terá perecido mesmo para aqueles que nela nasceram pois o n.º 5 do art.º 6 da mesma lei diz: « O Governo regula a possibilidade de os interessados nascidos antes da data de entrada em vigor da presente lei solicitarem a manutenção no registo civil da denominação da freguesia onde nasceram

Fui assaltado por um individuo e fiquei sem duzentos euros. O homem esperou pacientemente que eu chamasse a polícia. Mas eu preferi agraciá-lo com mais cem euros. O exemplo poderá ser absurdo mas a similitude é verdadeira. O PSD/CDS aprova uma lei que põe fim à nossa freguesia de Guidões e cerca de quatrocentos eleitores guidoenses foram recompensa-los com o voto. Não os eleitores do sul de Guidões. De facto, na mesa n.º 2 (Escola do Cerro), o PSD/CDS foi colocado no terceiro posto e não me lembro de alguma vez a CDU ter tido 30,70% nesta mesa. Mas na mesa do Norte, das populações do Outeiro, Póvoa, Bicho e arredores, já assim não aconteceu. A freguesia de Guidões acabou. E aqueles que votaram no PSD/CDS, têm culpa. Neste julgamento não vai nenhum sentido de retaliação, quando muito, alguma mágoa. Mas há que assumir responsabilidades. Tudo o que nos prejudique daqui em diante pela escolha que fizeram é responsabilidade de quem votou no PSD/CDS. Guidões ficou sem voz. Faltaram dez votos para que a CDU elegesse e assim retirasse a maioria absoluta ao PSD/CDS, para que houvesse diálogo, justiça e equidade. Como se não bastasse o aumento dos impostos, as reduções nos salários, pensões e reformas, a retirada de benefícios sociais, o corte nos serviços públicos de saúde e educação, os cortes no subsídio de desemprego, o PSD/CDS é ainda responsável pelo fim das freguesias, pelo fim da freguesia de Guidões. E houve gente que fez esta opção política! Não consegue ultrapassar o preconceito, apesar de estar demonstrado de que quem come as criancinhas não são os comunistas, quem mata os velhinhos é esta política atual da troika e do PSD/CDS, quem rouba as casas aos pobres é a política financeira através dos bancos, e não os comunistas. Mesmo assim, muitos votam a favor desta política. Aqui sim, há muito masoquismo. Resta-nos, a quem musica souber, compor um Requiem pelo fim da freguesia de Guidões. Será um Requiem com um andamento mais forte do que o do segundo andamento do Requiem Alemão de Brahms em que os timbales baterão com uma tal violência a matraquear a consciência desses eleitores de forma a deixá-la pesada e terminará com uma peça ainda mais dolorosa e sofrida do que a Lacrimosa dies illa do Requiem de Mozart pela dor dos verdadeiros Guidoenses.

As pessoas que votaram CDU, porque entenderam o perigo dos interesses da freguesia e das periferias ficarem desguarnecidos, porque alcançaram a necessidade de uma assembleia equilibrada em que a representação da CDU seria importante para que houvesse mais justiça e igualdade, porque desejavam manter viva a luta pela sua freguesia de Guidões, fizeram bem. Só a CDU, que praticamente duplicou a sua votação e a sua percentagem, estava em condições de retirar a maioria absoluta ao PSD/CDS. Faltaram apenas dez votos à CDU para isso, enquanto o PS teria de ter mais cento e dezoito votos para o conseguir.

O facto de respeitar o veredicto popular não significa que não me possa pronunciar sobre ele. Sempre o disse e escrevi: o povo é soberano. Mas terá também de arcar com as suas responsabilidades e saber que a sua vida depende das suas escolhas e da sua intervenção. Como o pregar à moda do padre António Vieira aos peixinhos nem sempre dá frutos é preciso dizer-se que, se hoje vivemos como vivemos com todo o pesadelo que ainda se aproxima, a culpa, em parte, é dos eleitores pela escolha que fizeram. Passado um tempo vociferam:« Eu não votei neles…são todos iguais…etc…». Mas, de facto, votaram. E por isso perdemos o emprego, diminuímos na saúde, na educação, no salário, na reforma, e até sem a freguesia ficamos. Tudo graças às escolhas que o povo fez ao longo dos anos com o seu voto no PSD/CDS e no PS. Esta é uma verdade indesmentível.

 

Atanagildo Lobo

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Edição 443

Crónica Verde – A nossa TERRA

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É (mais) fácil defender o que amamos. E é difícil amar o que não conhecemos.

Podia estar a referir-me a muitas coisas, mas neste caso concreto refiro-me à nossa TERRA, começando no planeta que vivemos e acabando na aldeia, vila ou cidade que habitamos. Ou melhor, começando na aldeia, vila ou cidade que habitamos, pois é mais fácil conhecermos e amarmos o que nos está próximo do que o que está a milhares de quilómetros.

Vivemos – regra geral – tão atarefados, tão ocupados com o nosso trabalho, os nossos compromissos, que nos desligamos do meio onde vivemos. Saímos de manhã cedo e regressamos bem tarde a casa, dia após dia e quando chega(m) o(s) merecido(s) dia (s) de descanso, ou nem temos força para “nos mexer”, ou descobrimos que ainda temos umas centenas de coisas para fazer… E nem nos lembramos de ir até ao parque da esquina ou simplesmente passear pelas ruas, apreciando os jardins dos nossos vizinhos. Como andamos quase sempre de carro, não reparamos nas mudanças de estação. E, às vezes, basta olhar para a árvore que ladeia a estrada…

Temos de o fazer mais vezes, também por nós. Precisamos deste contacto com a natureza, seja uma caminhada de um dia na serra ou sentarmo-nos num banco de jardim. Se nos desligamos da natureza, não nos desligamos de nós próprios?

E, claro, se não reparamos nas árvores, nos rios, no céu do fim de tarde, não sentimos quando cortam essas árvores, poluem os rios e o pôr-do-sol fica encoberto com os fumos dos incêndios.

E se mudarmos? E se, apenas durante uns 15 minutos por semana, dermos uma volta pelo nosso bairro, quarteirão, rua e olharmos com olhos de ver os sinais da natureza que nos rodeiam? Porque ela está em todo o lado, seja aldeia, vila ou cidade. E se calhar – de repente – damos por nós a querer fazê-lo todos os dias…

E se arranjarmos uma meia hora para ir ajudar a plantar algumas árvores? Há imensos sítios a precisarem de árvores, incluindo na nossa freguesia. Se o fizermos – e nem sabemos explicar porquê – vamos sentir-nos ligados àqueles esguios rebentos de árvores, vamos querer saber se sobreviveram, se estão a crescer, se não correm perigo de serem queimados. E vamos começar a preocupar-nos também com outras árvores, noutras vilas, noutros países…

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E se, uma vez por mês, fizermos um lanchinho e formos – com a família ou amigos – passear pelos montes e vales? E nem é preciso pegar no carro, que à nossa volta ainda há muito sítios para nos deleitarmos com a beleza natural. E como levamos a família e os amigos, vamos “contagiá-los”!

E, pouco a pouco, vamos arranjando espaço na nossa vida para algo mais, para aquilo que os nossos antepassados tinham e que, algures no caminho, se perdeu: o nosso equilíbrio com a natureza.

Se este texto o deixou com vontade de se meter ao caminho, venha connosco, na manhã de 27 de outubro, conhecer melhor um pedacinho do nosso Vale do Coronado. Se já conhece bem, venha partilhar connosco as suas vivências! *

Ema magalhães | APVC – Associação para a Protecção do Vale do Coronado

http://facebook.com/valedocoronado

http://valedocoronado.blogspot.com

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