A visão dos atores locais sobre o Projeto Educativo Municipal (PEM) da Trofa foi o último painel das terceiras jornadas do PEM, que teve lugar no dia 5 de setembro.

Depois de vários especialistas nacionais na área educativa intervirem durante a tarde, dando o seu contributo para a construção deste documento, à noite foi a vez de individualidades ligadas ao concelho pronunciarem-se, sugerindo ações conciliadoras com o mundo do trabalho, instituições e cidadania ativa.

José Manuel Fernandes, em representação do Grupo Frezite, elogiou o conteúdo do PEM, anotando “as simetrias” existentes no concelho no que toca às taxas de analfabetismo, concretamente nas freguesias de Covelas e Guidões. Números que o empresário considera serem “uma base de trabalho importantíssima”.

Outro dos “contributos” de José Manuel Fernandes cingiu-se na relação entre a escola e as empresas, sugerindo que as novas metodologias de ensino devem preparar os jovens para que sejam capazes de “pensar, planear, decidir e executar” e ter “autorresponsabilidade”.

“Cada vez mais, temos que ter condições de receber jovens que se sintam sincronizados com as empresas. Houve uma evolução muito grande, no tratamento de base de dados, com informação automática e na qual a primeira reação é do cérebro. As metodologias absorvidas nas empresas devem estar no sistema de ensino”, defendeu.

Também Duarte Araújo, em representação da Federação das Associações Pais da Trofa, considerou o PEM “uma ferramenta fundamental” para o sucesso escolar, valorizando a participação dos encarregados de educação na sua construção. As associações de pais, sublinhou, “tentam estar inseridas no ambiente escolar” e dispõem-se a “aumentar as parcerias” com os vários atores educativos.

Para Paulino Macedo, diretor do Agrupamento de Escolas da Trofa, o PEM tem que responder às perguntas “O que somos? O Que temos? O que queremos ser?”. Uma das lacunas que, segundo Paulino Macedo, é necessário colmatar é cultivar a autoavaliação dos estabelecimentos, assim como “ajudar a fazer uma boa orientação vocacional aos alunos”.

No campo da interação, frisou, a palavra “ouvir” está “gasta” e “deve ser substituída” pela palavra “escutar”. No entanto, as escolas, que tentam inverter a fama de sistema fechado, enfrenta algumas dificuldades: “A comunidade não entra nem nos escuta. Se na cantina um prato de sopa aparece com um cabelo, toda a Trofa sabe, mas se fizermos uma grande atividade ninguém a conhece. Às vezes parece que temos vergonha de mostrar aquilo que fazemos de bom”, sustentou.

O diretor mostrou-se preocupado com a diminuição de cerca de 200 alunos matriculados – o que fez com que o Agrupamento perdesse o estatuto de maior do país -, crendo que estes números refletem “as dificuldades económicas que as famílias atravessam”.

Já Renato Carneiro, diretor do Agrupamento de Escolas do Coronado e Covelas, salientou que o PEM “é um documento devidamente estruturado, com diagnósticos, soluções, aponta caminhos e permite desenvolver ações tendo em conta as necessidades dos alunos”. Com este projeto, continuou, “evita-se duplicar projetos para o mesmo público”.

 

No campo da cidadania ativa, Luís Elias, em representação das associações do concelho, denotou a conclusão do estudo de que não existe “um vínculo identitário” das pessoas com o município. “Ao não existir esse vínculo, as pessoas não se identificam com o concelho e não se integram facilmente nas associações”, referiu. Luís Elias considera que a entrega de subsídios às associações devia obedecer a “critérios rigorosos” e que “devia haver um programa” municipal com “metas traçadas” para “estimular, motivar e ligar as coletividades às escolas, com o patrocínio da Câmara Municipal”.

Já Gilda Torrão, em representação das IPSS (Instituições Particulares de Segurança Social), evocou a importância da “atitude” no trabalho de parceria entre os vários agentes educativos. “Quantas vezes as redes estabelecidas não são verdadeiras parcerias”, evidenciou.