Um clube sui generis que apostou desde a sua formação em lugares de topo e com cinco anos de existência orgulha-se de ter quatro campeonatos conquistados, três deles consecutivos. Esta temporada o Clube Académico da Trofa vai lutar pela revalidação do título e pela reconquista da Taça de Portugal.

Desde há três épocas que o sentimento que se partilha na Divisão A1 de voleibol feminino é que não há quem consiga deter o Clube Académico da Trofa. Depois de mais uma temporada exemplar, na qual conseguiu o “tri” e a única “pedra no sapato” foi a eliminação da Taça de Portugal nas “meias”, a equipa liderada por Manuel Barbosa revalida os mesmos objectivos para a época que agora começa. Campeonato e Taça são as metas pretendidas por um clube que à semelhança do outro clube da terra (mas de futebol) surge como um “oásis” no desporto nacional. Tudo porque, apesar do esforço financeiro consegue destacar-se no panorama nacional com apenas cinco anos de existência.

Para esta época, mexidas no plantel apenas há a registar a saída de Joana Ferreira e a integração de algumas atletas juniores. Manuel Barbosa preferiu a política da “continuidade” para fazer face às “apostas fortes” dos principais opositores.

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“Temos um grupo excepcional, não havia razão para alterar. Sabemos que o Ribeirense, o Clube K e o Gueifães fizeram apostas muito fortes, mas nós temos uma continuidade ao longo destes dois anos e meio que nos assegura que vamos ter um bom campeonato”, referiu em entrevista ao NT/TrofaTv.

Pela aposta dos outros clubes, o técnico espera por um ano “de grandes lutas”, mas mostra-se convencido que o CAT conseguirá elevar, mais uma vez, “o nome do concelho bem alto”.

Apesar das vitórias e de exibições apetecíveis, o segredo é nunca estar plenamente satisfeito: “Elas sabem que a política do clube passa sempre por dar o máximo e por estarmos em todos os jogos muito concentrados com determinação e lutar pela vitória”, disse Manuel Barbosa.

Para além da vontade insaciável de triunfar, há que ter em conta que existem sempre pormenores que precisam de ser aperfeiçoados, destaca o técnico. “Os princípios básicos mantêm-se, mas tentamos sempre melhorar algumas coisas que não correram tão bem como no ano anterior. Vamos tentar que neste ano as coisas sejam corrigidas e corram melhor, sabendo que temos adversários do outro lado e que vamos ter de trabalhar muito para cumprir os nossos objectivos”.

A vitória nem sempre é das atletas que estão em campo”

Para além da política da continuidade a aposta do CAT passa também por “fazer crescer as atletas que nasceram no clube”. Esta é uma garantia do treinador e corroborada por Mafalda Cunha, directora do clube trofense, que sem estar habituada a ocupar cargos directivos no desporto viu no CAT uma instituição diferente: “O CAT é um clube de recreação, não é um ginásio onde nós vamos para fazer manutenção. Um dos valores que o CAT incute desde a sua formação é o valor da competição,. Competir com lealdade, competir com fairplay, mas sempre competir para ser melhor”.

O valor da superação é também um dos requisitos desenvolvidos no clube, que acredita que a vitória “nem sempre é só das atletas que estão dentro de campo”.

“É fruto de um trabalho de balneário, de um trabalho de casa, de um trabalho das capitãs, de um trabalho dos treinadores e também e sobretudo de um trabalho dos trofenses que também não têm faltado ao clube”, sublinhou.

A direcção não esquece o apoio dado ao CAT na altura do nascimento em 2004. Para além da Câmara Municipal, a responsável enunciou ainda as juntas de S. Romão e S. Mamede do Coronado. “Muitas vezes esse apoio não era ao nível do que as pessoas pretendiam, mas sim do que podiam e quando as pessoas dão o que podem não podemos pedir mais”, frisou.

O CAT tem um património que toda a autarquia valoriza”

Já com um histórico invejável, o Clube Académico da Trofa é capaz de dar voz a um pequeno concelho que nasceu há quase onze anos. Altura para dizer que esta instituição “tem património que toda a autarquia valoriza”.

“Tenho a certeza que tanto o executivo anterior como o próximo também valorizam, a questão está em saber até que ponto é que é possível apoiar todos os clubes e em que medida, porque eu também não acredito que nenhum autarca não goste de apoiar os clubes ou não goste de apoiar as associações”, referiu.

O CAT conseguiu vencer todos os jogos do campeonato na temporada passada e só registou um desaire que, ironicamente, ditou o afastamento da Taça de Portugal. A época 2009/2010 já começou e com a certeza que o gigante trofense não vai vender barato nenhum jogo em que entre.

Atletas prontas para mais um desafio

Poucas alterações se vislumbraram no plantel do Clube Académico da Trofa. A saída de Joana Ferreira, recente reforço do Gueifães, foi colmatada pela entrada de algumas atletas da cantera, como Ana Barbosa. Expectante com a sua estreia numa equipa que carrega o peso de ser campeã, a júnior “espera ter uma época muito boa” e “sem lesões”. “A equipa está limitada a um certo número de jogadoras e não convém haver lesões”, afirmou.

“Dar o máximo” é o objectivo da atleta que sabe da “responsabilidade” por pertencer a um clube que está habituado a ganhar.

Quem já vive lado a lado com a vitória é Sara Souza, capitã de equipa do CAT. “Confiante” com mais uma boa temporada, a atleta afirmou que “toda a equipa está consciente do que tem que fazer e vai treinar bastante para dar o máximo e conseguir a vitória”.

“Cada uma de nós dá sempre o seu melhor tanto nos treinos como nos jogos e o resto é consequência. Todos temos o ideal de chegar à vitória e de sermos campeões”, acrescentou.

Como capitã, Sara Souza tem o trabalho redobrado de integrar as mais novas, tarefa que, segundo a atleta, está a ser fácil pelo à-vontade que as juniores já conquistaram no seio do plantel.