Honório Novo, deputado do PCP na Assembleia da República, esteve no concelho não só para visitar as estações desactivadas da Trofa e do Muro, mas também para fazer campanha pelo candidato do partido às presidenciais, Francisco Lopes.

Sem a companhia de grandes comitivas, o deputado do PCP na Assembleia da República, Honório Novo, esteve na Trofa onde contou apenas com a presença dos comunistas trofenses. A primeira paragem foi na antiga estação de caminhos-de-ferro da Trofa, onde se depararam com um cenário de destruição. Vidros partidos, tampas abertas e vestígios da presença de toxicodependentes deixaram os comunistas em alerta: “Aquilo é um foco potencial de toxicodependência, um palácio para os marginais, um foco de insegurança para as pessoas que transitam na zona e para as crianças da EB 2/3 (Professor Napoleão Sousa Marques) que está situada nas proximidades”.

O deputado considera que esta “é uma situação que devia fazer corar de vergonha os responsáveis da Refer”, que “já deveriam ter entaipado as portas e janelas”, considerou.

“O que nós defendemos é uma rápida protecção de tudo o que lá está, para eventualmente utilizarmos aquela estrutura para fins municipais”, acrescentou Paulo Queirós.

O PCP seguiu para a Freguesia do Muro, onde encontrou a revolta da população que pondera não votar a 23 de Janeiro. Executivo da freguesia e populares esperavam os comunistas no largo da estação onde já tinha sido colocado um novo cartaz reivindicativo: “Outros já têm aquilo que nos tiraram”.

Como alternativa ao boicote, o PCP apela ao voto em Francisco Lopes nas eleições presidenciais: “Há um candidato e uma candidatura que ao contrário dos outros, votou favoravelmente propostas de inclusão de verbas substanciais no Orçamento de Estado para 2010 e para este ano que viabilizavam directamente a construção da linha do Metro para a Trofa”. “Ao absterem-se, metem todos no mesmo saco”, frisou.

Para o PCP da Trofa “a luta pelo Metro vai continuar”, mas o “apelo ao não voto” nas eleições não colhe o apoio desta comissão política. “O voto é a arma do povo e pode ser utilizado para dizer claramente às pessoas que estão contra esta discriminação que o Muro e Trofa têm tido”, explicou.

Estas duas visitas estiveram inseridas na campanha por Francisco Lopes, em quem Paulo Queirós acredita: “Procuramos sempre justificar o porquê da nossa escolha e por que é que para nós Francisco Lopes é o melhor e penso que através destas actividades não é preciso dizê-lo, as pessoas percebem que ele é o melhor candidato a Presidente da República”.

Honório Novo deixou a Trofa na certeza de que vai continuar a questionar o Governo. “É verdade que há pouco mais de dois meses coloquei uma questão ao Ministério das Obras Públicas para que me informassem sobre o objectivo da estação da Trofa e não obtive resposta”, adiantou. Quanto à vinda do Metro para a Trofa o deputado foi peremptório: “É preciso que as pessoas percebam que foram lançados ao lixo milhões de euros gastos nesta via, no potencial canal de circulação do Metro para a Trofa”.

O NT/TrofaTv contactou a Refer para saber qual o destino a dar à antiga estação de caminhos-de-ferro da Trofa, mas até ao fecho desta edição ainda não foi prestado qualquer esclarecimento.

Honório Novo entregou dois requerimentos ao Governo, esta quarta-feira, em que num deles questiona-o sobre o futuro da antiga estação de comboios da Trofa e se está prevista a sua cedência à Metro do Porto para a sua futura transformação em estação do metro. “Têm, a REFER e o Governo, a noção da situação absolutamente degradada em que se encontra o edifício da antiga Estação Ferroviária da Trofa?”; “Têm, a REFER e o Governo, a noção que este local é um foco de total insegurança para as pessoas que por lá passam e para as crianças da Escola EB 2,3 que se situa nas proximidades?” e “De que está a espera a REFER e o Governo para procederem à limpeza do local e ao entaipamento de todas as portas e janelas do edifício da antiga estação ferroviária da Trofa?” foram outras das questões levantadas pelo deputado ao Governo.