No dia 14 de agosto, o Grupo de Jovens C’a Fé, da Paróquia de S. Martinho de Bougado, partiu numa grande viagem espiritual rumo a Taizé, uma pequena aldeia de Borgonha, em França.

Iniciamos esta viagem sem qualquer tipo de expectativa em concreto, pensávamos apenas que seria um recinto fechado, muito pequeno, cheio de pó e com poucas condições. Quando lá chegamos, a primeira coisa que nos passou pela cabeça foi “de onde é que esta gente saiu?”, 3000 pessoas é um número bastante grande, mas na nossa cabeça, parecia um número relativamente pequeno. Para além disso, tudo nos chamou a atenção e quanto mais andávamos, mais nos surpreendíamos, pela positiva.

Em Taizé, a oração é composta principalmente por cânticos, que chegam a ser frases muito curtas, fáceis de repetir e de entrar no ouvido. E é através do cântico que uma pessoa consegue conectar-se, e de certa forma, falar ao Senhor. Se entrarmos no compasso, sentimo-nos embalados num ambiente muito especial porque é marcante sermos um dos três milhares de jovens que cantam com Fé! São emoções únicas e só por quem lá passa entende.

O momento de maior entrega a Deus foi na sexta-feira à noite, durante a oração e a adoração à cruz. Não conseguimos explicar aquilo que sentimos e aquilo que vivemos! Naquele momento não era preciso falar, Ele entendia tudo o que lhe queríamos dizer. Entregando nos seus braços, confiando e sentindo o seu amor, tivemos uma das experiências mais marcantes da ínfima vivência vocacional. Com a testa colada à cruz (literalmente colada) sentimos a Sua proteção, amor e sobretudo compreensão. Ali, mais que nunca, tivemos a certeza que apesar dos obstáculos que se colocam na nossa vida e muitas vezes nos fazem questionar um emaranhar de ideias, Ele estará sempre a nosso lado. Foi neste dia que percebemos a magia deste lugar algures em França, a que todos se referem com um brilho no olhar. Foi inesquecível.

Taizé é uma comunidade cheia de vida, de partilha. A cada momento, a cada oração, a cada tocar dos sinos, sentimos a vida desta comunidade sobretudo quando esquecendo as diferenças culturais, os diferentes idiomas seguimos o som dos sinos e nos entregamos ao verdadeiro Deus, aquele que nos ama acima de tudo, com cada defeito demonstrado ou muitas vezes submerso nas intermináveis vivências quotidianas. Tudo nesta comunidade é tão intenso, tão memorável, tão inexplicável e inesquecível. Todos nós sentimos essa vida quando numa igreja com aquelas dimensões se enche, e em silêncio (um silêncio total) crianças, jovens e adultos se juntam para adorar e contemplar o nosso Deus.

É impossível descrever o que lá vivemos durante quatro dias. Esta comunidade transforma-se, semana a semana, num lugar diferente. São inúmeras as pessoas que chegam pela primeira vez sem perceber muito bem o que as leva lá, sem saber os segredos que esta comunidade guarda. Por outro lado, são tantas as pessoas que voltam porque sentem falta da paz que esta comunidade transmite. Taizé é assim, uma comunidade surpreendente, cheia de vida, de partilha…que é impossível deixar alguém indiferente.

Vir a Taizé foi, sem dúvida, o melhor que nos podia ter acontecido neste momento! A ideia era partir à descoberta de uma nova realidade, um pouco diferente do que estamos habituados embora tendo sempre como base aquilo que unia todos os povos que lá se encontravam: Deus!

Sabem uma coisa? Vamos ter saudades de tudo em Taizé…desde a comida (sim da comida!) à dureza do nosso colchão, passando pelo som dos sinos, dos cânticos, das conversas com todos aqueles que fomos conhecendo. E porquê? Porque tudo isso é vida em Taizé.

Balanços são mais que positivos. Não poderia ter corrido melhor a nossa experiência em Taizé, e que venham mais oportunidades de viver-vos intensamente a fé enquanto grupo de jovens.

“Taizé, uma comunidade, uma aldeia, uma vida… Mais que uma comunidade ou aldeia, Taizé, é um local de partilha e de interseções de vidas, de experiências espirituais vividas momento a momento de uma forma tão intensa, tão pessoal.”