É (mais) fácil defender o que amamos. E é difícil amar o que não conhecemos.

Podia estar a referir-me a muitas coisas, mas neste caso concreto refiro-me à nossa TERRA, começando no planeta que vivemos e acabando na aldeia, vila ou cidade que habitamos. Ou melhor, começando na aldeia, vila ou cidade que habitamos, pois é mais fácil conhecermos e amarmos o que nos está próximo do que o que está a milhares de quilómetros.

Vivemos – regra geral – tão atarefados, tão ocupados com o nosso trabalho, os nossos compromissos, que nos desligamos do meio onde vivemos. Saímos de manhã cedo e regressamos bem tarde a casa, dia após dia e quando chega(m) o(s) merecido(s) dia (s) de descanso, ou nem temos força para “nos mexer”, ou descobrimos que ainda temos umas centenas de coisas para fazer… E nem nos lembramos de ir até ao parque da esquina ou simplesmente passear pelas ruas, apreciando os jardins dos nossos vizinhos. Como andamos quase sempre de carro, não reparamos nas mudanças de estação. E, às vezes, basta olhar para a árvore que ladeia a estrada…

Temos de o fazer mais vezes, também por nós. Precisamos deste contacto com a natureza, seja uma caminhada de um dia na serra ou sentarmo-nos num banco de jardim. Se nos desligamos da natureza, não nos desligamos de nós próprios?

E, claro, se não reparamos nas árvores, nos rios, no céu do fim de tarde, não sentimos quando cortam essas árvores, poluem os rios e o pôr-do-sol fica encoberto com os fumos dos incêndios.

E se mudarmos? E se, apenas durante uns 15 minutos por semana, dermos uma volta pelo nosso bairro, quarteirão, rua e olharmos com olhos de ver os sinais da natureza que nos rodeiam? Porque ela está em todo o lado, seja aldeia, vila ou cidade. E se calhar – de repente – damos por nós a querer fazê-lo todos os dias…

E se arranjarmos uma meia hora para ir ajudar a plantar algumas árvores? Há imensos sítios a precisarem de árvores, incluindo na nossa freguesia. Se o fizermos – e nem sabemos explicar porquê – vamos sentir-nos ligados àqueles esguios rebentos de árvores, vamos querer saber se sobreviveram, se estão a crescer, se não correm perigo de serem queimados. E vamos começar a preocupar-nos também com outras árvores, noutras vilas, noutros países…

E se, uma vez por mês, fizermos um lanchinho e formos – com a família ou amigos – passear pelos montes e vales? E nem é preciso pegar no carro, que à nossa volta ainda há muito sítios para nos deleitarmos com a beleza natural. E como levamos a família e os amigos, vamos “contagiá-los”!

E, pouco a pouco, vamos arranjando espaço na nossa vida para algo mais, para aquilo que os nossos antepassados tinham e que, algures no caminho, se perdeu: o nosso equilíbrio com a natureza.

Se este texto o deixou com vontade de se meter ao caminho, venha connosco, na manhã de 27 de outubro, conhecer melhor um pedacinho do nosso Vale do Coronado. Se já conhece bem, venha partilhar connosco as suas vivências! *

Ema magalhães | APVC – Associação para a Protecção do Vale do Coronado

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